Arquivo diário: 10/03/2012

Sem motivos para se preocupar com Tony Parker

TP pode voltar na segunda!

O armador Tony Parker foi poupado na derrota do San Antonio Spurs para o Los Angeles Clippers por 120 a 103. O francês distendeu o quadríceps na partida contra o New York Knicks e também estava com um pequeno incômodo na panturrilha. Para evitar perder seu melhor jogador na temporada, Gregg Popovich preferiu descansá-lo.

“Ele levou uma pancada no pulso e sua panturrilha direita estava o incomodando, além do problema na coxa”, comentou o técnico, que ficou mais tranquilo depois que Parker passou por uma ressonância magnética e nenhum stress grave foi detectado. TP deve voltar normalmente na partida contra o Washington Wizards, na segunda (12).

Em seu lugar, Gary Neal começou seu primeiro jogo da carreira como armador titular – e foi bem. O camisa 14 anotou 18 pontos e distribuiu cinco assistências sem cometer nenhum turnover.

E mais…

T.J. Ford pode voltar na segunda-feira

T.J. Ford - San Antonio SpursAssim como Tony Parker, o armador reserva T.J. Ford também deverá retornar contra o Washington Wizards. Ford levou um pancada nas costas de Baron Davis durante o embate contra o New York Knicks e ficou deitado na quadra de forma preocupante. “Ele voltará quando se sentir confortável para isso”, afirmou Gregg Popovich.

Spurs (26-13) vs Clippers (23-15) – Chris Paul destruiu

103×120

Desde 2002, o Los Angeles Clippers não vencia em San Antonio. Bons tempos em que tínhamos Bruce Bowen e os placares não passavam de de 70 pontos. Na partida de sexta-feira (9), Chris Paul e Mo Williams, juntos, anotaram 69 tentos e comandaram a vitória dos angelinos por 120 a 103. Os armadores tiraram as chances dos comandados de Gregg Popovich, que não contaram com Tony Parker – poupado com fortes dores na coxa.

(D. Clarke Evans/NBAE via Getty Images)

Cuidado com o ataque aéreo

A falta de rebotes prejudicou o Spurs: foram apenas dois defensivos para Tim Duncan e um singular para DeJuan Blair, sendo a mesma quantia no ataque. E para assustar ainda mais, Bonner agarrou seis ressaltos na defesa. O fim do mundo está próximo mesmo.

(Dan Lippitt/NBAE via Getty Images)

Chuva de três pontos

Foram 14 bolas do perímetro convertidas em 27 tentativas por parte dos visitantes. Mo Williams, Chris Paul e Randy Foye contribuiram com 13 delas.

Final traumático

Pelo resumo, o jogo parece ter sido péssimo para o Spurs, mas os texanos suaram a camisa até o final. O embate chegou a ficar empatado em 96 pontos, mas Mo Williams, inspirado, fez a diferença à favor dos angelinos.

Próxima parada

O Clippers retorna para casa e recebe o Golden State Warriors no domingo, enquanto os texanos descansam o final de semana para enfrentar o Washington Wizards na segunda (12). O San Antonio continua em segundo lugar na conferência Oeste, atrás apenas do Oklahoma City Thunder.

Destaques da partida

San Antonio Spurs

Manu Ginóbili – 22 pontos (4-6 3 PT) e seis assistências

Gary Neal – 18 pontos e cinco assistências

Los Angeles Clippers

Chris Paul – 36 pontos, 11 assistências e quatro roubos de bola

Mo Williams – 33 pontos (7-9 3 PT)

Blake Griffin – 15 pontos e nove rebotes

Randy Foye – 15 pontos (3-7 3 PT)

Decadente?

Às vezes nos acomodamos repetindo clichês que se espalham pela mídia especializada e pelos torcedores da NBA: LeBron James é amarelão, Kobe Bryant é fominha e Tim Duncan é decadente. Mas até que ponto essas afirmações são verdadeiras? Por isso, resolvi usar esse espaço hoje para discutirmos a atual forma do lendário camisa #21 da franquia texana. Quanto The Big Fundamental ainda consegue contribuir com o San Antonio Spurs?

The Big Fundamental ainda é fundamental?

Qualquer um que acompanhe o time texano há algum tempo percebe que Duncan não tem mais a mesma forma de antigamente. Claramente limitado por seu joelho, o ala-pivô não consegue mais ser tão dominante quanto em seus primeiros anos na liga. Porém, tão clara quanto sua queda física é a sua importância para a equipe. O camisa #21 ainda é, indiscutivelmente, o jogador de garrafão mais confiável do elenco.

Para que Duncan consiga manter-se em alto nível, Gregg Popovich achou uma solução interessante: tem deixado o ala-pivô cada vez menos tempo em quadra para que ele consiga concentrar melhor sua energia. Claro que, com isso, suas médias caem. Por isso, decidi analisar os números de uma outra maneira: ver quantos pontos, rebotes e tocos The Big Fundamental consegue por minuto e comparar essas estatísticas às do resto de sua carreira. Vejam só o que eu levantei:

 

Pontos por minuto

Rebotes por minuto

Tocos por minuto

1997/1998

0,54

0,30

0,06

1998/1999

0,55

0,29

0,06

1999/2000

0,60

0,32

0,06

2000/2001

0,57

0,32

0,06

2001/2002

0,63

0,31

0,06

2002/2003

0,59

0,33

0,07

2003/2004

0,61

0,34

0,07

2004/2005

0,61

0,33

0,08

2005/2006

0,53

0,32

0,06

2006/2007

0,59

0,31

0,07

2007/2008

0,57

0,33

0,06

2008/2009

0,57

0,32

0,05

2009/2010

0,57

0,32

0,05

2010/2011

0,47

0,31

0,07

2011/2012*

0,51

0,31

0,05

Por meio dessa tabela, é possível perceber que Duncan não tem o mesmo impacto ofensivo de dez anos atrás. A média de 0,51 pontos por minuto é a segunda pior de sua carreira, atrás apenas do último campeonato, quando Pop já havia limitado bastante seu tempo de quadra. Pouco para um jogador que, em quatro temporadas, chegou à casa de 0,6 pontos por minuto – uma produção invejável.

Mas, ao contrário do que se possa imaginar, a forma física avariada de Duncan não tem atrapalhado tanto assim seu desempenho nos rebotes e nos tocos. Por isso, é possível dizer que, em termos defensivos, o astro do Spurs ainda conserva um belo desempenho.

Depois de alcançar o auge na produção de rebotes por minuto na temporada 2003/2004, esse número caiu um pouco, mas tem se mantido relativamente constante desde o último título do Spurs, conquistado em 2007. Provavelmente, o ala-pivô tem conseguido suprir a limitação nos joelhos com sua experiência, principalmente para se posicionar melhor e conseguir os rebotes mais fáceis das partidas.

O mesmo pode ser dito dos tocos, fundamento em que Duncan apresenta a maior regularidade desde o início de sua carreira. É verdade que a média de 0,05 por minuto, alcançada nesta temporada, é a mais baixa de sua carreira. Mas não fica muito longe dos 0,08 bloqueios por minuto que ele conseguiu em 2004/2005, seu melhor campeonato no fundamento. De novo, é possível perceber que o astro usa a experiência para compensar a falta de explosão – o ala-pivô sabe a hora certa de ir para o toco sem fazer falta.

É fácil olhar para os números de Duncan hoje – 14,3 pontos, 8,6 rebotes e 1,4 tocos por partida – e dizer que ele é decadente. Mas, às vezes, nos esquecemos de que o astro fica em quadra somente 28,4 minutos por noite. Se mantivesse sua produção média deste campeonato mas atuasse, por exemplo, em 40 minutos por partida, The Big Fundamental apresentaria 20,4 pontos, 12,4 rebotes e dois tocos por noite. Nada mal, certo?

Claro que isso seria impossível – como disse no começo desta coluna, hoje em dia é impensável para Duncan jogar tanto tempo, principalmente por conta de seu joelho. Mas o objetivo deste texto é mostrar que, quando está em quadra, o ala-pivô continua quase tão eficiente quanto em qualquer outro ano de sua carreira. Ele ainda tem lenha para queimar.

* As estatísticas dessa temporada não levam em conta o duelo contra o Clippers. No momento da conclusão dessa coluna, os números ainda não haviam sido atualizados na página oficial da NBA.