Arquivo diário: 01/03/2012

O aperto e as estranhezas

Respeitável público,

A atual temporada da NBA é uma das mais estranhas dos últimos tempos. Expliquemos. o primeiro fato que a torna incomum é o número de jogos que cada equipe fará: 66, em vez dos habituais 82, graças ao locaute que atrasou em quase dois meses seu início e por pouco não foi responsável pelo cancelamento do campeonato. Este fato fez com que o calendário se tornasse espremido, pois as equipes terão praticamente apenas cinco meses para cumprirem todos esses compromissos. Somando-se às viagens e aos treinamentos, não é exagero dizer que os jogadores quase não vêm tendo momentos de descanso, o que pode ser problemático na reta final da competição. É óbvio que os preparadores físicos atentaram para isso e é bem provável que as planilhas de treinamento não sejam as mesmas de temporadas passadas, quando os espaços entre os jogos eram maiores. No entanto, não dá para se fazer milagre, joga-se quase toda noite em alto nível, o que aumenta o estresse físico e mental.

Seguindo esta linha, o mês de março bate à porta e até aqui qualquer prognóstico que se faça sobre o que acontecerá nos playoffs, mais do que em qualquer outra situação, é pura especulação. A temporada vai avançando e não aparece alguém que coloque embaixo do braço a alcunha de favorito, afinal, com um calendário tão apertado, as equipes vão oscilando entre heroicas vitórias numa noite e derrotas arrasadoras na seguinte. O equilíbrio é tão grande que uma pequena sequência de triunfos pode ser responsável por jogar um time pro topo da tábua de classificação, enquanto um ou outro revés pode colocá-lo muito para baixo. Vejam os casos do atual campeão Dallas Mavericks e do Los Angeles Lakers, duas forças da Conferência Oeste, mas que somente às duras penas se mantêm entre os oito que avançariam à fase final da temporada. O time de Nowitzki e Kidd não consegue se encontrar, vindo inclusive de incômodas três derrotas consecutivas, enquanto Kobe Bryant faz o que pode em Los Angeles, mas não consegue fazer com que o Lakers supere o primo pobre Clippers, que hoje é visto por muitos como a principal força da Califórnia. Mesmo assim, ninguém seria capaz de excluí-los da corrida ao título desde já, ou seria?

No Leste, a situação parece mais polarizada entre Miami Heat e Chicago Bulls. Embora nenhum dos dois me convença, os outros times não me parecem suficientes para causarem grandes problemas a esses dois. O New York Knicks é uma incógnita, tem jogadores talentosos e vem crescendo junto com o garoto sensação Jeremy Lin, mas não tem técnico e esbarra no egoísmo de Carmelo Anthony num claro exemplo de time que perde para si próprio.

O caso das contusões é tão alarmante que para o embate de ontem, contra o Chicago Bulls, o Spurs tinha cinco dúvidas. Manu Ginóbili e Kawhi Leonard não ficaram nem no banco de reservas. Outros times também sofrem desse problema, que poderá vir a ser o diferencial da temporada. Nesses dias sem prognósticos, é prudente que aguardemos.

Popovich é eleito o técnico do mês na Conferência Oeste

"Tem que ter treinabilidade..."

Gregg Popovich, do San Antonio Spurs, foi eleito nesta quinta-feira (1) o técnico do mês de fevereiro na Conferência Oeste. Pelo lado Leste, o escolhido foi Erik Spoelstra, do Miami Heat.

Pop liderou a franquia texana a 11 triunfos e apenas duas derrotas no mês. Dessas 11 vitórias, oito delas foram durante a Rodeo Road Trip, ou seja, fora de casa. As derrotas foram para o Portland TrailBlazers, quando o treinador resolveu descansar Tim Duncan e Tony Parker, e para o Chicago Bulls.

Essa foi a 13ª vez na carreira que Popovich foi condecorado com o prêmio de melhor comandante do mês – maior marca em atividade entre os técnicos da liga. Parabéns, Mr. Pop!

Spurs (24-11) vs Bulls (27-9) – O castigo vem de longe…

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O San Antonio Spurs bem que tentou, lutou até o fim, mas acabou derrotado pelo Chicago Bulls, em casa, por 96 a 89, nesta quarta-feira (29). Esta foi apenas a segunda derrota dos texanos no AT&T Center, onde a equipe já disputou 15 partidas na temporada. Sem mais delongas, vamos aos destaques da partida…

Nem a cara feia de Noah parou Neal...

O castigo vem de longe…

Dei este título ao resumo porque o Spurs, depois de fazer um jogo equilibrado durante quase todo o tempo, acabou afrouxando a defesa no perímetro nos minutos finais e foi castigado por isso. As infiltrações até diminuíram, é verdade, mas duas bolas de três pontos de Luol Deng – até então sumido na partida -, uma de Korver e arremessos longos de dois pontos de Brewer e Rose praticamente aniquiliraram as chances do time da casa.

Quase solitário

Nem Duncan, nem Parker: o cestinha do Spurs foi Gary Neal. Saindo do banco, o ala-armador anotou 21 pontos em apenas 18 minutos em quadra. O problema é que Neal foi uma força praticamente solitária entre os reservas. O banco até que começou bem, mas depois parou. O restante dos suplentes, somados, alcançaram apenas 13 pontos

Os retornos

Uma das boas notícias da partida contra o Bulls foram os retornos de Tiago Splitter e T.J. Ford, recuperados de lesão. O pivô atuou por 18 minutos, anotou cinco pontos e quatro rebotes, mas pareceu sentir um pouco o ritmo e faltou confiança, ponto evidenciado em um toco sofrido para Omer Asik. O armador atuou bem menos, apenas sete minutos, correu bastante, deu duas assistências e roubou três bolas, mas foi tímido no ataque e saiu zerado, errando os três arremessos tentados.

Panela velha…

… é que faz comida boa. Depois de ir para o intervalo perdendo por 50 a 42, o Spurs se recuperou no terceiro quarto e conseguiu a virada. Quem comandou a reação foi Tim Duncan. O ala-pivô anotou 12 pontos e pegou sete rebotes só no terceiro período e fez voltar à mente as jogadas daquele Timmy de alguns anos atrás. O problema é que em todo o restante do jogo as estatísticas foram mais modestas: apenas seis pontos e três rebotes.

Tem futuro esse tal de Rose

MVP?

Derrick Rose, do Chicago Bulls, definitivamente foi o nome do jogo. Embora a defesa do time da casa tenha conseguido limitar o armador a um aproveitamento apenas razoável nos arremessos de quadra – ele acertou somente 10 dos 23 que tentou, ou seja, 43% -, o camisa 1 matou bolas fundamentais durante o jogo, a maioria em infiltrações. Aliás, o arranque de Rose na passada rumo a cesta me faz lembrar o atacante Ronaldo em seus tempos de glória… Um touro! Até a torcida texana se rendeu e alguns gritos de MVP surgiram das arquibancadas.

Destaques da Partida

San Antonio Spurs

Gary Neal – 21 pontos e três assistências

Tim Duncan – 18 pontos e dez rebotes

Tony Parker – 11 pontos, seis rebotes e nove assistências

Chicago Bulls

Derrick Rose – 29 pontos e quatro assistências

C.J. Watson – 13 pontos e quatro assistências

Joakim Noah – Dez pontos e 13 rebotes