Arquivo diário: 16/02/2012

O careca

Duncan afaga Ginóbili: dupla tenta vencer a desconfiança da torcida

Respeitável público,

A lesão de Manu Ginóbili acabou não sendo de todo ruim para o San Antonio Spurs. Com o titubeante início de temporada do trio de astros, que tem ainda Tony Parker e Tim Duncan, o Spurs patinava e precisava que ao menos um jogador estivesse em condições de levá-lo às vitórias. E embora a saída do argentino possa não ter nenhuma relação com a ascendência do time, pois poderia tratar-se de um caminho natural, é notória a reeducação de jogo que passou o Spurs desde então.

Dado como acabado por alguns, Duncan mais uma vez vem contrariando seus críticos e tem sido o grande líder que o Spurs tanto precisava. Não digo líder na acepção da palavra, isto ele sempre o foi, mas sim no sentido de ser o homem que pede a bola, que resolve as partidas e as vence para o time. O momento de Timmy é tão bom que eu diria que, caso ele mantenha suas médias até o final de fevereiro e o Spurs continue a ganhar, ele está credenciado a ser escolhido como o atleta do mês da Conferência Oeste. Seus números não chegam a ser um aborto da natureza – se comparados aos melhores anos de Duncan na NBA podem até ser dados como modestos -, mas revelam um renascimento de seu jogo e mostram o quão útil ainda pode ser. No momento em que escrevo, após a vitória sobre o Detroit Pistons, o Spurs soma sete vitórias em sete jogos no mês de fevereiro e Duncan tem 17,5 pontos e 11,7 rebotes em média, o que convenhamos não é nada mal. Seus méritos são ainda mais louváveis quando vemos que, ao saber de suas limitações físicas atuais, Duncan tratou de desenvolver um estilo de jogo o qual pouco usou ao longo de sua vitoriosa carreira: o de atirador de média distância. Se nunca foi um atleta favorecido por seu físico, não seria agora, aos 36 anos e com os joelhos combalidos, que Timmy teria força para brigar no garrafão com jogadores dez, 12 anos mais jovens e bem mais fortes. Obviamente uma mudança tão significativa só é possível para alguém que tenha o pleno domínio da técnica do jogo, além de um nível motivacional incrível.

O caso de Tony Parker merece ser visto com mais cuidado. Ainda que essa possibilidade não tenha sido ventilada, o francês não me parecia muito satisfeito no início da temporada e nem tão seguro de que terminaria 2012 jogando pelo Spurs. De maneira nenhuma tenho a intenção de falar em corpo mole, apenas acho que uma dúvida pairava no ar, fosse pelo lado do jogador ou pelo de Gregg Popovich. Pelo sim, pelo não, Parker também parece reencontrar seu bom jogo, tendo alcançado inclusive algumas marcas significativas neste mês de fevereiro. Contra o Oklahoma City Thunder, no dia 04, ele brilhou com 42 pontos e nove assistências, ultrapassando Avery Johnson e se tornando o maior passador da história de San Antonio com quase 5.000 passes para cestas. De quebra, foi eleito o jogador da semana da Conferência Oeste. Ontem mesmo contra o Pistons, não fazia grande partida, mas foi decisivo convertendo quatro lances livres e anotando duas cestas cruciais para a vitória. O que me parece mais interessante é que Parker vem procurando criar as jogadas, envolvendo mais os companheiros na tábua ofensiva, o que por sinal é a primeira função de um armador principal, antes de pontuar.

O dilema que o torcedor do Spurs sofre há alguns anos é o de poder confiar ou não no time. As equipes de Poppovich sempre parecem capazes de reluzirem intensamente, mas somente por alguns períodos, alternando altos bem altos e baixos bem baixos, perdoem-me a redundância. Desta vez, o Spurs deu a “largada” um pouco mais cedo, afinal sempre foi conhecido pelo seu crescimento no pós-jogo das estrelas, que ainda irá acontecer. O caminho para um novo título é realmente esse, no entanto o nível que o time apresentará nos próximos meses determinará se realmente o quinto anel poderá chegar a San Antonio em junho. Chances, é claro, existem. Com a volta de Ginóbili, a equipe ganha mais corpo, experiência e talento e mesmo que o argentino já não pareça ter o mesmo fôlego de antes, um Manu inspirado vez ou outra sempre é uma arma letal. Pode não parecer, mas Ginóbili é apenas um ano mais jovem que Duncan, ou seja, está longe de ser um garoto. A careca cada vez maior o denuncia.

Ziriguidum: A coluna dá uma pausa para a folia de Momo e retorna no dia 01º de março, aniversário da minha querida cidade do Rio de Janeiro. Desejo a todos um ótimo carnaval, sem exageros e, como sempre é bom lembrar, se for dirigir, não beba. Nos vemos na Marquês de Sapucaí.

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Spurs (21-9) @ Raptors (9-22) – Máquina de vitórias

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O San Antonio Spurs conseguiu sua nona vitória consecutiva na noite desta quarta-feira (15). O time texano viajou até o Canadá para assegurar mais um triunfo na temporada, desta vez sobre o Toronto Raptors. A vitória não veio com facilidade, mas o time chegou bem no último quarto e decidiu a partida. A próxima parada será contra o Los Angeles Clippers, no sábado.

Tony Parker

O armador francês teve outra noite memorável. Ele marcou 34 pontos e distribuiu 14 assistências. Da linha de lance-livre, ele não errou nenhum, acertando os 12 arremessos que tentou durante o duelo.

Tony Parker foi o melhor jogador em quadra| Photo By The Canadian Press, Nathan Denette

Tony Parker foi o melhor jogador em quadra (Foto por The Canadian Press, Nathan Denette)

Vitórias e mais vitórias

Jefferson briga pela bola (Foto por The Canadian Press, Nathan Denette)

O time texano conseguiu sua nona vitória seguida. A última vez que isso aconteceu foi em dezembro de 2010. Esse foi também o sexto triunfo seguido fora de casa. O retrospecto do Spurs longe de San Antonio já melhorou bastante. Agora, a franquia já registra um aproveitamento de 50% longe de seus domínios.

Splitter e o banco

Tiago não fazia uma grande partida. Porém, no último quarto, Popovich resolveu dar uma chance ao pivô, que ficou em quadra durante quase todo o período. O resultado foi ótimo: oito pontos decisivos. Tony Parker, sempre ele, deixou o brasileiro com chances de fazer vários pontos importantes.

Outra peça importantíssima para o time é Danny Green. O jogador, que tem começado como titular, contribuiu com 13 pontos e sete rebotes. O banco do Spurs ainda contou com a ajuda de Garry Neal, que fez oito pontos, e de Matt Bonner, com dez.

Cuidado com o
blecaute

Mais uma vez a defesa do Spurs voltou do intervalo desatenta. Novamente um jogo que tinha tudo para ser fácil foi dificultado por erros defensivos. O Raptors fez  um 17 a sete no início do terceiro quarto, empatando o jogo em 66 a 66.

Nativo

O rookie Cory Joseph se tornou o oitavo canadense a jogar em Toronto, mas o jovem não conseguiu aproveitar a oportunidade. Em pouco mais de dois minutos em quadra, ele errou dois arremessos, cometeu uma falta e perdeu a bola uma vez.

Destaques da Partida

San Antonio Spurs

Tony Parker – 34 pontos e 14  assistências

Danny Green – 13 pontos e sete rebotes

Tiago Splitter – 13 pontos e cinco rebotes

Manu Ginobili – 11 pontos

Toronto Raptors

 DeMar DeRozan – 29 pontos

Jose Calderon – 16 pontos e 11 assistências

Ed Davis –  11 pontos e cinco rebotes