O dilema de Magnano

Sem clima, Nenê e Leandrinho nao devem repetir parceria em Londres

Respeitável público,

Pouco mais de cinco meses nos separam dos Jogos Olímpicos de Londres. E me parece estranho o silêncio das nossas autoridades do basquete, que não se pronunciam sobre os brasileiros da NBA que não fizeram muitos esforços para jogar o Pré-Olímpico de Mar de Plata em 2011.  Questionados, treinador e direção da CBB desconversam sobre a decisão de convocá-los ou não, enquanto jogadores com passaporte garantido para o Reino Unido, como Tiago Splitter, preferem ser políticos e deixar o parecer nas mãos de quem compete. E estão certos.

A situação não é mesmo das mais fáceis. Como todos devem saber, esta será a primeira vez que o Brasil visitará as Olimpíadas desde 1996, tendo amargado ausências traumáticas nas últimas três edições dos jogos. É bem verdade que os doze atletas que estiveram no torneio classificatório do ano passado não são mais os mesmos, ganharam rodagem internacional e confiança, mas a grande verdade é que apenas dois times brigavam com o Brasil pelas duas vagas olímpicas: Argentina e Porto Rico. Os demais eram incapazes de nos causar grandes apuros, embora tenhamos perdido para a República Dominicana na primeira fase. Também é verdade que seria injusto desqualificar a classificação brasileira diante de tanta pressão, descrédito e do fato de os principais nomes do basquete tupiniquim terem pulado fora do barco alegando as mais diversas desculpas esfarrapadas.

Em tese o dilema que vive Ruben Magnano é: se convocar os astros da NBA poderá almejar uma boa participação e até mesmo sonhar com a possibilidade de uma medalha; se apostar em quem o ajudou no momento mais difícil, estará indo apenas para “participar” das Olimpíadas. Não bastasse, há ainda o componente do jejum olímpico: fazer história depois de tanto tempo ou sensação de dever cumprido desde já? Repito, isso tudo em tese, afinal seria infantil selar a sorte brasileira tão antes da bola laranja subir.

Se há algum facilitador para Magnano nessa história, é que Nenê, Leandrinho e Anderson Varejão são casos distintos. Dos três, Nenê é o que goza de menos prestígio e deverá ficar fora de Londres. O pivô nunca fez muita questão de defender a seleção, tendo demonstrado pouco empenho nas vezes em que o fez, além de ser crítico da CBB. É importante atentar para este último fato, pois sabemos como funciona cabeça de dirigente e um revanchismo contra o jogador do Denver Nuggets não deve ser descartado. Tal como Nenê, Leandrinho alegou problemas particulares e talvez seja a maior dúvida de Magnano; no final das contas, acho que ele deverá ser convocado, embora não aposte todas as minhas fichas nisso. Já Anderson Varejão é o oposto de Nenê, sempre gostou de jogar pela seleção e só não esteve em Mar del Plata graças à séria lesão no tornozelo que o fez perder boa parte da temporada passada da NBA. Antes de ser cortado do grupo, aceitou ser avaliado por médicos da CBB que o vetaram e chegou a levantar a hipótese de acompanhar seus companheiros na Argentina. Justiça seja feita, Anderson não pode ser comparado aos primeiros, afinal não pediu dispensa, foi impedido de lá estar em razão de problemas físicos. Pela lealdade, certamente irá a Londres.

Desta maneira, o cerco vai se fechando aos caciques da CBB e tão logo uma decisão precisará ser anunciada. Magnano é experiente e sabe que a linha entre a consagração e o fracasso é tênue. Uma indigna campanha olímpica certamente cairá em sua conta e o fato de se ter chegado até lá não contará muito em seu favor, afinal somos imediatistas e temos memória curta. Isto é certo: eu não gostaria de estar na pele dele.

Publicado em 09/02/2012, em Interferência. Adicione o link aos favoritos. 5 Comentários.

  1. tendo so o varejao eo Tiago Splitter, ta otimo

  2. Tmb acho que tem que ir só Varejão e Splitter, mas vou torcer pra Ginobili levar mais uma pra casa seria um final incrível para ele pela seleção.

  3. Leandrinho é de se pensar em levar, não pelo basket dele, mas pelo passado em que defendeu a seleção, mas Nene NEM PENSAR, se quiser que assista pela tv.

  4. Ponderações: 1-) República Dominicana tinha um dos melhores garrafões do Pré-Olímpico e era sim uma ameaça para Brasil, Argentina e Porto Rico. 2-) Mesmo sem Nenê, Varejão e Leandrinho (o que não vai acontecer) não vejo o Brasil completamente sem chances de medalha. Pq? É tiro curto! Um grupo bom você pega uma Austrália nas quartas e joga por um vitória em dois jogos para ganhar uma medalha. Lembram da Itália? 3-) Acho que Leandrinho devem e vão à Londres. Nenê é um caso complicado, mas sem dúvida fará uma falta imensa. 4-) Com os jogadores da NBA as chances do Brasil aumentam, mas ainda não nos deixam com mais de 25% para biliscar um bronze.

  5. Varejão sem dúvida está dentro, Leandrinho é discutível, mas acho que ele não se encaixa no esquema de companheirismo observado na seleção, e Nenê não pertence mais ao basquete brasileiro!

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