Perder George Hill foi uma aposta válida

George Hill era um dos meus jogadores prediletos no elenco do San Antonio Spurs – além de ser o preferido de Gregg Popovich segundo o próprio treinador. Por isso, minha primeira reação ao ver que o armador havia sido enviado para o Indiana Pacers na noite do Draft de 2011 foi torcer o nariz. Agora, depois de 12 jogos na temporada 2011/2012, talvez ainda seja cedo para dizer se a troca foi boa ou não para a equipe texana. Mas, vendo o desempenho de Kawhi Leonard em quadra – e a confiança que a comissão técnica tem nele – ao menos já podemos dizer que foi uma aposta válida.

Vai que é sua, Kawhi Leonard!

Hill era a cara do futuro do Spurs. Disciplinado, bom marcador e versátil – defendia qualquer posição no perímetro -, tinha o perfil que Pop sempre busca em seus atletas. Mas Leonard também parece ser assim. E tem recebido uma moral impressionante do técnico.

Em sua primeira temporada na NBA, o ala tem média de 23,2 minutos por exibição. É o quinto que mais fica em quadra em todo elenco do Spurs. E nós sabemos o quanto isso é anormal para um calouro em San Antonio. Como base de comparação, Hill jogou 16,5 minutos por embate em seu ano de estreia. DeJuan Blair teve 18,2 e Tiago Splitter, 12,3. Prova de que Pop vê algo especial em Leonard.

A princípio, o que o Spurs fez foi trocar um bom defensor por outro de uma posição diferente. Hill era um verdadeiro carrapato, mas um marcador mais alto tem mais facilidade para contestar arremessos. O trabalho de Leonard sobre Kevin Martin no último jogo diante do Houston Rockets mostrou isso: o ala-armador rival arremessou apenas 15 bolas contra o Spurs, uma de suas marcas mais baixas na temporada.

A altura de Leonard também contribuiu com outra coisa importantíssima para o Spurs: o rebote. O novato tem média de 5,1 por jogo e, em todo o elenco, só fica atrás de Tim Duncan e DeJuan Blair no fundamento. Hill, por sua vez, coletava 2,6 por partida em sua última temporada com a franquia texana. Uma diferença considerável, levando em conta que esse é um dos principais problemas do time de San Antonio.

A tamanho de Leonard também ajuda em sua versatilidade. Assim como Hill, o ala pode defender várias posições. Porém, mais alto, pode até mesmo passar alguns minutos como um falso ala-pivô. Pop tem usado essa formação tática contra equipes que usam o small-ball: foi assim contra o Rockets e contra o Portland TrailBlazers, que utilizaram, respectivamente, Chandler Parsons e Gerald Wallace na posição quatro durante boa parte de seus confrontos contra o Spurs.

Em suma: o Spurs trocou seu principal defensor de perímetro por outro que preenche melhor as necessidades da equipe – apesar de que, obviamente, a curto prazo Leonard é menos experiente. Mas vale lembrar que também recebemos na troca os direitos de Erazem Lorbek e Davis Bertans. O ala-pivô esloveno tem médias de 10,9 pontos (42,2% FG, 32,5% 3 PT, 75% FT) e 3,9 rebotes em 25 minutos por jogo pelo Barcelona na Liga ACB – o campeonato espanhol de basquete – e é um jogador pronto para assumir seus 10, 15 minutos na rotação do time texano quando for contratado. O ala letão, de apenas 19 anos de idade, é uma aposta. Na competitiva liga adriática, tem médias de 4,2 pontos (41,3% FG, 33,3% 3 PT, 66,7% FT) e 1,5 rebotes em quase 17 minutos por jogo. Com potencial nos tiros longos, pode exercer a função que Brent Barry e Michael Finley faziam e que Gary Neal faz hoje: um arremessador que vem do banco. Se desenvolver seu corpo, pode até mesmo ser uma alternativa para o papel que Matt Bonner tem no time, um ala-pivô que joga aberto.

São motivos suficientes para dizer que a aposta da franquia texana foi válida.

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Sobre Lucas Pastore

Um dos fundadores do Spurs Brasil, seu maior orgulho na carreira jornalística. Formado em Jornalismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie em 2010, é redator do UOL. Cobriu o basquete olímpico na Olimpíada de 2016 pelo LANCE!. Trabalhou também para Basketeria e mob36.

Publicado em 14/01/2012, em Na linha dos 3. Adicione o link aos favoritos. 3 Comentários.

  1. Victor Moraes

    Concordo com sua analise. Foi um sacrifício, mas que acho que vai valer a pena para o Spurs.
    Gostava muito do Hill e achava que ele tinha a cara do Spurs. Era um cara comprometido, esforçado, bom defensor. E também se virava muito bem no ataque. Mas o Leornard tem tudo para ser um cara ainda mais completo. Defende muito bem, é alto, pega rebotes e também vem encontrando seus espaços no ataque.

    Que dê tudo certo na carreira desse garoto e ele fique muitos anos em San Antonio. E quem sabe, em breve, também não trazemos o Hill de volta?

  2. Bruno Pongas

    Eu concordo também, mas, ao contrário de você, achei a troca válida desde o começo. George Hill era ótimo e eu também gostava dele, mas para mim estava claro que não iríamos a lugar algum com ele. Ao mesmo tempo Hill era nossa principal moeda de troca. Ou seja, sem trocar George Hill jamais teríamos chance de fazer um negócio grande com outra equipe. Envolvendo Hill foi possível fazer uma mudança considerável no elenco, mudança essa que vem dando resultado.

  3. Gosto do Hill, mas o Leonard eh um jogador muito mais completo. Como voce mesmo disse, ele pode suprir determinadas areas que o Hill ja nao pode. Pra mim, foi um troca que o Spurs saiu ganhando.

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