O pequeno gigante

Blair e suas cestas inexplicáveis

DeJuan Blair é um dos jogadores mais criticados pelos torcedores brasileiros do San Antonio Spurs. Ele tem defeitos que ainda precisam ser corrigidos (defense! defense! defense!), claro, mas trata-se de um atleta muito eficiente. Entendo que o desejo de ver Tiago Splitter como titular e jogando 35 minutos por noite é grande, porém temos que valorizar esse pequeno gigante.

Blair chegou a San Antonio meio desacreditado. Ele foi bem no basquete universitário, mas se machucou antes de chegar à NBA e acabou ficando para a segunda rodada do draft. Junte a isso o fato dele ser baixo para jogar como pivô (apenas 2,01m) e pronto, temos um “jogador problema”.

O camisa 45 logo tratou de calar os críticos em sua primeira temporada. Lembro-me até hoje de um jogo de 2o pontos e 20 rebotes contra o Oklahoma City Thunder, em Oklahoma. Foi algo impressionante. Blair fez naquela oportunidade o que faz de melhor – usar sua força para marcar pontos debaixo da cesta.

Veio a segunda temporada e esperava-se muito do pivô. Seu rendimento, no entanto, caiu consideravelmente. Numericamente ele foi melhor no segundo ano (8,3 pontos, contra 7,8 no primeiro), mas evoluiu muito pouco e perdeu espaço. Blair havia começado a temporada 2010/2011 como titular, mas perdeu o posto para Antonio McDyess e tempo de quadra para Tiago Splitter.

Nas férias, DeJuan prometeu se cuidar – e de fato parece ter cumprido a promessa. Ao voltar do locaute e depois de atuar por algum tempo no basquete russo, o camisa 45 está visivelmente mais magro. Ainda continua truculento e extremamente forte, mas perdeu peso e parece bem mais ágil do que no último ano.

Ontem, contra o Los Angeles Clippers, Blair lembrou aquele jogador dos vinte e poucos pontos e vinte e poucos rebotes contra o Thunder. Foram 20 pontos cravados e seis ressaltos. O que me impressionou, no entanto, foi a maneira como ele dominou Blake Griffin e DeAndre Jordan ofensivamente.

Griffin (2,08m) e Jordan (2,11m) podem ser considerados gigantes ao lado de Blair, mas ficaram pequenos quando tentaram marcar o pivô do Spurs. “Apenas tentei ler o jogo deles”, explicou DeJuan ao final do embate. “Eles têm um físico forte e pulam muito. Eu posso pular um pouco também, mas o que importa é saber ler o jogo. Sou pequeno e tenho que encontrar meios de lidar com jogadores mais altos”, completou.

Se depender de seus “professores”, Blair pode ficar tranquilo mesmo sendo “baixinho”. “Assisto muitos vídeos do Karl Malone e do Charles Barkley e tento fazer o que eles faziam”, confessou. Seu outro mentor, o ala-pivô Tim Duncan é só elogios ao “pupilo”. “Ele faz cestas que ninguém acredita e continua atacando, sendo agressivo. Ele sabe o que fazer”, disse Timmy.

Pelo que podemos observar, Blair está muito bem assessorado. E se ele jogar metade do que jogaram seus “mestres” teremos um grande pivô para muitos anos. Abaixo, veja o vídeo que eu citei dos 28 pontos e 21 rebotes contra o Oklahoma City Thunder.

Sobre Bruno Pongas

Acompanha o San Antonio Spurs desde 1998, já escreveu para o Spurs Brasil de 2008 a 2012, criou o Destino Riverwalk e agora volta à velha casa para dar seus pitacos sobre o San Antonio Spurs.

Publicado em 29/12/2011, em Na linha dos 3 e marcado como , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. O maior problema do Blair além da defesa é sumir nos playoffs. Em ambos os anos, jogou muito mal; foi displicente na marcação e errou bandejas fáceis.

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