Arquivo diário: 24/12/2011

Duncan preocupado com a temporada desgastante

(Photo by Ronald Martinez/Getty Images)

66 jogos em 121 dias e 17 back-to-back games (jogos em dias seguidos). Essa será a rotina do San Antonio Spurs ao longo da temporada 2011/2012 da NBA. Para quem tem um elenco com estrelas envelhecidas, como é caso do San Antonio Spurs, essa maratona é mais do que preocupante.

Com 36 anos e prestes a se aposentar, Tim Duncan está de olho no calendário puxado e alerta para a importância do banco de reservas neste momento. “Vamos ter que descobrir quem poderá nos ajudar, porque o número de jogos é muito grande e a profundidade do elenco certamente fará a diferença”, opinou o veterano.

Mas como saber quem poderá contribuir com a equipe da maneira que todos esperam? “Teremos que descobrir quem será capaz de contribuir conosco e para isso vamos testar um monte de gente”, disse. “De qualquer maneira, teremos que deixá-los jogar e ver quem está pronto para ajudar”, completou o camisa 21.

O pivô DeJuan Blair, por outro lado, está bem mais confiante que o companheiro e fala em descansar Duncan para os playoffs. “Teremos 66 jogos em 121 dias – isso é pesado”, afirmou Blair. “Prefiro descansá-lo até os playoffs, só precisamos chegar lá primeiro. Ninguém quer que ele se machuque. Estou o salvando”, pontuou.

O San Antonio Spurs faz sua estreia na temporada regular na segunda-feira, às 23h30 (horário de Brasília), contra o Memphis Grizzlies.

Anúncios

O futuro é agora

Nos últimos anos, usei por várias vezes esse espaço para alertar sobre a idade avançada do elenco do San Antonio Spurs. Os astros da franquia – principalmente Tim Duncan e Manu Ginobili – já estão em fim de carreira e essa temporada pode ser a última chance dos dois, juntos, conquistarem o quinto título da equipe. Mas desde que os dois começaram a atuar juntos, nunca o elenco texano teve tantas perspectivas de futuro quanto agora.

O futuro

O plantel está cheio de jovens jogadores que aparentam ter potencial para, no mínimo, se tornarem peças sólidas no plantel Spurs em um futuro próximo. São os casos de Cory Joseph, Gary Neal, James Anderson, Kawhi Leonard, DeJuan Blair e Tiago Splitter. Vejo até mesmo talento suficiente em Danny Green para que ele garanta um lugar relevate no elenco. E o mais interessante é que todos eles deverão ter tempo de quadra na próxima temporada para crescerem ao lado de Manu, Duncan e Tony Parker.

O garrafão preocupa, é verdade – principalmente na parte defensiva. Mas, com a aposentadoria de Antonio McDyess, Blair e Splitter deverão ganhar bastante tempo de quadra para começarem a desenhar a dupla de garrafão titular do futuro da franquia. Não podemos esquecer que, na Europa, a franquia texana tem os direitos de Erazem Lorbek, que poderá chegar na próxima temporada para ajudar na transição entre as gerações, e de Ryan Richards, que demonstra potencial em seus primeiros passos como profissional.

Nas alas, o futuro está mais encaminhado do que em qualquer outra posição. Neal, com seus arremessos precisos e seu sangue frio na hora de decidir, já tem lugar cativo na rotação. Anderson, machucado na última temporada, também confia nos tiros de três pontos, mas é mais atlético e defende melhor do que o companheiro. E, por falar em defesa, Leonard foi a principal aposta do Spurs no último Draft – se tudo der certo, se tornará o marcador de perímetro que faltou na última temporada. Green corre por fora e também se candidata a essa função. E, olhando para o velho continente, Adam Hanga e Davis Bertans subiram de nível e aguardam uma chance.

Na armação, a franquia deu um passo atrás, é verdade. George Hill era jovem, mas já demonstrava maturidade o bastante para assumir a liderança de perímetro do Spurs depois das saídas de Parker e Ginobili. Para seu lugar, chegou Joseph, que, assim como o antecessor, aposta na versatilidade – pode atuar nas posições 1 e 2 – e na defesa para assegurar seu lugar. Como o canadense ainda é jovem e imaturo, a equipe contratou T.J. Ford para ajudar em seu desenvolvimento e segurar a onda em jogos mais importantes. E o time de San Antonio ainda tem a opção de trazer, também da Europa, o francês Nando De Colo para exercer essa função.

Geralmente, reconstruir uma franquia é algo que leva tempo e que tira uma equipe dos playoffs por muitas temporadas. Basta ver o quanto o Oklahoma City Thunder demorou para construir um time relevante. Mas, graças ao sucesso no Draft, o Spurs conseguiu fazer isso sem deixar de brigar no topo – o Detroit Pistons, adversário dos texanos nas finais de 2005, por exemplo, ainda não conseguiu algo parecido.

O atual elenco do Spurs talvez seja insuficiente para que a equipe brigue pelo título em 2012. Mas dá mostras de que a equipe texana ao menos continuará indo para os playoffs nas próximas temporadas.