Uma offseason como qualquer outra

Começa hoje mais uma pré-temporada para o San Antonio Spurs. Os torcedores do time texano têm a esperança de que ele se recupere após a eliminação precoce nos últimos playoffs, diante do Memphis Grizzlies. Para isso, muitos esperavam contratações de peso, principalmente para a ala e para o garrafão. Mas, por enquanto, os únicos reforços foram o armador T.J. Ford e o ala-pivô Steve Novak, que renovou com a equipe – além, é claro, dos novatos Cory Joseph e Kawhi Leonard. Pouco pra brigar pelo título? Talvez. Mas com certeza uma offseason com a cara da franquia.

"FALA MUITO", diz Pop sobre os possíveis reforços

Claro que os torcedores tinham o direito de sonhar com uma grande contratação – e eu me incluí nessa lista. Ainda mais com nomes interessantíssimos disponíveis, como Caron Butler, Grant Hill, Shane Battier, Tayshaun Prince, David West, Nenê e Tyson Chandler, todos com caractesíticas que ajudariam a resolver as principais carências do Spurs. Mas, se pensarmos bem, contratar agentes livres caros não faz parte da filosofia da franquia na hora de montar o elenco.

O ponto forte da montagem do atual plantel texano está no Draft. Foi de lá que vieram os três principais nomes do Spurs: Tim Duncan, Tony Parker e Manu Ginobili, em ordem de chegada. Além disso, a franquia recrutou DeJuan Blair – candidato a virar titular com a aposentadoria de Antonio McDyessJames Anderson e Tiago Splitter – que podem ganhar espaço em sua segunda temporada na NBA. Isso sem falar, claro, em Joseph e Leonard, novidades do Draft deste ano.

O sucesso de Parker e Ginobili na franquia mostra outra característica recente do Spurs: a aposta em estrangeiros. Por se tratar de um mercado pequeno, San Antonio não é atrativa para os americanos, que preferem grandes centros como Los Angeles, Nova York e Miami. Por isso, a presença de gringos no elenco foi constante nos últimos anos: de cabeça, me lembro de Beno Udrih, Ime Udoka e Fabricio Oberto, além dos brasileiros Alex Garcia e, obviamente, Splitter. Isso sem falar em Nando de Colo, Adam Hanga, Davis Bertans, Erazem Lorbek e Ryan Richards, que têm os direitos ligados ao Spurs e são possíveis reforços para as próximas temporadas.

Com a base toda montada no Draft, as contratações de free agents costumam ser mais discretas. A franquia costuma adquirir apenas role players, jogadores que já chegam cientes de suas funções no elenco. São os casos de Gary Neal, Danny Green e Matt Bonner, além, é claro, do novo armador reserva Ford.

Nesta offseason, acho até que o Spurs pensou em fazer uma grande movimentação. Acredito seriamente que a franquia texana pensou em dispensar Richard Jefferson – único jogador do elenco obtido por meio de uma grande transação – e contratar Caron Butler para seu lugar. Mas, como o ala preferiu assinar com o Los Angeles Clippers, os texanos preferiram manter o camisa 24, que, apesar das dificuldades em se adaptar ao esquema de Gregg Popovich, já está adaptado à cidade, ao elenco e conta com a confiança do técnico, que afirmou que o jogador está melhorando.

Como consolo, a importância de Jefferson deve diminuir nessa temporada. A manutenção de Green, a melhora física de Anderson e a chegada de Leonard devem diminuir seus minutos. E, por incrível que pareça, isso pode ser bom para o camisa 24, que, com menos tempo de quadra, poderá concentrar sua energia na defesa, fundamento que precisa melhorar para se encaixar no esquema do Spurs.

Muitos sonhos para os torcedores, pouca movimentação dos dirigentes. Mais uma offseason com a cara do Spurs. Vamos esperar para ver se a evolução de Anderson, Green, Blair e Splitter e as chegadas de Ford, Joseph e Leonard serão suficientes para que a equipe volte a brigar pelo título.

Sobre Lucas Pastore

Um dos fundadores do Spurs Brasil. Formado em Jornalismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie em 2010, é editor assistente do UOL Esporte. Cobriu o basquete olímpico na Olimpíada de 2016 pelo LANCE!. Trabalhou também para Basketeria e mob36.

Publicado em 17/12/2011, em Na linha dos 3. Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. “O ponto fraco da montagem do atual plantel texano está no Draft. Foi de lá que vieram os três principais nomes do Spurs: Tim Duncan, Tony Parker e Manu Ginobili, em ordem de chegada.”

    po brother, acho que no início desse período o que vc quis dizer foi: o ponto FORTE da montagem..

    bom texto, torço pro lakers, mas costumo passar por aqui (e pelo blog do kings) pela qualidade das postagens!

    abraço

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