Arquivo diário: 10/09/2011

Fazer história sim, mas ainda falta muita coisa!

Hoje pode ser o dia em que a Seleção Brasileira masculina de basquete fará história. Às 19h (de Brasília), em Mar del Plata (ARG), a equipe precisa ganhar da República Dominicana para garantir vaga para os Jogos de Londres-2012. O time não se classifica para uma Olimpíada desde Atlanta-1996. Desde então, essa é, talvez, a melhor oportunidade para que isso aconteça. É verdade que os dominicanos foram os únicos que derrotaram os brasileiros na Copa América, mas em uma fase em que o Brasil não tinha se acertado. Hoje, a Seleção é favorita. Mas se engana quem pensa que a vaga significa a salvação para o basquete nacional.

"Faça sua festa, torcedor brasileiro" (BUENO, Galvão)

Em Mar del Plata, o Brasil pode fazer história, de fato. Mas a salvação do basquete brasileiro ainda caminha a passos curtos. Hoje, podemos dizer que temos algumas boas notícias. Rubén Magnano, talvez um dos melhores técnicos do mundo, topou treinar uma seleção mediana. O treinador “encontrou” na Espanha alguns jogadores que não vinham sendo convocados, como o pivô Rafael Hettsheimer, destaque da vitória sobre a Argentina, o jovem ala-pivô Augusto Lima, que parece ter um bom futuro pela frente, a também jovem promessa Rafael Luz, armador que chegou a pensar em se naturalizar espanhol, e o também pivô Caio Torres, útil na composição do elenco. Além disso, protagonistas como Marcelinho Huertas e Tiago Splitter estão em fase de crescimento em suas carreiras. Mas isso são apenas boas notícias para a seleção masculina. Boas notícias são bem vindas, mas o basquete nacional é maior do que isso.

O Novo Basquete Brasil me parece que também dá passos no caminho certo. Aproveitando-se da forte economia brasileira em relação aos seus vizinhos, os times do campeonato conseguem contratar cada vez mais talentos latino-americanos, que se juntam a jogadores deSeleção Brasileira, como Alex, Marquinhos e Guilherme Giovannoni, todos titulares. O nível técnico é cada vez maior, mas gostaria de ver também uma mudança na filosofia. Acredito que a maioria dos times nacionais adote um estilo ultrapassado, que contrasta com aquele imposto por Magnano na equipe brasileira. Por isso, acredito que é necessário uma mudança neste sentido – a curto prazo, alguns estão apostando na contratação de treinadores estrangeiros, mas o correto seria que os técnicos passassem por uma renovação e que novos nomes surgissem no cenário nacional.

Por falar em renovação, não podemos esquecer das categorias de base. É bem verdade que a seleção sub-19, que tinha como protagonistas Raulzinho e Lucas Bebê, mobilizou o país durante o Mundial da categoria de maneira que eu nunca vi uma equipe de base de um esporte qualquer que não fosse o futebol fazer. Boa notícia, é claro. Mas precisamos nos assegurar de que esses jovens continuarão se desenvolvendo. Aonde vão jogar agora? O que fazer para que possam ser aproveitados na seleção principal?

E, claro, não podemos esquecer do basquete feminino. A Confederação Brasileira de Basquete (CBB) se escondia atrás dos resultados que Janeth e companhia alcançavam na era Grego, o que amenizava um pouco o fracasso no masculino. Não podemos deixar que isso se repita agora, mas de maneira inversa. Não podemos esquecer que as meninas do nosso basquete se preparam para o Pré-olímpico com uma equipe velha, com um técnico sem experiência entre as mulheres. Não podemos esquecer que as meninas do nosso basquete ainda não têm uma competição nacional de bom nível para disputarem.

Uma vitória do Brasil hoje será, sem dúvidas, motivo de muita festa. Mas não podemos deixar que o basquete nacional se esconda atrás deste resultado.