Arquivo diário: 03/09/2011

Possíveis reforços para a próxima temporada

Naturalmente, os torcedores do San Antonio Spurs que, nesta offseason, dividem sua atenção entre a Copa América e o Eurobasket prestam atenção especificamente em três jogadores: Tony Parker, Manu Ginobili e Tiago Splitter, respectivamente protagonistas de França, Argentina e Brasil. Mas a franquia texana ainda detém os direitos sobre seis jogadores que estão em ação nesse mês, todos eles prospectos. Fica então a pergunta: quais deles estão prontos para reforçarem a equipe de imediato? Por isso, uso o espaço de hoje para fazer uma pequena análise do desempenho deles nas competições internacionais até aqui.

Joseph é uma grata surpresa. Spurs pode ter acertado de novo

Dos seis, claro, aquele que merece maior atenção é Cory Joseph. O armador, 29ª escolha do último Draft, é figura praticamente certa para a próxima temporada do Spurs – já foi até apresentado pela equipe texana. Quando selecionado, sua ficha de prospecto dizia que ele poderia atuar nas posições 1 e 2. Confesso que isso sempre me deixa com um pé atrás, já que me dá a impressão de um jogador arremessador, mas, que por ser baixo demais, acaba quebrando um galho como armador. Não é o caso de Joseph, que tem comandado o ataque do Canadá com naturalidade nesta Copa América. Em quatro jogos – todos como titular -, ele apresenta médias de 5,5 pontos (44,4% FG, 40% 3 PT, 50% FT), 2,7 rebotes, 2,2 assistências e uma roubada de bola em 21,5 minutos por exibição.

Na defesa, o atleta parece dominar bem os fundamentos, tanto na defesa homem-a-homem, mostrando bom jogo de pernas, quando na de cobertura, interceptando e roubando várias bolas. No entanto, Joseph teve um pouco de dificuldades quando encarou armadores de alto nível, como Marcelinho Huertas e Greivis Vásquez. Mas vale lembrar que o canadese está tendo seu primeiro contato com o esporte profissional, já que atuava no basquete universitário dos Estados Unidos até a última temporada. Falta para ele um pouco de maturidade – nada mais natural para um novato.

Dos prospectos que atuam na Europa, Nando De Colo é um dos que me parece bem próximo de seu nível de maturidade ideal. Com a saída de George Hill, poderia ser um bom reforço para a próxima temporada, dividindo com Joseph os minutos na reserva de Tony Parker, seu companheiro de seleção. Até aqui, o francês de 24 anos jogou três partidas, e tem médias de três pontos (50% FG, 33,3% 3 PT, 100% FT) e um rebote em 13,3 minutos por exibição. Números que considero decepcionantes. Até aqui, De Colo tem uma trajetória praticamente oposta à de Joseph na offseason.

Enquanto o canadense começou a preparação como reserva e ganhou o posto de titular, o contrário aconteceu com De Colo, que jogou os primeiros amistosos da França no quinteto inicial, mas perdeu o posto para Mickael Gelabale. Além disso, o francês vem atuando muito mais na posição dois – função que, no Spurs, dificilmente conseguiria exercer, já que a equipe conta hoje com Ginobili, Gary Neal e James Anderson para a função. Mas o Eurobasket está só começando, e o combo guard ainda tem tempo para se recuperar.

Ao lado de De Colo, outro que me parece pronto para jogar na NBA é Erazem Lorbek. O ala-pivô de 27 anos foi um dos destaques da Eslovênia nas três primeiras partidas da equipe, apresentando médias de 14 pontos (44,1% FG, 45,5% 3 PT, 58,3% FT), seis rebotes e 1,3 assistências em 27,3 minutos por jogo. Vale lembrar que o garrafão é uma das deficiências do elenco do Spurs, mas, por enquanto, o esloveno ainda é um projeto, a mínimo, de longo prazo. O General Manager R.C. Buford chegou a demonstrar interesse em contar com Lorbek, mas o big man renovou por uma temporada com o Barcelona.

O interesse que o Spurs tem em Lorbek parece não se repetir em relação a Viktor Sanikizde. Uma pena, pois o atleta da Georgia, de 25 anos, me parece bom jogador. Nos três primeiros jogos de sua equipe, o jogador apresentou médias de 11 pontos (56% FG, 42,9% 3 PT, 33,3% FT), 7,3 rebotes e 1,3 assistências em 31,3 minutos por exibição. Sanikidze é especialista em defesa, rebotes e pontes aéreas – por conta das duas últimas características, ganhou o apelido de Air Georgia. Além disso, pode atuar tanto como ala quanto como ala pivô. Essas virtudes me fazem crer que ele cairia bem no elenco do Spurs.

Outro que, assim como Sanikidze, está esquecido na Europa é Robertas Javtokas. Com 31 anos de idade, é difícil pensar que o lituano ainda tenha interesse em se mudar para a NBA – e que o Spurs ainda tenha interesse em um dia trazê-lo. O pivô, especialista em defesa, é o capitão da Lituânia, admirado por sua liderança, mas sua importância na quadra tem sido cada vez menor. Nesta edição do Eurobasket, suas médias são de apenas três pontos (28,6% FG, 25% FT) e 5,3 rebotes em 18 minutos por exibição.

Por fim, vale a pena citarmos Davis Bertans. O ala é uma das principais apostas para o futuro do Spurs e, com apenas 18 anos, já faz parte da seleção principai da Letônia, o que é uma boa notícia para os torcedores da franquia texana. O jogador foi draftado por seu potencial nos arremessos de três pontos. Porém, assim como aconteceu no Mundial Sub-19, sua participação no Eurobasket ainda é pouco sólida. Em três partidas, teve médias de 5,3 pontos (35,7% FG, 12,5% 3 PT, 71,4% FT) e dois rebotes em 10,3 minutos por jogo. Mas ainda é cedo para tirarmos qualquer tipo de conclusão sobre ele.

Manu e Tony carregam seus times para a vitória


A sexta-feira (2) foi boa para dois astros do San Antonio Spurs, Manu Ginobili e Tony Parker. Ambos enfrentaram seleções com jogadores do rival texano e atual campeão da NBA, o Dallas Mavericks, e venceram. O primeiro a entrar em quadra foi o francês, que mediu forças com a Alemanha, do MVP Dirk Novitzki, no Eurobasket 2011.

Em uma tarde muito inspirada, Tony fez um jogo excepcional, marcando 32 dos 76 pontos anotados pela seleção francesa na vitória. Além de pontuar duas vezes da linha três pontos, o armador francês distribuiu seis assistências e roubou duas bolas. Diante de uma apresentação incrível como a de Parker, os 20 pontos e seis rebotes de Dirk passaram despercebidos. Placar final 76 a 65.

Já no caso da Argentina, foi um pouco diferente. Jogando em casa, com a torcida em euforia e o time completo, os argentinos suaram um pouco para vencer Porto Rico na Copa América. Um dos momentos mais marcantes do jogo foi quando o pivô Fabricio Oberto entrou em quadra e foi completamente ovacionado pelos presentes. O jogador, que já teve passagem pelo Spurs, anunciou sua aposentadoria por problemas cardíacos no fim do ano passado, mas voltou este ano com a liberação dos médicos.

Assumindo o posto de líder em quadra e astro do time, Manu partiu para o ataque e ao fim do primeiro tempo já contabilizava 12 pontos. Apesar da boa atuação do ala-armador do San Antonio Spurs, quem foi para os vestiários na frente foi Porto Rico, seleção de Juan José Barea, do Mavericks. No terceiro quarto, o time argentino se acertou e, com o apoio do torcedor, virou o jogo e abriu 12 pontos no placar. No último período, a Argentina apenas segurou o placar e garantiu os 100% na competição, com três vitórias. Placar final, 81 a 74. O cestinha da partida foi o portorriquenho Carlos Arroyo, com 24 pontos, seguido por Manu Ginobili, com 23, além de três assistências e dois rebotes.

Ginobili foi o cestinha da Argentina| Foto: AP

Quem também entrou em quadra na Copa América ontem foi o Brasil. Mas, diferente dos outros citados, não venceu. Apesar de mais uma boa apresentação do pivô Tiago Splitter, que conseguiu outro duplo-duplo, a Seleção Brasileira foi derrotada pela República Dominicana. Em uma noite de muitos erros e perdas de bola, o Brasil caiu diante dos dominicanos e seu garrafão poderoso.

O armador brasileiro Marcelo Huertas chegou a cometer dez turnovers, o que prejudicou muito sua atuação, apesar dos 16 pontos marcados. O dominicano Al Horford foi o cestinha da partida, com 22 pontos. Do lado brasileiro, Marquinhos fez 18 pontos, e Tiago Splitter conseguiu um duplo-duplo com 16 pontos e dez rebotes. O placar final 79 a 74.