Arquivo diário: 06/08/2011

Reconstruindo o Spurs – Ala

Continua hoje a série Reconstruindo o Spurs, especial de colunas Na Linha dos 3 que faço sobre possíveis movimentações do San Antonio Spurs nesta offseason. Depois de falarmos sobre os armadores e ala-armadores na primeira parte, hoje chegou a vez de debatermos uma das principais fraquezas do elenco texano: a ala.

O titular da função, Richard Jefferson, não conseguiu render o esperado em San Antonio e é uma decepção para dez em cada dez torcedores da equipe local. Por isso, a posição deve ser uma prioridade para as contratações da equipe na offseason. O Spurs já começou a movimentar-se neste sentido: gastou duas de suas quatro escolhas de Draft em alas e apostou na contratação de jovens jogadores no fim da última temporada. Além disso, um rico mercado de Free Agents pode revelar opções interessantes, assim como um jogador “esquecido” na Europa. Vamos, então, analisar as possibilidades do time:

Leonard = esperança

1) O elenco

Começaremos falando sobre os jogadores que terminaram a temporada com o time texano. Além de Jefferson, dois jovens altetas brigam por uma vaga no plantel.

Richard Jefferson – Ainda acho que o #24 é um bom jogador. No mínimo, um jogador útil. A questão é que Jefferson não se encaixou no rígido esquema tático de Gregg Popovich, que exige um ala com boa defesa e com um arremesso preciso de longa distância – características ausentes no jogo do atleta. Por isso, o Spurs tentou trocá-lo antes do Draft, mas o contrato longo e caro de Jefferson – vai até o fim da temporada 2013/2014, quando o ala poderá ganhar US$ 11 milhões – certamente atrapalhou as negociações. Para a próxima temporada, o papel do jogador me parece incerto, já que sua concorrência é cada vez maior e a confiança nele é cada vez menor.

Danny Green – Depois de uma primeira passagem discreta pelo Spurs no começo da última temporada, Green, de 24 anos foi recontratado e ficou no elenco texano até a eliminação nos playoffs. Especialista em defesa, o ala tem as características necessárias para, ao menos, ser útil no esquema tático de Pop. Já tem contrato garantido até a metade do ano que vem e, desde a pré-temporada, será um dos muitos jovens jogadores do elenco brigando por minutos na rotação.

Da’Sean Butler – A principal incógnita do elenco do Spurs, Butler foi selecionado pelo Miami Heat na 42ª escolha do Draft de 2010,  mas em seguida dispensado. O jogador não atuou durante toda a última temporada, já que ficou afastado das quadras se recuperando de uma contusão no joelho esquerdo. Por isso, temos como referência de seu jogo apenas sua carreira universitária, que foi ótima: recordista de vitórias da West Virginia Mountaineers, Butler disputou 38 partidas em sua última temporada, alcançando médias de 17,2 pontos (41,4% FG, 35,4% 3 PT, 78,9% FT), 6,2 rebotes, 3,1 assistências e uma roubada de bola em 35,8 minutos por jogo. De todo o elenco texano, é o atleta que considero mais prejudicado pelo cancelamento das Summer Leagues.

2) O Draft

Foi nesta posição que o Spurs depositou a maioria de suas fichas no último recrutamento de calouros. Das quatro escolhas que a equipe texana tinha, uma foi usada em um jogador que pode causar impacto imediato no elenco, e a outra em uma aposta para o futuro. Vamos à análise dos prospectos:

Kawhi Leonard – Selecionado pelo Indiana Pacers na 15ª escolha do último Draft, Leonard foi enviado para o Spurs em troca de George Hill. O ala, que pode até quebrar um galho como ala-pivô, tem na defesa e na envergadura seus pontos fortes, e é um excelente reboteiro. Na última temporada, sua segunda no basquete universitário, o jogador, atuando pela San Diego State University, apresentou médias de 15,5 pontos e 10,6 rebotes por exibição. Especialistas em Draft compararam seu estilo ao de Shawn Marion, Gerald Wallace e Luc Richard Mbah a Moute. Apesar de jovem, parece pronto para assumir uma fatia relevante de minutos na rotação do time de San Antonio.

Davis Bertans – Com apenas 18 anos, Bertans é uma aposta para o futuro do Spurs. O jogador foi selecionado, principalmente, por sua precisão nos arremessos de três pontos. O ala vai atuar pelo Union Olimpila Ljubljana, da Eslovênia, e recentemente apareceu internacionalmente ao ser o protagonista da seleção da Letônia que disputou o Mundial Sub-19 em casa – em oito jogos pela equipe nacional, o atleta, que atuou improvisado no garrafão, apresentou médias de 15,2 pontos (36,7% FG, 26,7% 3 PT, 75% FT) e 6,4 rebotes em 31,1 minutos por exibição. Quem quiser saber mais sobre Bertans, pode ler a excelente entrevista que o letão concedeu para nosso blogueiro Glauber da Rocha.

3) Na Europa

O Spurs ainda detém os direitos de um ala de 25 anos que a equipe texana adquiriu no Draft de 2004. Conheça um pouco mais sobre o jogador a seguir:

Viktor Sanikidze – Selecionado pelo Atlanta Hawks na 42ª escolha do Draft de 2004, Sanikidze foi logo em seguida trocado para o Spurs. Desde então, o georgiano passou por França, Espanha e Estônia até chegar ao Virtus Bologna, clube italiano em que disputou a última temporada. No campeonato local, entrou em quadra em 26 oportunidades, alcançando médias de 7,7 pontos (52,7% FG, 36,2% 3 PT, 72,6% FT) e 6,8 rebotes em 22,1 minutos por exibição. Pode quebrar um galho como ala-pivô e é conhecido na Europa por sua boa defesa – por isso, poderia até cavar uma vaguinha para compor o elenco do Spurs.

4) No Mercado

A lista de alas que ficaram livres nesta offseason é, na minha opinião, a mais rica de todas as posições. Isso me faz sonhar – será que o Spurs não conseguiria atrair um reforço de peso com a MLE? Vamos, então, às opções mais interessantes:

Andrei Kirilenko – Sim, eu sei, AK47 ganhou uma fortuna no ano passado, e aceitar a MLE seria topar uma drástica redução no seu salário. Mas a verdade é que o russo acabou a última temporada desvalorizado, e pode reencontrar seu basquete no Spurs – franquia que tem histórico de sucesso para jogadores estrangeiros. Em troca, o ala poderia oferecer sua boa defesa e sua versatilidade, já que pode atuar também como ala-pivô.

Anthony Parker – É bem verdade que Parker é muito mais um ala-armador do que um ala. Mas o jogador tem as carcterísticas certas para atuar na posição 3 no esquema de Pop: defesa decente e um ótimo arremesso dos três pontos. Além disso, não é um atleta badalado e nem caro, o que o torna um alvo acessível.

Grant Hill – Que me desculpem os torcedores do Phoenix Suns, mas Hill é a cara do Spurs: bom defensor, bom arremessador, experiente e bom-moço. Tudo o que Gregg Popovich procura para a ala. Sei que o jogador já declarou que tem vontade de permanecer no Arizona, mas não o considero um alvo inacessível. Primeiro porque o Suns ainda não deixou clara sua vontade de contar com o atleta, segundo porque o próprio ala pode se sentir tentado se receber uma proposta de um time mais forte.

Shane Battier – Outro jogador que é a cara do Spurs. Parte do elenco do Memphis Grizzlies que eliminou a equipe texana nos últimos playoffs, Battier é especialista na defesa, tem um arremesso de três confiável, é experiente e está longe de ser um jogador-problema. Cairia como uma luva no time de Popovich.

Tayshaun Price – Sei que talvez seja sonhar demais – será que Prince aceitaria receber a MLE? Será que propostas mais tentadoras não vão aparecer? Mas a verdade é que, com a contratação do “Mr. D”, o Spurs subiria o nível de seu quinteto titular e, quem sabe, poderia brigar pelo título. Isso basta para convencer o ala?

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