Reconstruindo o Spurs – O perímetro

Amigos, excepcionalmente nesta semana, minha coluna Na Linha dos 3, que costuma ir ao ar aos sábados, foi publicada nesta sexta-feira (29). Isso porque, no fim de semana, teremos dobradinha de San Antonio Silver Stars aqui no Spurs Brasil: a nossa blogueira Roberta Rodrigues vai publicar sua excelente coluna Vestiário Feminino no sábado e no domingo.

Por isso, resolvi retomar uma ideia que deu certo na última offseason. Começa hoje uma série de colunas especiais chamada Reconstruindo o Spurs. Nela, vou dissecar o elenco do Spurs em três partes: “O perímetro”, para falar de armadores e alas-armadores; “Posição 3”, para falar dos alas; e “O garrafão”, para falar de alas-pivôs e pivôs.

Cada post terá quatro partes: “O elenco”, para falar sobre a situação dos jogadores que terminaram a última temporada no plantel do Spurs; “O Draft”, para falar sobre como o recrutamento pode ter ajudado a franquia; “Na Europa”, para analisar possíveis reforços que atuam no Velho Continete; e “No Mercado”, para falar sobre possíveis contratações de free agents para a equipe de San Antonio.

Vamos então à primeira parte, “O perímetro”.

Importância cada vez maior

1) O elenco

Vamos então, a seguir, ver a situação de armadores e ala-armadores que terminaram a última temporada com o Spurs, por ordem de importância:

Manu Ginobili – Indiscutível, o ala-armador já deu a entender que quer continuar no Spurs até o fim de sua carreira – tudo indica que isso aconteça ao fim da temporada 2012/2013, sua última de contrato com a equipe texana. Na última campanha da equipe, o argentino voltou ao posto de titular, função que deve ter novamente quando a NBA voltar.

Tony Parker – O armador francês chegou a se envolver em rumores de troca na semana que antecedeu o Draft. Porém, deve começar a temporada como titular absoluto da equipe – principalmente após a saída de George Hill. Até por isso, Parker pode ter sua maior quantidade de minutos da carreira na próxima campanha do Spurs.

Gary Neal – O ala-armador foi a principal surpresa positiva da última temporada. Preciso nos arremessos de longa distância, o jogador foi, aos poucos, ganhando minutos na reserva de Ginobili e até na de Richard Jefferson, e não decepcionou – nos playoffs, acertou, provavelmente, a bola mais importante do Spurs neste ano. Agora, quando a NBA voltar, Neal deve receber uma nova função – com a saída de Hill, Gregg Popovich já demonstrou interesse em usar o segundanista como armador principal.

James Anderson – Na última temporada, Anderson foi atrapalhado por lesões, e jogou apenas 26 das 82 partidas do Spurs no ano. Enquanto o novato estava no estaleiro, viu Neal ganhar espaço nos minutos que poderiam ser seus. Agora, o ala-armador terá de lutar para recuperar terreno – é, no elenco, um dos mais prejudicados pelo cancelamento das Summer Leagues. Na temporada 2010/2011, Anderson foi mais usado na posição 3, mas, com Neal atuando na armação, o jogador deve voltar à sua função de origem.

Chris Quinn – Contratado com a última temporada já em andamento, Quinn é free agent nesta offseason, e tem poucas chances de permanecer no Spurs. Pode acabar ficando apenas por conta da saída de Hill. Enquanto a NBA não volta do locaute, o armador vai atuar no BC Khimki Moscow Region, da Rússia.

2) O Draft

Para a armação, o Spurs selecionou dois armadores no último Draft. Um deve causar impacto imediato, e o outro é uma aposta para o futuro. Vamos à situação da dupla:

Cory Joseph – Com apenas 19 anos, Joseph foi uma das principais apostas do Spurs no último Draft. Na teoria, o armador chega para ser o reserva imediato de Parker. Mas, na prática, vale lembrar que Pop não costuma dar muito tempo de quadra para os novatos – tanto que pretende usar Neal como armador principal. De qualquer maneira, potencial não falta para Joseph, que, na última temporada – sua primeira universitária – disputou 36 jogos pelo Texas Longhorns e apresentou médias de 10,4 pontos (42,2% FG, 41,3% 3 PT, 69,9% FT), 3,6 rebotes, três assistências e uma roubada de bola em 32,4 minutos por jogo.

Adam Hanga – 59ª e penúltima escolha do último Draft, Hanga é provavelmente uma das maiores incógnitas deste recrutamento de calouros. Na última temporada, o ala-armador húngaro disputou 39 jogos pelo Albacomp-UPC Szekesfehervar, equipe de seu país, e apresentou médias de 17,6 pontos, 4,4 rebotes, 3,4 assistências e 2,8 roubos de bola por partida. O jogador, no entanto, deve demorar para vestir a camisa do Spurs – nesta offseason, ele acertou sua transferência para o Assignia Manresa, da Espanha.

3) Na Europa

O Spurs tem os direitos sobre um combo guard francês que, se não chegou à maturidade certa para jogar na NBA, está bem perto disso. Veja sua situação à seguir:

Nando de Colo – Selecionado pelo Spurs na 53ª escolha do Draft de 2009, De Colo atua no Valência, da Espanha, desde então. Na última temporada, disputou 19 partidas na Euroleague, e anotou, em média, 10,1 pontos (33,5% FG, 27,6% 3 PT, 95,7% FT), 2,6 rebotes, 1,6 assistências e 1,4 roubadas de bola por jogo. Nesta offseason, se juntou à seleção francesa para a disputa do Eurobasket, classificatório para a Olimpíada de Londres-2012. Nos dois primeiros amistosos de preparação da seleção, foi titular na armação ao lado de Parker, anotando, em média, 13 pontos (47,6% FG, 25% 3 PT, 80% FT), cinco rebotes, 3,5 roubadas e 2,5 assistências em cerca de 23 minutos por exibição.

4) No Mercado

Com os jogadores acima citados, o Spurs me parece estar em boa situação nas posições 1 e 2. Vale lembrar que a franquia texana já está acima do teto salarial e, salvo qualquer troca, não vai poder gastar muito com reforços. Mesmo assim, existem agentes livres interessantes e acessíveis para a armação disponíveis no mercado. Confira-os a seguir:

Delonte West – Joga nas posições 1 e 2 e defende bem: seria uma boa alternativa para ocupar exatamente o papel de Hill no elenco, enquanto Joseph desenvolve melhor seu jogo. O problema é que West é mentalmente instável e, por isso, pouco confiável.

DeShawn Stevenson – Chegou a ser titular em algumas partidas pelo campeão Dallas Mavericks, mas pode perder espaço para a próxima temporada, já que a equipe contratou Rudy Fernandez e pode manter J.J. Barea e Caron Butler. Especialista em defesa e arremesso de três pontos, Stevenson poderia ganhar uns minutinhos para marcar armadores como Kobe Bryant, Rusell Westbrook e Dwyane Wade.

D.J. Strawberry – Longe da NBA desde a temporada 2007/2008, Strawberry passou pela D-League, pela Itália e pela Lituânia desde então. Segundo especialistas, o Spurs estava interessado em sua contratação antes do locaute.

Earl Boykins – Pouca altura, muito carisma. O baixinho poderia suprir a função de Hill deixada no Spurs, a reserva da armação, deixando o novato Joseph focado em seu desenvolvimento. O problema é que o Spurs ficaria com dois armadores parecidos: Parker e Boykins são mais pontuadores do que passadores.

Sebastian Telfair – O armador chegou a disputar algumas partidas como titular no Minnesota Timberwolves na última temporada – o que, eu sei, não deve dizer muita coisa. Mas, com a chegada de Ricky Rubio, deve perder espaço, e poderia ser uma opção decente para a reserva de Parker quando Pop quiser um jogador mais experiente do que Joseph.

Tracy McGrady – O bom e velho T-Mac – mais velho do que bom, recentemente – se destacou em algumas partidas na última temporada, no Detroit Pistons, como armador principal. Eu aceitaria ele no Spurs, pelo mínimo para veteranos…

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Sobre Lucas Pastore

Um dos fundadores do Spurs Brasil, seu maior orgulho na carreira jornalística. Formado em Jornalismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie em 2010, é redator do UOL. Cobriu o basquete olímpico na Olimpíada de 2016 pelo LANCE!. Trabalhou também para Basketeria e mob36.

Publicado em 29/07/2011, em Na linha dos 3. Adicione o link aos favoritos. 7 Comentários.

  1. Francisco Neto

    Bom tópico Sr Pastoro
    Neal terá de longe o trabalho mais duro. Não só será o backup principal do Manu, como também terá que jogar uns minutos como backup PG. Vamos ver se funciona. Não quero ver a Roger Mason Jr 2. Fico contento porque isso dará mais minutos ao Anderson.
    Realmente opções escassas no mercado de FAs. Dos citados, o que eu mais gosto é o Delonte West. Na série contra o Heat, ele fez um trabalho fantástico no Wade enquanto esteve em quadra. Sem contar que ele não tem medo de arremessar um jump-shot ocasional ou um tiro de 3. Sinceramente eu estou um pouco cansado de mental midgets como Bonner e Jefferson.
    Uma pena o West ser um “thug”. Realmente não encaixa na filisofia do Spurs.

    Só um adendo : O contrato do Manu vai até 2012/2013. Ele tem apenas mais 2 anos de contrato restante, não 3.
    Excelente trabalho como de costume.

    abraço

    • Ops, tem razão Francisco! Já corrigi a informação sobre o contrato do Manu, obrigado.
      Que bom que gostou do post! Nos dois primeiros sábados de agosto, vou terminar a série, falando sobre a ala e o garrafão.
      E quanto ao nome, não esquente que acontece! =]

  2. Francisco Neto

    Me equivoquei com a última letra do seu nome, PastorE ;)

    abraço

  3. T-Mac é um nome que, com certeza, dá uma balançada na emoção… Hahahaha
    FIca aquela lembrança do T-Mac dos velhos tempos destruindo na NBA, mas hj é ele quem tá destruído. O lado racional sabe que ele não é, nem de perto, o que já foi.

    Pelo mínimo de veteranos, poderia até ser um nome válido, afinal categoria não se perde. Porém, tem que ser analisado se ele está ciente do papel que pode ter na NBA agora, de reserva com poucos minutos. Esse tipo de jogador tem ego muito inflado e se não tiver cabeça boa tumultua o grupo.

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