Arquivo diário: 29/07/2011

Reconstruindo o Spurs – O perímetro

Amigos, excepcionalmente nesta semana, minha coluna Na Linha dos 3, que costuma ir ao ar aos sábados, foi publicada nesta sexta-feira (29). Isso porque, no fim de semana, teremos dobradinha de San Antonio Silver Stars aqui no Spurs Brasil: a nossa blogueira Roberta Rodrigues vai publicar sua excelente coluna Vestiário Feminino no sábado e no domingo.

Por isso, resolvi retomar uma ideia que deu certo na última offseason. Começa hoje uma série de colunas especiais chamada Reconstruindo o Spurs. Nela, vou dissecar o elenco do Spurs em três partes: “O perímetro”, para falar de armadores e alas-armadores; “Posição 3”, para falar dos alas; e “O garrafão”, para falar de alas-pivôs e pivôs.

Cada post terá quatro partes: “O elenco”, para falar sobre a situação dos jogadores que terminaram a última temporada no plantel do Spurs; “O Draft”, para falar sobre como o recrutamento pode ter ajudado a franquia; “Na Europa”, para analisar possíveis reforços que atuam no Velho Continete; e “No Mercado”, para falar sobre possíveis contratações de free agents para a equipe de San Antonio.

Vamos então à primeira parte, “O perímetro”.

Importância cada vez maior

1) O elenco

Vamos então, a seguir, ver a situação de armadores e ala-armadores que terminaram a última temporada com o Spurs, por ordem de importância:

Manu Ginobili – Indiscutível, o ala-armador já deu a entender que quer continuar no Spurs até o fim de sua carreira – tudo indica que isso aconteça ao fim da temporada 2012/2013, sua última de contrato com a equipe texana. Na última campanha da equipe, o argentino voltou ao posto de titular, função que deve ter novamente quando a NBA voltar.

Tony Parker – O armador francês chegou a se envolver em rumores de troca na semana que antecedeu o Draft. Porém, deve começar a temporada como titular absoluto da equipe – principalmente após a saída de George Hill. Até por isso, Parker pode ter sua maior quantidade de minutos da carreira na próxima campanha do Spurs.

Gary Neal – O ala-armador foi a principal surpresa positiva da última temporada. Preciso nos arremessos de longa distância, o jogador foi, aos poucos, ganhando minutos na reserva de Ginobili e até na de Richard Jefferson, e não decepcionou – nos playoffs, acertou, provavelmente, a bola mais importante do Spurs neste ano. Agora, quando a NBA voltar, Neal deve receber uma nova função – com a saída de Hill, Gregg Popovich já demonstrou interesse em usar o segundanista como armador principal.

James Anderson – Na última temporada, Anderson foi atrapalhado por lesões, e jogou apenas 26 das 82 partidas do Spurs no ano. Enquanto o novato estava no estaleiro, viu Neal ganhar espaço nos minutos que poderiam ser seus. Agora, o ala-armador terá de lutar para recuperar terreno – é, no elenco, um dos mais prejudicados pelo cancelamento das Summer Leagues. Na temporada 2010/2011, Anderson foi mais usado na posição 3, mas, com Neal atuando na armação, o jogador deve voltar à sua função de origem.

Chris Quinn – Contratado com a última temporada já em andamento, Quinn é free agent nesta offseason, e tem poucas chances de permanecer no Spurs. Pode acabar ficando apenas por conta da saída de Hill. Enquanto a NBA não volta do locaute, o armador vai atuar no BC Khimki Moscow Region, da Rússia.

2) O Draft

Para a armação, o Spurs selecionou dois armadores no último Draft. Um deve causar impacto imediato, e o outro é uma aposta para o futuro. Vamos à situação da dupla:

Cory Joseph – Com apenas 19 anos, Joseph foi uma das principais apostas do Spurs no último Draft. Na teoria, o armador chega para ser o reserva imediato de Parker. Mas, na prática, vale lembrar que Pop não costuma dar muito tempo de quadra para os novatos – tanto que pretende usar Neal como armador principal. De qualquer maneira, potencial não falta para Joseph, que, na última temporada – sua primeira universitária – disputou 36 jogos pelo Texas Longhorns e apresentou médias de 10,4 pontos (42,2% FG, 41,3% 3 PT, 69,9% FT), 3,6 rebotes, três assistências e uma roubada de bola em 32,4 minutos por jogo.

Adam Hanga – 59ª e penúltima escolha do último Draft, Hanga é provavelmente uma das maiores incógnitas deste recrutamento de calouros. Na última temporada, o ala-armador húngaro disputou 39 jogos pelo Albacomp-UPC Szekesfehervar, equipe de seu país, e apresentou médias de 17,6 pontos, 4,4 rebotes, 3,4 assistências e 2,8 roubos de bola por partida. O jogador, no entanto, deve demorar para vestir a camisa do Spurs – nesta offseason, ele acertou sua transferência para o Assignia Manresa, da Espanha.

3) Na Europa

O Spurs tem os direitos sobre um combo guard francês que, se não chegou à maturidade certa para jogar na NBA, está bem perto disso. Veja sua situação à seguir:

Nando de Colo – Selecionado pelo Spurs na 53ª escolha do Draft de 2009, De Colo atua no Valência, da Espanha, desde então. Na última temporada, disputou 19 partidas na Euroleague, e anotou, em média, 10,1 pontos (33,5% FG, 27,6% 3 PT, 95,7% FT), 2,6 rebotes, 1,6 assistências e 1,4 roubadas de bola por jogo. Nesta offseason, se juntou à seleção francesa para a disputa do Eurobasket, classificatório para a Olimpíada de Londres-2012. Nos dois primeiros amistosos de preparação da seleção, foi titular na armação ao lado de Parker, anotando, em média, 13 pontos (47,6% FG, 25% 3 PT, 80% FT), cinco rebotes, 3,5 roubadas e 2,5 assistências em cerca de 23 minutos por exibição.

4) No Mercado

Com os jogadores acima citados, o Spurs me parece estar em boa situação nas posições 1 e 2. Vale lembrar que a franquia texana já está acima do teto salarial e, salvo qualquer troca, não vai poder gastar muito com reforços. Mesmo assim, existem agentes livres interessantes e acessíveis para a armação disponíveis no mercado. Confira-os a seguir:

Delonte West – Joga nas posições 1 e 2 e defende bem: seria uma boa alternativa para ocupar exatamente o papel de Hill no elenco, enquanto Joseph desenvolve melhor seu jogo. O problema é que West é mentalmente instável e, por isso, pouco confiável.

DeShawn Stevenson – Chegou a ser titular em algumas partidas pelo campeão Dallas Mavericks, mas pode perder espaço para a próxima temporada, já que a equipe contratou Rudy Fernandez e pode manter J.J. Barea e Caron Butler. Especialista em defesa e arremesso de três pontos, Stevenson poderia ganhar uns minutinhos para marcar armadores como Kobe Bryant, Rusell Westbrook e Dwyane Wade.

D.J. Strawberry – Longe da NBA desde a temporada 2007/2008, Strawberry passou pela D-League, pela Itália e pela Lituânia desde então. Segundo especialistas, o Spurs estava interessado em sua contratação antes do locaute.

Earl Boykins – Pouca altura, muito carisma. O baixinho poderia suprir a função de Hill deixada no Spurs, a reserva da armação, deixando o novato Joseph focado em seu desenvolvimento. O problema é que o Spurs ficaria com dois armadores parecidos: Parker e Boykins são mais pontuadores do que passadores.

Sebastian Telfair – O armador chegou a disputar algumas partidas como titular no Minnesota Timberwolves na última temporada – o que, eu sei, não deve dizer muita coisa. Mas, com a chegada de Ricky Rubio, deve perder espaço, e poderia ser uma opção decente para a reserva de Parker quando Pop quiser um jogador mais experiente do que Joseph.

Tracy McGrady – O bom e velho T-Mac – mais velho do que bom, recentemente – se destacou em algumas partidas na última temporada, no Detroit Pistons, como armador principal. Eu aceitaria ele no Spurs, pelo mínimo para veteranos…

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