Arquivo diário: 23/07/2011

E aí, o que achou deles?

Se você sair perguntando qual é o ponto fraco do elenco do San Antonio Spurs, 11 entre dez pessoas que acompanham a equipe vão dizer que é a ala e o garrafão. Ou, ao menos, uma dessas respostas. O pior é que são posições importantíssimas no esquema de Gregg Popovich – desde as saídas de Bruce Bowen e David Robinson, Tim Duncan não encontrou parceiros confiáveis na frountcourt. No máximo, um Robert Horry. E, nesses primeiros dias de offseason, pudemos acompanhar de perto duas apostas da franquia para o futuro: Ryan Richards e Davis Bertans.

A montagem está ruim porque eu que fiz

Richards esteve na Divisão B do Europeu Sub-20 com a Grã-Bretanha. O ala-pivô era o principal jogador de sua seleção, e, em sete jogos – contando partidas por posições menores, já que o time do Reino Unido ainda joga na disputa pelo 13º lugar – apresentou médias de 22,3 pontos (46,7% FG, 37,9% 3 PT, 76,3% FT) e 8,1 rebotes em 28,1 minutos por exibição. São números animadores – ainda mais se levarmos em conta que foi o primeiro torneio oficial do big man no ano, já que o atleta ficou afastado por um bom tempo recuperando-se de uma contusão no ombro.

Richards tem 2,13m e poderia ajudar a solucionar um problema do Spurs que ficou evidente na série contra o Memphis Grizzlies – a altura do garrafão. Além disso, o jogador me passou uma boa impressão também por outras qualidades, como sua velocidade, seu jogo de costas para a cesta e seu arremesso de média e longa distância. Mas vamos com calma: este era um torneio amador, e de nível baixo – vale ressaltar, é a segunda divisão do europeu. Richards tem sim potencial – tanto que a franquia texana já tenta trazê-lo para a próxima temporada. Mas ele ainda tem um longo caminho a percorrer antes de ganhar uma fatia relevante de minutos na rotação. Se contratado, seria um dos principais prejudicados pelo cancelamento da Summer League, e poderia até mesmo passar alguns meses no Austin Toros para se adaptar ao basquete americano.

Se a contratação de Richards é questão de tempo – imagino que ele se junte ao elenco do Spurs no máximo durante a temporada 2012/2013 – o casso de Bertans exige ainda mais paciência. O ala, draftado por sua precisão no arremesso de três pontos, parece ter sentido a pressão de ser a estrela do time da casa no Mundial Sub-19. Em oito partidas – novamente, contando as disputas por posições menores – o letão apresentou médias de 15,2 pontos (36,7% FG, 26,7% 3 PT, 75% FT) e 6,4 rebotes em 31,1 minutos por exibição.

A princípio, seu baixo aproveitamento assusta. Mas vale lembrar que Bertans é ainda mais jovem do que Richards – e, proporcionalmente, jogou um campeonato de nível maior. Além disso, tinha a pressão por desempenho que o big man britânico não tinha por ser a estrela do time da casa. E, para piorar, jogou improvisado no garrafão por ser um dos mais altos da equipe nacional. Ou seja: foi difícil basearmos qualquer tipo de conclusão sobre seu jogo por conta deste torneio.

Ainda é cedo para sabermos se Bertans e Richards podem ser, um dia, os jogadores que o Spurs precisa para a posição 3 e para o garrafão, respectivamente. Talento para isso eles têm: precisão nos arremessos, no caso do ala, e altura e facilidade para pegar rebotes, no caso do ala-pivô. Se os olheiros do Spurs acham que sim, quem sou eu para falar que não?

Nos próximos meses, teremos mais jogadores do Spurs em atividade por suas seleções durante a offseason. Velhos conhecidos, como Tony Parker, Manu Ginobili e Tiago Splitter, e novas faces, como Cory Joseph e Adam Hanga. Não perca a cobertura completa no Spurs Brasil!