Arquivo diário: 14/07/2011

Análise dos novos jogadores

Andei meio ausente do blog nos últimos meses por motivos particulares, mas pretendo voltar aos poucos com notícias, colunas e tudo mais (estava no ritmo do locaute, na verdade). Vou aproveitar essa oportunidade para comentar um pouco sobre os novos jogadores do Spurs – os que chegam já na próxima temporada e os que devem vir ao longo dos próximos anos.

Estamos diante do futuro?

Kawhi Leonard

Todos sabiam que o San Antonio Spurs estava disposto a quase tudo para reformular parte de seu elenco. O que quase ninguém esperava, no entanto, era envolver o queridinho George Hill na brincadeira. Queridinho porque Gregg Popovich já falou por mais de uma vez que Hill era seu atleta preferido. Mas caramba, se o cara faz tanta diferença assim, trocá-lo é um bom negócio?

A resposta é sim! Por mais que o Hill seja um cara bacana, dedicado e ótimo defensor, às vezes é preciso fazer pequenos sacrifícios em nome de algo maior. Ninguém gostaria de negociá-lo, essa é a verdade, mas foi um movimento necessário, um legítimo sacrifício.

Vocês devem estar pensando: bom, para se livrar de um baita cara como o Hill, os dirigentes do Spurs devem ter trazido alguém pra lá de promissor. É verdade. Por mais que eu tenha visto o Kawhi Leonard apenas em vídeos, o que mais me impressionou foi o montante de críticas positivas que ele recebeu da mídia especializada norte-americana. Lembro-me de uma matéria (acho que da ESPN) em que nove dos dez comentaristas questionados sobre a troca afirmavam que R.C. Buford e companhia fizeram um bom negócio. Se os caras que realmente acompanham o dia-a-dia do basquete americano aprovaram em massa a transação, quem sou eu para falar o contrário.

Leonard chega ao Spurs para preencher um espaço vazio desde a saída de Bruce Bowen. Coincidentemente, desde que Bowen foi embora, Gregg Popovich nunca mais acertou o time. Falta aquele marcador insano que, além de grudar no melhor jogador adversário, ainda mata duas ou três bolinhas de três no ataque. Pensávamos que esse cara poderia ser o Richard Jefferson, mas em pouquíssimo tempo ele virou um estorvo sem fim, tanto que todos em San Antonio querem sua cabeça.

Na próxima temporada, Jefferson deverá ter minutos limitados. Apesar do altíssimo salário, o ala deverá jogar seus 15 minutos por noite – e olhe lá. Provavelmente ele ficará mofando no banco até o fim de seu contrato. Para piorar, nenhuma equipe que se preze aceitará negociar com o Spurs se continuarem insistindo em empurrá-lo goela abaixo. Ninguém é bobo e os engravatados texanos deveriam saber disso antes de pagarem uma bolada por um atleta que pouco mostrou em seu primeiro ano em San Antonio.

Bela foto!

Corey Joseph

A vinda de Corey Joseph mostra que o Spurs já havia planejado a troca de George Hill antes mesmo da noite do Draft. Joseph, segundo os especialistas norte-americanos, tem basicamente as mesmas características do seu antecessor – boa defesa e um bom chute de longa distância, além de um senso de liderança diferenciado.

É bom saber que houve um planejamento e que nada foi feito de forma precipitada. Caso contrário, poderíamos ter Tony Parker como titular e um Jacque Vaughn da vida como suplente imediato. Nós já passamos por isso recentemente, e quem acompanha o time há algum tempo sabe como é desgastante ter um armador limitado como primeiro reserva.

O que nós esperamos do Corey Joseph é que ele consiga desenvolver seu basquete da mesma maneira que o George Hill. É bom ressaltar que, quando desembarcou em San Antonio, o ex-número três era um total desconhecido vindo de uma universidade menos conhecida ainda. Joseph, por outro lado, vem de uma escola mais tradicional e conseguiu um bom trabalho por lá (isso é animador).

Novo Nowitzki ou novo Bonner?

Davis Bertans

No meu ponto de vista, a grande cartada da patota de R.C Buford foi adquirir esse Davis Bertans na noite do Draft. Antes do recrutamento, muitos diziam que a equipe havia prometido selecioná-lo com a escolha de primeira rodada.

O Draft foi passando, passando, passando, e quando chegou a vez do Spurs o escolhido foi Corey Joseph. Mais algumas escolhas passaram e nada de Bertans ser selecionado. A angústia do jovem só terminou quando a vez dos texanos chegou novamente.

Vindo do pouco representativo basquete da Letônia, Bertans é uma das grandes promessas do basquete europeu. Alguns o comparam com Dirk Nowitzki, embora eu ache que isso seja um pouco exagerado. Assisti alguns vídeos dele e também uns poucos jogos do recente Mundial Sub-19. Davis é claramente talentoso e tem um ótimo arremesso de longa distância. Podemos dizer que ele até tem um estilo semelhante ao Dirk Nowitzki, mas ainda é MUITO cedo para comparar.

Como todo jovem, Bertans ainda é cru – tenta arremessos precipitados e é bem inconstante, algo que tempo e experiência felizmente podem corrigir. A tendência é que ele fique na Europa por mais uns três ou quatro anos antes de fazer o esperado salto para a NBA. Em San Antonio, esperam que ele consiga desenvolver seu basquete no Velho Continente a ponto de se tornar uma estrela por lá. Particularmente, acho que há grandes chances disso acontecer. Como vocês podem perceber, estou bastante esperançoso com esse cara.

Ei, te conheço de algum lugar! (Lorbek à esquerda)

Erazem Lorbek

O esloveno Erazem Lorbek vem daquele mesmo pacote que trouxe Kawhi Leonard para o Texas. Trata-se de um jogador rodado, mas a dúvida que fica é: quando ele virá para a NBA? Bem, a verdade é que Lorbek talvez nunca pise no AT&T Center. Isso porque ele é querido na Espanha, mais especificamente no milionário Barcelona, e tem proposta para ficar por lá até 2013. Eu até gostaria que ele viesse já na próxima temporada, mas temos que ser realistas: acho o negócio bem complicado e, se fosse apostar, diria que ele ficará na Europa.

Nada além de promessa

Adam Hanga

R.C Buford chutou o balde ao recrutar o armador Adam Hanga. O atleta vem de uma escola ainda menos tradicional que Davis Bertans – a Hungria. Assim como Lorbek, o armador talvez nunca pise em solo americano para jogar basquete – seguirá o caminho de outros tantos que foram draftados e permaneceram na Europa por longos anos, como é o caso de Robert Javtokas e Viktor Sanikidze.

Por outro lado, Hanga parece determinado. Recentemente, ele esteve em San Antonio e parece ter agradado a todos por lá. Por vídeos, trata-se de um atleta interessante, mas ainda bem cru. Caso consiga uma boa equipe nos próximos anos e desenvolva seu jogo, tem chances de se juntar ao elenco texano em cerca de quatro ou cinco anos. Mas nutrir esperanças nesta aposta é loucura. Como disse, é só uma aposta.

Para concluir

Como vocês podem perceber, fiquei satisfeito com os movimentos recentes do San Antonio Spurs no draft. Fico triste pela saída do George Hill, que era um grande cara, mas penso que grandes equipes tem que pensar à frente. A aposta em jovens jogadores pode dar errado? Claro! Mas pelo menos tentaram alguma coisa. Com a mesma equipe que tínhamos na última temporada, as chances de título eram muito pequenas. Faríamos uma boa campanha na fase regular, mas na hora do “vamo ver” seríamos eliminados novamente.

Richards estreia mal na Bósnia

Nesta quinta-feira (14), Ryan Richards estreou defendendo as cores da Grã-Bretanha na Divisão B do Europeu Sub-20 de basquete. E, assim como aconteceu com Davis Bertans no Mundial Sub-19, o Spurs Brasil vai acompanhar todas as partidas do prospecto da equipe texana.

Richards foi selecionado pelo Spurs na 49ª do Draft de 2010. Porém, o ala-pivô teve sua promissora trajetória interrompida por uma contusão no ombro. Por isso, o jogador ficou sem atuar deste o recrutamento – em seu período de recuperação, ele chegou a treinar com a equipe de San Antonio. Agora, na Divisão B do Europeu Sub-20 – disputada na Bósnia –  o big man tenta recuperar seu ritmo de jogo, já que ele pode se tornar o primeiro reforço do time texano para a próxima temporada.

Em seu primeiro jogo oficial, no entanto, Richards não foi bem. A Grã-Bretanha perdeu para Portugal por 60 a 57, e o ala-pivô deixou a quadra com 12 pontos (4-11 FG, 0-4 3 PT, 4-8 FT), oito rebotes, um toco, quatro turnovers e uma falta em 33 minutos de partida.

Richards tenta a recuperação já nesta sexta-feira, às 15h (de Brasília), contra a Finlândia.

Splitter aguarda seguro ser liberado para começar a treinar


Diferente do que o jogador disse em entrevista ao Spurs Brasil, o caso do seguro de Tiago Splitter ainda não está totalmente resolvido. De acordo com o repórter Fábio Aleixo, do site LANCENET!, Tiago ainda não está liberado pra treinar com o resto da Seleção Brasileira, que irá jogar o Pré-Olímpico em Mar Del Plata.

O seguro do jogador do Spurs ainda não está totalmente pronto, restando apenas algumas pendências com a documentação. Dessa forma, o pivô não pôde entrar em quadra para treinos coletivos que exijam contato físico. Com isso, durante a última semana, Splitter se focou em arremessos e na parte física.

Tiago não pode treinar com os outros jogadores. Crédito da imagem: Reuters

Contudo, segundo apurado pelo LANCE!, a liberação já está oficializada pela CBB e, a partir desta sexta, o atleta estará liberado para qualquer atividade. O seguro foi feito por uma empresa americana, custou cerca de US$ 30 mil e vale até 15 de setembro.

Com os pedidos de dispensa de Leandrinho (Toronto Raptors) e Nenê (Denver Nuggets), e o corte de Varejão (Cleveland Cavaliers), a CBB acabou economizando uma grande quantia de dinheiro. Com o locaute, o valor dos seguros se tornou bem mais caro, mas como Tiago acaba de sair de sua primeira temporada na NBA, a quantia não foi tão cara.

O caso do ex-companheiro de Tiago no Caja Laboral (ESP), Marcelo Huertas, é mais complicado. Com rumores sobre uma possível transferência para o FC Barcelona Regal, Huertas ainda não tem data definida para confirmar seu seguro, diferente do de Splitter, está sendo fechado com uma empresa européia.