Quando o título é o que menos importa

Ainda torcerei muito para esses caras

É uma pena que a trajetória da Seleção Brasileira sub-19 de basquete tenha acabado. No nosso país, o público viveu uma lua de mel de aproximadamente um ano com a equipe, que começou com a dominância de Lucas Bebê na Copa América e terminou com as boas atuações de Raulzinho no Mundial da categoria. Claro que a eliminação machuca – ainda mais como foi, com uma cesta espírita e contra a Argentina. Revés que, inevitavelmente, faz lembrar o que o Brasil sofreu no Mundial adulto contra os rivais sul-americanos. Porém, no meu entendimento, as derrotas apontam para caminhos diferentes.

A Seleção adulta precisa de resultados importantes para voltar a sorrir. Ele quase veio, duas vezes: contra os Estados Unidos, na primeira fase, e contra a Argentina, em partida eliminatória. Porém, para Marcelinho Huertas, Anderson Varejão, Tiago Splitter e companhia, o quase não bastou. O Brasil precisa de vitórias relevantes para que o esporte volte a crescer no país. Porém, nas equipes de base o foco deve ser outro.

Uma equipe sub-19 não deve ter como prioridade ser campeã, e sim formar talentos, tecnicamente e taticamente. Na parte técnica, não existe hoje, no país, ninguém mais confiável do que José Neto. O treinador é excelente no tratamento com jovens talentos, e, além de Raulzinho e Bebê, conseguiu extrair o máximo de cada jogador em determinados momentos do torneio. Além disso, na parte tática, montou, principalmente, uma defesa interessante, que sufocava o perímetro e deixava o garrafão a cargo do jovem pivô. Espero que a Confederação Brasileira de Basquete considere o nome do técnico quando Rubén Magnano deixar a equipe adulta.

Raulzinho faz parte do ciclo da Seleção para a Olimpíada de Londres-2012. E é muito difícil imaginar que Bebê não fará parte da preparação para os Jogos do Rio-2016. Além disso, foi possível detectar outros talentos na equipe, como Felipe Taddei, Bruno Irigoyen e Cristiano. O futuro parece próspero, independentemente de resultados.

A mesma paciência que devemos ter com esses talentos, peço que tenhamos também com Davis Bertans. O atleta, que já era figurinha certa no San Antonio Spurs desde antes do Draft, foi selecionado por sua precisão nos arremessos de três pontos. Porém, no Mundial sub-19, o jogador acertou apenas 24,4% dos lances que tentou do perímetro.

Mas Bertans teve sobre suas costas algo que a Seleção Brasileira não teve: pressão por resultados. A Letônia jogava em casa e, para piorar, o ala jogou improvisado, no garrafão, posição que não parece ser a sua. Além disso, o jogador, ainda imaturo – algo normal nessa idade – se sentiu obrigado a tentar reverter os resultados negativos que sua equipe acumulou, e atingiu a assustadora marca de 45 arremessos de três em cinco partidas. Média de nove por jogo, o que naturalmente não vai acontecer na NBA.

Mesmo assim, o jogador mostrou boa altura e envergadura, e deixou a competição com médias de 13,2 pontos e sete rebotes por exibição. Nada mal. O Spurs parece ter achado mais um talento, que ainda precisa ser moldado. Ainda assim, um talento.

Sobre Lucas Pastore

Um dos fundadores do Spurs Brasil. Formado em Jornalismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie em 2010, é editor assistente do UOL Esporte. Cobriu o basquete olímpico na Olimpíada de 2016 pelo LANCE!. Trabalhou também para Basketeria e mob36.

Publicado em 09/07/2011, em Na linha dos 3. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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