Arquivo diário: 09/07/2011

Quando o título é o que menos importa

Ainda torcerei muito para esses caras

É uma pena que a trajetória da Seleção Brasileira sub-19 de basquete tenha acabado. No nosso país, o público viveu uma lua de mel de aproximadamente um ano com a equipe, que começou com a dominância de Lucas Bebê na Copa América e terminou com as boas atuações de Raulzinho no Mundial da categoria. Claro que a eliminação machuca – ainda mais como foi, com uma cesta espírita e contra a Argentina. Revés que, inevitavelmente, faz lembrar o que o Brasil sofreu no Mundial adulto contra os rivais sul-americanos. Porém, no meu entendimento, as derrotas apontam para caminhos diferentes.

A Seleção adulta precisa de resultados importantes para voltar a sorrir. Ele quase veio, duas vezes: contra os Estados Unidos, na primeira fase, e contra a Argentina, em partida eliminatória. Porém, para Marcelinho Huertas, Anderson Varejão, Tiago Splitter e companhia, o quase não bastou. O Brasil precisa de vitórias relevantes para que o esporte volte a crescer no país. Porém, nas equipes de base o foco deve ser outro.

Uma equipe sub-19 não deve ter como prioridade ser campeã, e sim formar talentos, tecnicamente e taticamente. Na parte técnica, não existe hoje, no país, ninguém mais confiável do que José Neto. O treinador é excelente no tratamento com jovens talentos, e, além de Raulzinho e Bebê, conseguiu extrair o máximo de cada jogador em determinados momentos do torneio. Além disso, na parte tática, montou, principalmente, uma defesa interessante, que sufocava o perímetro e deixava o garrafão a cargo do jovem pivô. Espero que a Confederação Brasileira de Basquete considere o nome do técnico quando Rubén Magnano deixar a equipe adulta.

Raulzinho faz parte do ciclo da Seleção para a Olimpíada de Londres-2012. E é muito difícil imaginar que Bebê não fará parte da preparação para os Jogos do Rio-2016. Além disso, foi possível detectar outros talentos na equipe, como Felipe Taddei, Bruno Irigoyen e Cristiano. O futuro parece próspero, independentemente de resultados.

A mesma paciência que devemos ter com esses talentos, peço que tenhamos também com Davis Bertans. O atleta, que já era figurinha certa no San Antonio Spurs desde antes do Draft, foi selecionado por sua precisão nos arremessos de três pontos. Porém, no Mundial sub-19, o jogador acertou apenas 24,4% dos lances que tentou do perímetro.

Mas Bertans teve sobre suas costas algo que a Seleção Brasileira não teve: pressão por resultados. A Letônia jogava em casa e, para piorar, o ala jogou improvisado, no garrafão, posição que não parece ser a sua. Além disso, o jogador, ainda imaturo – algo normal nessa idade – se sentiu obrigado a tentar reverter os resultados negativos que sua equipe acumulou, e atingiu a assustadora marca de 45 arremessos de três em cinco partidas. Média de nove por jogo, o que naturalmente não vai acontecer na NBA.

Mesmo assim, o jogador mostrou boa altura e envergadura, e deixou a competição com médias de 13,2 pontos e sete rebotes por exibição. Nada mal. O Spurs parece ter achado mais um talento, que ainda precisa ser moldado. Ainda assim, um talento.

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