Arquivo diário: 11/06/2011

Saudades

Na última terça-feira, um temporal na cidade de São Paulo me deixou sem luz por quase 12 horas. Perdi a despedida do Ronaldo. Paciência, acontece. Hoje em dia, na era de tempestade de informações que vivemos, não é difícil recuperar o jogo perdido. Uma infinidade de programas de televisão e de sites repercutiram o adeus no dia seguinte, e pude ver, por exemplo os gols que ele perdeu. Uma pena; mas, como ele disse, quando era pra valer ele se garantia. No passado. O Fenômeno é agora, oficialmente, um ex-jogador.

Ex-jogadores...

Ainda não consegui formar uma opinião sobre qual foi o melhor atacante que vi jogar. Ronaldo divide espaço com Romário – o primeiro levava vantagem na habilidade, mas o segundo, mesmo baixinho, era mais mortal nas cabeçadas. Sorte a nossa, os brasileiros, que puderam ter dois craques desse calibre. No passado. Nessa semana, pela primeira vez em toda a minha vida, os dois maiores atacantes que vi são oficialmente ex-jogadores.

Enfim, vamos falar de basquete, esporte que tem este blog como habitat. O jogo de despedida de Ronaldo aconteceu poucos dias depois do anúncio da aposentadoria de Shaquille O’Neal. O pivô foi uma presença incrível no garrafão, difícil de ser igualada, principalmente ofensivamente. Foi. No passado. Nestes últimos dias, pela primeira vez na minha vida, o maior pivô que vi jogar é oficialmente um ex-jogador.

O torcedor do San Antonio Spurs da minha geração sentirá esse baque em breve. Quando comecei a acompanhar a NBA pra valer, David Robinson já não fazia mais parte da equipe. Por isso, é praticamente impossível não apontar Tim Duncan como principal nome da franquia. Mas temos the admitir: The Big Fundamental não é mais o mesmo. O camisa #21 já não exibe mais o vigor físico de outrora. O adeus se aproxima. Em breve, o melhor ala-pivô que já vi na vida será oficialmente um ex-jogador.

Sempre fui daqueles que atacou posturas saudosistas em relação ao esporte. Achava uma verdadeira chatisse quando ídolos do passado eram colocados como intocáveis. Achava, no passado. Ao menos, até esse momento, ainda acho. Mas não sei se estou pronto para viver em um mundo em que Romário, Ronaldo, Shaq e Duncan são ex-jogadores. Em um mundo em que Jerry Sloan e Phil Jackson são ex-treinadores. Uau.

Agora, fica mais fácil entender porque nossos avós não abrem mão de exaltar Pelé, mesmo tendo um Zico à sua frente. Entendo porque nossos pais não abrem mão de exaltar Zico, mesmo tendo Ronaldo à sua frente. E nós? Estaremos prontos para admitir que nossa geração é “ultrapassada” se Neymar superar o Fenômeno? Se Dwight Howard superar Shaq? Se Blake Griffin superar Duncan? Por enquanto, apenas pensar nessa possibilidade já é demais para mim.

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