Arquivo diário: 04/06/2011

O que o Spurs pode aprender nas finais?

Miami Heat e Dallas Mavericks protagonizam uma série imprevisível em todos os sentidos na final da NBA. Primeiro porque, confesso, não apostava em nenhuma das duas equipes no começo dos playoffs. Segundo porque as partidas têm apresentado um desenrolar increvelmente emocionante – é difícil apontarmos favoritos, mesmo com a vantagem que a equipe texana conquistou. Para nós, torcedores do San Antonio Spurs, resta assistir à série e nos perguntar: o que nosso time pode aprender com os finalistas?

Sim, eu roubei essa montagem na internet

Na minha última coluna, em que falei sobre os jovens big man que o Spurs tenta contratar, postei uma opinião que foi contestada por nosso leitor Leo. Mas ainda acho que a equipe de San Antonio perdeu para o Memphis Grizzlies no garrafão. Creio que, no geral, o elenco texano é melhor, mas que o matchup foi desfavorável: na área pintada, Tim Duncan, Antonio McDyess, Tiago Splitter e principalmente Matt Bonner e DeJuan Blair não encontraram resposta para Zach Randolph e Marc Gasol. E, na série Mavs x Heat, vemos soluções que poderiam ter sido usadas naquele confronto.

Vamos começar falando da equipe de Miami, que joga quase toda a partida sem um pivô de ofício: Chris Bosh e Udonis Haslem ocupam a maior parte dos minutos na área pintada, enquanto que o único especialista na função que vem sendo usado, Joel Anthony, é baixo para a posição. O trio compensa a falta de tamanho com vontade, jogo físico e bom posicionamento, é verdade. Mas um fator a mais contribui para que a equipe de Miami não tome um baile nos rebotes: a ajuda que vem do perímetro.

É bem verdade que Dwyane Wade e LeBron James são jovens e atléticos o suficiente para pegarem um rebote e ainda participarem de um contra-ataque – virtudes que Manu Ginobili, por exemplo, não possui. Tony Parker não poderia exercer essa função tão bem quanto a dupla do Heat: enquanto os dois jogadores da equipe da Flórida podem pegar o rebote e acionar seu companheiro, o francês é a opção do time texano para receber a bola e disparar. Seria um desperdício fazê-lo entrar no garrafão para brigar por rebotes.

Mas alguns jogadores seriam perfeitos para dar essa mãozinha lá embaixo, como George Hill e Richard Jefferson. O primeiro é pequeno o bastante para encontrar brechas entre os grandalhões e forte o suficiente para conseguir brigar por rebotes, enquanto o segundo ainda não encontrou sua função no ataque da equipe texana, e por isso podia se dedicar um pouco mais na defesa. Seria bom também se Gary Neal se aperfeiçoasse na função: o ala-armador seria útil pegando um rebote, para dar o primeiro passe do contra-ataque – de preferência para Parker – e depois se apresentar para arremessar.

Se do Heat o Spurs poderia copiar a ajuda do perímetro, no Mavericks o ponto a ser observado é a defesa por zona. Apesar de pouco utilizada nas finais, a marcação ajuda a minimizar alguns defeitos da equipe. Dirk Nowitzki, por exemplo, é indiscutível no ataque, mas não chega a ser um especialista na defesa. Como 80% dos jogadores da liga, teria dificuldades para lidar com Randolph e/ou Gasol. Mas, com a defesa por zona, esses defeitos são minimizados pela ajuda coletiva.

Neste tipo de marcação, os armadores marcam a cabeça do garrafão. Os alas ficam lá embaixo, congestionando o garrafão e marcando a zona morta de acordo com a necessidade. E o pivô fica embaixo da cesta, esperando para dar tocos e pegar rebotes. Esse tipo de marcação inibe infiltrações – que, inevitavelmente trombariam com um bom defensor como Tyson Chandler, Brendan Haywood e, no caso do Spurs, Tim Duncan – e também o jogo dentro do garrafão, já que dobras são facilitadas.

Com esse tipo de marcação, Bonner e Blair não teriam de ficar colados em Randolph ou Gasol – poderiam ser os alas que se movimentam da zona morta para o garrafão, deixando Duncan, Dice ou Splitter com o trabalho de big man lá embaixo. Enquanto isso, o Spurs forçaria arremessos de média distância do Grizzlies – ponto fraco de um perímetro formado por Mike Conley, Tony Allen e Sam Young.

Ajuda do perímetro, marcação por zona. Os finalistas da NBA, assim como o Spurs, não têm um garrafão brilhante defensivamente, mas mostram que é possível vencer sem ele. Talvez seja por isso que estão lá, ao contrário da equipe texana…