Arquivo diário: 30/04/2011

Muito a dizer

Saber que o San Antonio Spurs tinha problemas para lidar com jogadores altos e fortes, mesmo em uma temporada na qual a equipe texana teve a segunda melhor campanha da NBA, era preocupante. Porém, nem por isso a derrota para o Memphis Grizzlies deixou de ser chocante. Só tenho esse assunto para falar hoje. Por isso, começo esta coluna listando dois momentos que aconteceram antes dos playoffs e que ajudaram a determinar a precoce derrocada do time do AT&T Center.

Carrascos

1) Grizzlies 103 @ 110 Clippers: No dia 13 de abril, na última rodada da temporada regular, o time de Memphis poupou Mike Conley, Tony Allen e Zach Randolph e perdeu para a já eliminada equipe angelina. Em caso de vitória, o Grizzlies subiria para o sétimo posto e encararia o Los Angeles Lakers na primeira rodada. Muitos dizem que a equipe forçou o confronto contra o Spurs, mas ninguém confirma. Por outro lado, a equipe texana teria um confronto muito mais tranquilo contra um New Orleans Hornets desfalcado do ala-pivô David West.

2) Ginobili se machuca: No mesmo dia, Gregg Popovich, que havia poupado os titulares no jogo anterior, diante do Lakers, resolveu escalar força máxima na rodada final, diante do Phoenix Suns. Resultado: com menos de dois minutos jogados, Manu Ginobili contundiu o cotovelo direito. É bem verdade que a chave na série contra o Grizzlies foi o frontcourt, mas ter o argentino 100% poderia fazer a diferença. Principalmente na primeira partida, parelha até o final, quando o time do Texas sentiu a falta de seu closer. Uma vitória no Jogo 1 poderia ter mudado a cara da série.

Porém, creio que esses fatores apenas abreviaram uma inevitável queda do Spurs. Mais cedo ou mais tarde, a equipe enfrentaria outro ataque forte e seria eliminada. Los Angeles Lakers, Boston Celtics e Chicago Bulls poderiam dar tanto trabalho a Antonio McDyess e Tim Duncan quanto Zach Randolph e Marc Gasol deram nestes últimos dias.

Caso passasse pelo Grizzlies, o Spurs enfrentaria o Oklahoma City Thunder. Creio que seria um matchup mais favorável para os texanos. Serge Ibaka e Kendrick Perkins fazem uma belíssima dupla, porém mais eficiente na defesa do que no ataque. Kevin Durant é um jogador alto e forte fisicamente. Mas o craque tem como principal defeito de seu repetório a falta de um jogo de costas para a cesta. Por isso, George Hill e Manu Ginobili, mesmo mais baixos, seriam alternativas para marcá-lo com eficiência.

Porém, como disse anteriormente, o Spurs mostrou muitos problemas. Se passasse pelo Thunder, a queda seria mais para a frente por outro time. Em contrapartida, Ibaka e Perkins parecem o antídoto perfeito para Randolph e Gasol, e a equipe de Oklahoma City não deve encontrar dificuldades para chegar às finais de conferência.

Agora é a hora de pensar no ano que vem. O jogo seis contra o Grizzlies pode ter dado indícios para o futuro texano. Antonio McDyess deve se aposentar, e pode dar a vaga no time titular para Tiago Splitter, o primeiro big man a sair do banco na última partida. Richard Jefferson, por mais esforçado que seja, ainda está longe de render o esperado desde que foi contratado, e, na segunda metade do duelo, perdeu seu lugar no time titular para George Hill.

Por isso, o Spurs pode começar a temporada 2011/2012 com Tony Parker, George Hill, Manu Ginobili, Tim Duncan e Tiago Splitter no time titular. No banco, Gary Neal, James Anderson, Danny Green, Richard Jefferson, Matt Bonner e DeJuan Blair. Mais a possível chegada de jogadores que atuam na Europa, como Nando de Colo e Ryan Richards. Suficiente para brigar pelo título? Difícil…

Resta torcer para o Spurs conseguir trazer um free agent de peso, ou consiga alguma troca favorável. Porém, também acho difícil que isso aconteça. Será que poderemos contar com mais um steal no próximo Draft? Será que o recém-contratado Da’Sean Butler, aposta para a próxima temporada, vai corresponder? Por enquanto, sobram perguntas e faltam respostas…

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Spurs (2) vs Grizzlies (4) – O fim

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O torcedor do San Antonio Spurs esperava um final diferente para a temporada, um final muito diferente desse adeus precoce. A campanha de 61 vitórias na fase regular e a liderança do Oeste deixaram um sabor doce, mas que logo azedou. Cair diante do Memphis Grizzlies, na primeira rodada dos playoffs, estava longe dos planos.

As férias chegaram antes que o planejado (AP Photo)

Mas o que aconteceu na última sexta-feira foi apenas uma morte anunciada desde o jogo 1. Pode-se dizer que o Spurs entrou na partida desta sexta-feira apenas respirando por aparelhos, após ser reanimado por Manu Ginobili e Gary Neal no jogo 5. Ah sim, o placar de ontem? 99 a 91, mas isso é o que menos importa.

O Spurs lutou, é bem verdade. Vendeu caro o revés. Mas fracassou. Depois de entrar muito mal no primeiro quarto e equilibrar a partida no segundo e terceiro períodos, o time texano ainda deu esperanças ao seu torcedor quando buscou a virada e chegou a marcar 80 a 79. Mas foi apenas o último suspiro.

Randolph: O algoz (Photo Andy Lyons/Getty Images)

Zach Randolph, sim, ele mesmo, fez aquilo que poucos podiam imaginar que o ala-pivô seria capaz alguns anos atrás. Talento ele sempre teve, todos sabem, mas o que vimos em quadra foi um verdadeiro líder.

Randolph colocou a bola embaixo do braço e resolveu. Já vinha em uma grande noite, mas coroou a partida com um final impecável, que entrará para a ainda curta história do Grizzlies. Pontuou de todas as formas, com arremessos, ganchos e até contra-ataques. Fez o que quis e como quis, sem se importar com quem estava em seu encalço.

Dessa vez, sem brincadeiras infames, sem tempo para um novo milagre. Sucumbiu um gigante, mas diante de outro gigante, que foi Zach Randolph. Vitória merecida.

Memphis dominou toda a série. Mesmo quando perdeu, foi apenas por um acaso. Parabéns a Lionel Hollins, técnico da equipe. Dizer que deu um nó tático em Gregg Popovich soa como exagero, mas soube, sem dúvida, explorar as deficiências e fraquezas de um adversário teóricamente mais forte.

Ao Spurs, este ainda é um assunto longo e que terá consequências além daquilo que podemos analisar no momento. Ao Spurs, resta levantar a cabeça e já começar a pensar na temporada 2011/2012, provavelmente a última de Tim Duncan.

Destaques da partida

San Antonio Spurs

Tony Parker – 23 pontos

Manu Ginobili – 16 pontos

Tim Duncan – 12 pontos, dez rebotes e três bloqueios

Memphis Grizzlies

Zach Randolph – 31 pontos e 11 rebotes

Marc Gasol – 12 pontos e 13 rebotes

Tony Allen – 11 pontos e quatro roubos de bola