Arquivo diário: 23/04/2011

Ele é o bom

Dizer que a presença de Manu Ginobili melhora o desempenho do San Antonio Spurs é algo óbvio. É um fato comprovado nestas duas partidas que abriram a série de primeira rodada dos playoffs, em que o time texano encara o Memphis Grizzlies. No primeiro jogo, o argentino ficou de fora devido a um problema no cotovelo direito, e sua equipe perdeu em pleno AT&T Center. No segundo, o ala-armador voltou, e com ele a boa fase texana: o Spurs empatou a série e ganhou moral para os dois primeiros duelos na casa do adversário.

Até as famosas "tias" sabem do que se trata esta coluna

Em seu retorno, Ginobili deixou a quadra com 17 pontos, sete rebotes, quatro assistências e quatro roubadas de bola. Porém, o baixo número de passes decisivos engana. É bem verdade que o armador da equipe é Tony Parker, mas o francês é mais um pontuador do que qualquer outra coisa. Por isso, cabe a Manu, com inteligência de jogo superior, começar as jogadas, dar um passe que propicie uma investida à cesta, abrir espaço para os companheiros e, claro, pontuar. Sua versatilidade ofensiva, com e sem a bola, torna o ataque do Spurs muito mais imprevisível – o que explica o quanto o time parecia estagnado no primeiro jogo.

Dá mais esperança saber que o desempenho de Ginobili ainda tende a melhorar durante a série. Com o cotovelo direito ainda baleado, o argentino teve um aproveitamento abaixo do normal. Acertou 38,5% dos arremessos de quadra, 53,8% dos lances livres e errou os três arremessos do perímetro que tentou. Na temporada regular, sua pontaria foi bem melhor: 44,9% de aproveitamento nos arremessos de quadra, 83,4% nos lances livres e 37,1% nos arremessos de três pontos.

Além disso, Manu conseguiu colocar 17 pontos na cabeça de Tony Allen, que no meu ponto de vista foi o melhor defensor de perímetro da Conferência Oeste na temporada. Quando o ala-armador do Grizzlies vai descansar, quem assume o papel de carrapato é o experiente Shane Battier. A equipe de Memphis tem uma dupla que considero ideal para limitar Ginobili. Se conseguir vencer a série, o argentino deve enfrentar Thabo Sefelosha, do Oklahoma City Thunder, ou Aaron Afflalo, Wilson Chandler e até Kenyon Martin, do Denver Nuggets. Bons defensores, mas inferiores à dupla do Grizzlies.

Por falar em defesa, neste setor o Spurs também é outro com Ginobili em quadra. O ala-armador é um jogador inteligente, que sabe a hora certa de dobrar em adversários mais altos. Em uma série contra um time como o de Memphis, que tem uma linha de frente forte, isso é fundamental. Foi assim que, em diversas posses de bola, Manu conseguiu atrapalhar Zach Randolph, e ajudou-o a limitar a 11 pontos e seis rebotes. Além disso, o camisa 20 tem outras duas habilidades fundamentais na defesa: sabe cavar faltas de ataque como ninguém e, catimbero como todo hermano, consegue desestabilizar os adversários.

O Spurs é outro com Ginobili em quadra. No ataque, ele atrai os olhos dos rivais e ajuda a abrir espaços para Tony Parker, George Hill, Gary Neal e Richard Jefferson. Na defesa, sabe a hora exata de agir, além de cavar faltas e desestabilizar os adversários. Por esses e por tantos outros motivos que repousa no craque argentino a esperança de virada texana na série contra o Grizzlies.

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