Arquivo diário: 02/04/2011

Hora dos coadjuvantes brilharem

Há cerca de duas semanas, parecia certo que o San Antonio Spurs teria a melhor campanha da NBA. Mas aí veio a entorse de Tim Duncan e as seis derrotas seguidas – pior sequência da franquia desde que The Big Fundamental foi draftado – e este status está mais ameaçado do que nunca. Em momentos muito melhores, Chicago Bulls e Los Angeles Lakes aparecem apenas um jogo atrás – e ainda resta um confronto direto contra o segundo. É, amigo!

Eles precisam de ajuda

Se pararmos para analisar friamente, as derrotas parecem até normais. Nada de errado em perder para Nuggets, Blazers e Grizzlies sem Duncan. Na segunda partida contra o time de Portland, além do camisa 21, Tony Parker, Manu Ginobili e Antonio McDyess ficaram de fora. Contra o Celtics, o Spurs estava completo, mas perdeu para uma das melhores equipes da liga. A derrota para o Rockets, nono colocado na Conferência Oeste, é um pouco mais incomum – o alvinegro texano vencera os outros três duelos na temporada – mas ainda assim, trata-se de um clássico, disputado na casa do adversário, no segundo jogo de um back-to-back. O que assusta é a sequência. Mas, apesar de tudo, acho que é o desempenho que tem de preocupar, e não necessariamente os resultados.

O que de mais assustador pudermos ver nestes dois últimos jogos, contra Celtics e Rockets, quando o Spurs teve todo seu elenco disponível, foi a queda no rendimento dos coadjuvantes. Contra o time de Boston, apenas Parker e Duncan jogaram perto do ideal, com Richard Jefferson conseguindo ajudar um pouco. Ontem, além do Big Three – Parker, Manu e Duncan tiveram bom desempenho – só Gary Neal chegou aos dígitos duplos ao anotar dez pontos. Pouco para um time que quer o anel.

Neal, Jefferson e Matt Bonner têm que aprender a converter arremessos  quando pressionados. Sua pontaria é fundamental para abrir espaço para as investidas de Parker e Manu e para o trabalho de Duncan debaixo da cesta. Sem as bolas de três caíndo, o ataque do Spurs torna-se mais previsível e mais fácil de defender. Além disso, DeJuan Blair não pode se desanimar por ter perdido seu lugar no time titular, e tem que voltar a pontuar. E George Hill, que brilhou na ausência das três estrelas, tem de achar uma forma de atuar bem também ao lado delas.

Neste domingo, o Spurs recebe o Phoenix Suns numa boa oportunidade para voltar a vencer. Mas, para isso, Neal, Jefferson e Bonner têm de converter seus arremessos. O último provavelmente vai ficar bastante tempo em quadra para marcar Channing Frye, já que é o único Big Man do Spurs que transita bem pelo perímetro. Hill tem de marcar Steve Nash como se fosse um jogo de playoff. E Blair tem de pontuar contra a frágil linha de frente do Suns. Só com ajuda dos coadjuvantes o Big Three pode ter espaço para brilhar.

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Spurs (57-19) @ Rockets (40-36) – A zica continua…

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Parker bem que tentou... (Bill Baptist/NBAE/Getty Images)

Nesta sexta-feira, o San Antonio Spurs foi a Houston e foi derrotado pelo Rockets pela primeira vez na temporada, já que havia vencido os últimos três duelos. O revés, definido na prorrogação, foi o sexto consecutivo da equipe texana, a pior sequência da franquia desde que Tim Duncan foi draftado em 1997.

Com o mesmo time titular das últimas partidas – Tony Parker, Manu Ginobili, Richard Jefferson, Antonio McDyess e Tim Duncan – o Spurs começou bem o jogo, pontuando com facilidade. Porém, nenhuma das equipes conseguia desgarrar-se no placar, e, faltando pouco mais de três minutos para o fim do primeiro quarto, o Spurs vencia por 21 a 18. O Rockets então conseguiu uma boa corrida para fechar a parcial em 31 a 27.

O segundo período começou com os donos da casa mandando no jogo e conseguindo abrir boa vantagem no placar. O Spurs foi retomar a liderança somente faltando cerca de cinco minutos para o intervalo, com cesta de Tim Duncan. Porém, nova corrida do time de Houston fez com que os mandantes fossem para os vestiários vencendo por 64 a 56.

A terceira parcial começou com o Rockets segurando o ataque do Spurs e mantendo uma vantagem relativamente confortável no marcador. Porém, da metade para o fim do quarto, Tony Parker, em noite inspirada, liderou boa reação do Spurs, que entraria no período final perdendo apenas por 87 a 85.

Manu nao conseguiu converter a última bola (Bill Baptist/NBAE/Getty Images)

O quarto decisivo foi lá e cá o tempo inteiro. Nos segundos finais, Tim Duncan sofreu falta e converteu um de seus lances livres para pôr o Spurs na frente por dois pontos: 108 a 106. Kyke Lowry empatou com um arremesso, deixando os visitantes com cerca de quatro segundos para a jogada final. Mas Ginobili foi incapaz de se livrar da bola a tempo, e o jogo seria decidido na prorrogação.

No tempo-extra, o Spurs conseguiu anotar apenas seis pontos e sucumbiu diante do ataque do rival, que, comandado com Kevin Martin, definiu a parada.

O Spurs tentará acabar com a série negativa no domingo, às 14h (de Brasília), em casa, diante do Phoenix Suns.

Destaques da partida

San Antonio Spurs

Tony Parker – 31 pontos, seis assistências, três rebotes e duas roubadas de bola

Tim Duncan – 23 pontos e 13 rebotes

Manu Ginobili – 23 pontos, sete rebotes, seis assistências e três roubadas de bola

Tiago Splitter – Quatro pontos (1-1 FG, 2-5 FT) e um rebote ofensivo em 03:48 minutos

Houston Rockets

Kevin Martin – 33 pontos

Luis Scola – 21 pontos, 14 rebotes e seis assistências

Kyle Lowry – 14 pontos, seis rebotes e cinco assistências