Arquivo diário: 16/03/2011

Análise de McDyess no time titular

Logo no começo de 2011, escrevi uma coluna sobre o que, no meu ponto de vista, era – e ainda é – o maior problema do San Antonio Spurs nesta temporada: a defesa debaixo da cesta, principalmente no quarto posto. Após ver o texto, Gregg Popovich, leitor assíduo do Spurs Brasil, tomou uma medida aparentemente definitiva para o resto da campanha da equipe: no último dia 9, em jogo contra o Detroit Pistons, o veterano Antonio McDyess virou titular, enquanto o segundanista DeJuan Blair foi para o banco de reservas.

Possivelmente o melhor momento do Spurs na temporada, protagonizado por Dice

De acordo com Pop, a medida foi tomada de olho nos playoffs, já que a pós-temporada da Conferência Oeste deverá ter alguns dos melhores alas-pivôs da NBA, como Dirk Nowitzki, LaMarcus Aldridge, Pau Gasol e Zach Randolph. Dentre os possíveis adversários em uma hipotética final, estariam outros craques, como Carlos Boozer, Chris Bosh e Kevin Garnett. Mas será que a troca no time titular se justifica por causa disso? Antes de expor minha teoria, vamos a alguns números.

Começando por McDyess, novo membro do quinteto inicial. Com o ala-pivô neste papel, foram três vitórias e uma derrota (75% de aproveitamento). Quando começou os jogos, Dice apresentou médias de oito pontos (52% nos arremessos de quadra, 75% nos lances livres) e 6,5 rebotes em 22,2 minutos por noite. Como reserva, o veterano obteve 4,9 pontos (50,2% nos arremessos de quadra, 64,8% nos lances livres) e cinco rebotes em 17,8 minutos em média nas 57 partidas em que atuou assim.

Já Blair disputou 63 jogos como titular, dos quais o Spurs venceu 51 (cerca de 81% de aproveitamento). No quinteto inicial, o ala-pivô apresentou médias de 8,7 pontos (50,1% nos arremessos de quadra, 66,3% nos lances livres) e 7,3 rebotes em 22,1 minutos. Nas quatro partidas em que disputou como reserva, estes números se transformaram em 9,2 pontos (53,8% nos arremessos de quadra, 75% nos lances livres) e seis rebotes em 18,2 minutos por jogo.

Como deu para ver, a mudança surpreendentemente pouco influiu no rendimento de Blair. E, se pararmos para pensar, faz sentido: o segundanista é um atleta cujo estilo esbanja vitalidade, um daqueles jogadores que traz energia para a equipe quando vem do banco. Vale lembrar também que Blair está prestes a disputar somente sua segunda pós-temporada da carreira. Por isso, talvez seja mesmo melhor para ele entrar no decorrer das partidas, enfrentando os reservas adversários e ganhando experiência. Além disso, o atleta deve fazer dupla com Matt Bonner, que gosta de jogar aberto e deixa a área pintada para Blair fazer o que melhor sabe: pontuar embaixo da cesta.

E é inegável que a entrada de Dice dá maior consistência defensiva para o time titular. Se não um gênio defensivo, o veterano ala-pivô conta com sua experiência e seu posicionamento para ser um obstáculo maior para os rivais do que seus colegas Blair e Bonner. Além disso, sua eficiência ofensiva (oito pontos por jogo como titular) é mais do que suficiente em um quinteto que conta com outros quatro pontuadores: Tony Parker, Manu Ginobili, Richard Jefferson e Tim Duncan.

Me parece que Pop acertou em cheio com a troca. Em tempo: espero que, na próxima temporada, já mais adaptado ao estilo de jogo da NBA, Tiago Splitter seja uma das alternativas para o Spurs no time titular. O brasileiro tem a defesa como um de seus pontos fortes, e, quem sabe, pode ser útil já a partir dos próximos playoffs.

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