Força que vem do banco

A atual campanha do San Antonio Spurs, 28 vitórias em 32 jogos, surpreende até os mais otimistas torcedores da franquia texana. Normalmente, quando um time larga desta maneira na NBA, a responsabilidade é das estrelas, que jogam em alto nível e elevam o potencial da equipe. Porém, pelo menos ao meu ver, os responsáveis pelo recorde impressionante do Spurs estão no banco de reservas.

Kobe Bryant tenta chupar o indicador de George Hill

Claro, não podemos descartar a importância do trio Tony Parker, Manu Ginobili e Tim Duncan, nem a melhora de Richard Jefferson e DeJuan Blair. Mas estes são fatores com que todos contavam, incluíndo aí os adversários da equipe. As surpresas do Spurs estão entre os reservas, que têm desequilibrado as partidas a favor dos texanos enquanto os titulares descansam – ou quando estão num dia pouco inspirado.

Para tratar do banco do Spurs, temos de começar falando de George Hill. O armador – que joga em qualquer lugar no perimetro – trocou de papel com Ginobili e agora é o sexto homem da equipe, aquele que traz energia do banco de reservas. Além disso, é o principal defensor de perímetro do elenco, e mostrou isso marcando Kobe Bryant com maestria nesta semana. Tem médias de 11,3 pontos, 2,8 rebotes e 2,3 assistências em 27,4 minutos por jogo, e se tornou especialista nas bolas de três, principalmente da zona morta – tem 40% de aproveitamento na temporada.

Falando em arremessos de três, não podemos deixar Matt Bonner passar despercebido – afinal, ele é o líder da NBA em aproveitamento, com 49,5%. Confesso não ser entusiasta do ala-pivô, muito pelo contrário. Mas sou obrigado a admitir que seus arremessos de longe foram importantes em muitas das 28 vitórias que o Spurs conquistou nessa temporada. Se bem que, quando a bola dele não cai…

Mas a maior surpresa do elenco texano é com certeza o ala-armador Gary Neal. O novato, que não foi draftado – foi encontrado pela comissão técnica do Spurs jogando na Europa – tem, até aqui, médias de 8,5 pontos (39,5% de aproveitamento nos arremessos de três) e 2,6 rebotes em 18 minutos por partida. Porém, seu desempenho vem crescendo consideravelmente. Nos últimos dez jogos, passou três vezes da barreira dos vinte pontos, e anotou em média 13 pontos (43,8% de aproveitamento nos arremessos de três) e três rebotes em 23,2 minutos por partida. Com 51 bolas de três convertidas na temporada, é o líder entre os novatos no fundamento. Além disso, é importante nos rebotes: na estatística rebote por minuto, está no Top 10 entre todos os guards da NBA.

E não para por aí. Como dois de nossos big man pontuadores, Matt Bonner e DeJuan Blair, são verdadeiras peneiras, Antonio McDyess e Tiago Splitter vêm se revezando na tarefa de marcar os principais gigantes adversários. Nos jogos em que Hill esteve machucado, Chris Quinn apareceu com médias de 5,25 pontos e duas assistências em 16:56 minutos por noite. Ime Udoka é um ala especialista em defesa caso seja necessário. E temos ainda o novato James Anderson, que antes de se machucar era apontado como um possível reserva para Jefferson.

Tantas alternativas são muito imporantes para Gregg Popovich. Além de decidirem alguns jogos, estes reservas de qualidade permitem o descanso dos principais titulares da equipe. Estes minutos de repouso, acumulados, podem ser importantes mais para frente, principalmente durante os playoffs.

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Sobre Lucas Pastore

Um dos fundadores do Spurs Brasil, seu maior orgulho na carreira jornalística. Formado em Jornalismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie em 2010, é redator do UOL. Cobriu o basquete olímpico na Olimpíada de 2016 pelo LANCE!. Trabalhou também para Basketeria e mob36.

Publicado em 01/01/2011, em Na linha dos 3. Adicione o link aos favoritos. 4 Comentários.

  1. Eu vou dizer q tenho gostado bastante do Chris Quinn… mto consistente… excelente arremessador.. bom reserva pro Hill e pro Parker na armação..

    • Bruno Pongas

      Pra ser terceiro reserva o Chris Quinn é excelente. Se bem que eu gostava do Garrett Temple também…

  2. Começo a frescura o time ganhando de 13 pontos e jogando bem Pop pede tempo, mais uma vez vai ajuda ao adversario, aiai eh dificil assim

    • Bruno Pongas

      O Pop pede tempo nesses casos para fazer pequenos ajustes que, no ponto de vista dele, são necessários. Todos os técnicos da NBA fazem isso, não é uma exclusividade do Popovich…

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