Arquivo diário: 19/07/2010

O que muda para Splitter e o Spurs

Hoje o Spurs Brasil conta com a participação do ex-blogueiro Leonardo Sacco. Leo fez um texto especialmente para o blog para falar sobre a contratação de Splitter, assim como já tinha feito nosso Victor Moraes. Confira o artigo a seguir:

Foto em spurs.com

O San Antonio Spurs virou foco da mídia esportiva brasileira ao anunciar a aquisição do pivô brasileiro Tiago Splitter. Muito se fala sobre a chegada do novo reforço e todas essas perspectivas. Nessa participação saudosa que faço agora no Spurs Brasil, vou ao que interessa: o que de mais importante acontecerá com Tiago e com o time a partir de agora?

A rotação de garrafão

É praticamente consenso entre os especialistas que Splitter não chega ao Spurs para ser titular em um primeiro momento. Gregg Popovich gosta de trabalhar bem seus novatos antes que estes sejam lançados ao time titular com mais efetividade. A necessidade do time de ter um bom companheiro para Tim Duncan no garrafão, no entanto, fará com que o brasileiro ganhe minutos que novatos de outrora, como DeJuan Blair, por exemplo, não tiveram. Acredito que o pivô possa até começar algumas partidas como titular no início da temporada, mas sua grande afirmação virá possivelmente após o All Star Game, época na qual o Spurs costuma fazer sua arrancada em meio à temporada regular.  Não esperemos, então, que Tiago seja peça fundamental na rotação do garrafão do Spurs logo em sua primeira temporada. O brasileiro precisa se adaptar e, só depois, poderá entrar para bater de frente com os grandes garrafões da Liga.

A parceria com Tim Duncan

Duncan não está mais em seus tempos áureos, mas continua sendo um dos melhores alas-pivô da NBA. Intimida os adversários e ainda exige marcação reforçada. Nos últimos anos, foi praxe no Spurs deixar praticamente todo o trabalho dentro do garrafão para Duncan, muito graças aos pivôs não tão confiáveis que passaram pelo time. Splitter pode, nesse momento, se beneficiar disso. Jogando ao lado do experiente jogador, o brasileiro poderá, além de aprender muito, ter a chance de jogar com a marcação um pouco mais fraca, devido à atenção que é sempre dada ao seu futuro companheiro. Com jogo baseado nos arremessos de curta distância, Splitter deverá atuar bem próximo à cesta, diferente do que fazem, por exemplo, Matt Bonner e Antonio McDyess. Sendo assim, acredito que a parceria com Duncan será até mais importante dentro do que fora das quadras, uma vez que Splitter poderá ter mais espaço durante os momentos em que atuar ao lado do ala-pivô – afinal, é consenso de que os adversários se preocuparão muito mais com Duncan do que com Tiago.

Rendimento na primeira temporada

Aqui não vejo grandes estatísticas para o brasileiro. Quem pensa que ele chegará ao basquete norte-americano com os mesmos números que ostentava no basquete europeu está muito enganado. Splitter terá, naturalmente, dificuldades de adaptação, não só nas questões das regras, mas também do basquete jogado. Terá que melhorar significativamente seu arremesso de média distância, já que não tem força física suficiente para bater de frente com os pivôs mais fortes da NBA. Vindo do banco, poderá ajudar bastante, mas sem a eficiência que lhe vem sendo constante no Caja Laboral. Isso não significa, no entanto, que Splitter não tem jogo para atuar em alto nível na NBA – pelo contrário. A primeira temporada, no entanto, deverá ser de adaptação total. O fato de jogar ao lado de grandes jogadores e sob o comando de um técnico acostumado a lapidar atletas vindos da Europa fará a diferença para Tiago, que poderá ter calma suficiente para adaptar completamente seu jogo.

Forma de atuação

No início, predominantemente próximo à cesta adversária, sempre atuando como pivô. Acredito que com a melhora em seu arremesso de média distância, o brasileiro possa atuar mais longe do aro, funcionando até como ala de força. Não acredito que sua explosão física seja seu ponto mais forte, mas, com certeza, não é de se desprezar. Sua técnica com a bola nas mãos, no entanto, pode fazer com que se dê muito bem contra jogadores mais fortes. Em uma equipe como o Spurs, com jogo cadenciado, terá tranquilidade para jogar. Tem características que encaixam perfeitamente com os outros jogadores de garrafão do time texano, o que faz com que suas chances de sucesso aumentem.

Resumo da ópera

Tiago Splitter entra na NBA cotado para ser o melhor brasileiro na História da liga. Não pode, no entanto, buscar esse feito de maneira alucinada. Caso repita o sucesso que teve na Europa, será uma escalada natural. Seus 25 anos fazem com que haja experiência necessária para uma adaptação mais rápida do que a de seus compatriotas, que já estão há certo tempo na NBA. Com a sorte de ter caído em uma equipe que não tem a cobrança por títulos tão grande, terá tranquilidade para trabalhar. Jogará ao lado de Tim Duncan, para muitos o melhor de sua posição na História. Pode, sim, brilhar muito. Com a aproximação da aposentadoria de Duncan, pode ser peça fundamental na reestruturação pela qual passa o Spurs. Atingiria, aí, um patamar inédito para um brasileiro no basquete norte-americano. Patamar esse que já atingiu na Europa. Precisa, apenas, de tempo. Basquete, Tiago tem de sobra. Deve ser mais um tiro certeiro de Gregg Popovich.

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