Arquivo diário: 19/06/2010

Reconstrução do Spurs – O garrafão

Termina hoje a série “Reconstrução do Spurs”, que aponta possíveis movimentações para a equipe texana nesta offseason. O especial começou há três semanas, quando escrevi sobre a situação dos principais jogadores do plantel do time. Em seguida, mostrei o que poderia ser feito para reforçar as posições 1 e 2 do elenco do Spurs, e, no último sábado, falei sobre a principal carência da equipe na última temporada – a ala. Pata terminar, é hora de falar sobre os grandalhões – os big men da equipe texana e possíveis reforços para a posição.

Os alas-pivôs e pivôs que fizeram parte do elenco do Spurs na última temporada vivem situações diferentes. Tim Duncan, lenda viva da franquia, obviamente será mantido. O jovem DeJuan Blair agradou em sua primeira temporada, e também me parece garantido. Antonio McDyess tem mais dois anos de contrato com a franquia, mas, por ter um salário salgado – receberá aproximadamente US$ 10 milhões neste período – pode ser empurrado em alguma troca. Para finalizar, Matt Bonner e Ian Mahinmi são agentes livres, e ainda têm situação indefinida.

Uma cena que temos esperança de ver em breve

De qualquer modo, o plantel da equipe deve sofrer alterações nessas posições. Rumores falam sobre possíveis trocas para garantir posições mais altas no draft e recrutar jovens para o garrafão (veja mais abaixo). Além disso, os torcedores texanos anseiam pela chegada de um famoso pivô brasileiro para fazer companhia para Tim Duncan… Essas e outras possíveis movimentações serão melhor explicadas nos tópicos a seguir:

1) Reforços “caseiros”

Se quiser mesmo se livrar de Matt Bonner e de Ian Mahinmi, o Spurs pode encontrar reposição mais facilmente do que muitos imaginam. A franquia texana tem os direitos de dois big men que jogaram a última temporada no continente europeu. Confira quem são:

Robertas Javtokas – O veterano pivô lituano de 30 anos foi a 56ª escolha do draft de 2001 – sabe-se lá porque, o Spurs sempre manteve os direitos sobre ele. O jogador, de 2,11m e 112kg, disputou a última temporada pelo BC Khimki, de Moscou (RUS). Na Euroliga – principal competição de clubes do continente – o atleta teve média de 10,1 pontos (60,1% de aproveitamento dos arremessos de quadra) e 6,4 rebotes em pouco menos de 26 minutos por partida.

Tiago Splitter – Splitter, a 27ª escolha do draft de 2007, é o reforço que dez entre dez torcedores do Spurs querem para a próxima temporada – e tudo indica que ele jogará mesmo na equipe texana. O brasileiro, alvo de um post semanal deste blog, sobrou no campeonato espanhol – foi o MVP da temporada regular, com média de 14,7 pontos (com 58% de aproveitamento nos arremessos de quadra) e 6,3 rebotes em pouco mais de 26 minutos por partida. Nos playoffs da Liga ACB, esses números se transformaram em 14,2 pontos (58,5% de aproveitamento) e 7,8 rebotes em cerca de 33 minutos por jogo. Seu desempenho lhe valeu ainda o prêmio de MVP das finais, quando comandou o Caja Laboral que varreu o Regal FC Barcelona, atual campeão da Euroliga, em três jogos. Por falar na competição continental, nela Splitter fez 13 pontos  (53,5% de aproveitamento) e pegou 5,4 rebotes em pouco menos de 27 minutos de média por partida.

2) O Draft

Rumores dizem que o San Antonio Spurs pode querer trocar algum de seus jogadores por uma escolha mais alta no próximo recrutamento de calouros – atualmente, a equipe texana está na 20ª colocação. O objetivo seria draftar mais um big man, assim como no ano passado – quando a escolha mais alta foi usada com DeJuan Blair. Veja os nomes que podem pintar na equipe:

Derrick Favors – Como já nos contou Bruno Pongas, Favors, o principal big man do draft, seria um alvo em potencial do Spurs. O ala-pivô, cotado para ser a terceira escolha do próximo recrutamento, tem como pontos fortes o atleticismo e a defesa, e, como pontos fracos o arremesso e o jogo de costas para a cesta. Na última temporada – sua primeira universitária -, jogando pela Universidade Georgia Tech, teve médias de 12,4 pontos, 8,4 rebotes e 2,1 tocos por jogo. Para consegui-lo, o Spurs teria que negociar com o New Jersey Nets – detentor da terceira escolha do próximo draft. As principais moedas de troca da franquia texana são Tony Parker e Richard Jefferson; como o Nets já tem um bom armador, Devin Harris, Jefferson seria o escolhido para ser envolvido em um possível negócio.

Ed Davis – Como já postei nesta semana, Davis, cotado para ser uma escolha Top 10 do próximo draft, também seria alvo do Spurs. Na última temporada – sua segunda com a universidade de North Carolina -, teve médias de 13,4 pontos, 9,6 rebotes e 2,8 tocos por jogo. Tem a defesa e a agilidade como pontos fortes, mas precisa melhorar seu arremesso e seu jogo de costas para a cesta. Como o Indiana Pacers tem justamente a décima escolha e estaria interessado em contar com Parker, um negócio que agradaria as duas partes pode sair.

Samardo Samuels – Para contar com esse jogador, o Spurs não precisaria de trocas. O ala-pivô, cotado para ser uma escolha de segunda rodada, pode acabar sendo selecionado na 49ª escolha, que pertence ao Spurs. Samuels, que já trabalhou com a comissão técnica texana nesta offseason, completou sua segunda temporada na universidade de Lousiville com médias de 15,3 pontos e sete rebotes em 29,3 minutos por partida. Tem como ponto forte a força física, mas precisa desenvolver a defesa e o arremesso.

3) Free Agents

No mercado que promete ser o mais agitado de todos os tempos, o Spurs terá quatro agentes livres: Roger Mason, Keith Bogans, Matt Bonner e Ian Mahinmi. Se não renovar com nenhum dos quatro, a franquia econimizará cerca de US$ 13 milhões para a próxima temporada. Confira quais grandalhões poderiam ser trazidos com esta verba:

Brendan Haywood – Em uma NBA carente de pivôs como a atual, foi triste ver o excelente denfesor Haywood perdendo minutos para o limitado Eric Dampier no garrafão do Dallas Mavericks. O pivô, que ganhou US$ 6 milhões na temporada encerrada, seria uma ótima opção para dar alguns minutos de descanso para Tim Duncan.

Darko Milicic – O sérvio ficou marcado negativamente por ter sido uma segunda escolha de draft, e por realmente não ter apresentado um basquete que justificasse esse status. Porém, o considero um pivô bastante útil – principalmente defensivamente. Fez uma segunda metade de temporada sólida com o Minnesota Timberwoves, incluindo um double-double contra o Los Angeles Lakers. Milicic já declarou que gostaria de voltar para a Europa, mas uma proposta de um time de ponta poderia convencê-lo a ficar. Mas, para isso, ele teria de aceitar uma diminuição no seu salário da última temporada, que foi de US$ 7,5 milhões.

David Lee – Um sonho. Trazê-lo seria uma tarefa das mais difíceis, já que devem aparecer ótimas propostas para o bom jogador do New York Knicks, que ganhou US$ 7 milhões na última teporada. De qualquer modo, valeria uma investida.

Drew Gooden – O cigano da NBA teve uma rápida passagem pelo Spurs, e mal teve tempo para se firmar. Considero-o um bom jogador e aceitaria-o de volta com facilidade – principalmente levando em conta o bom final de temporada que ele fez no Los Angeles Clippers. Com a volta de Blake Griffin, ele perderia espaço, o que poderia facilitar uma transferência. Na última temporada, seu salário foi de US$ 4,5 milhões.

Luis Scola – Depois de toda a novela que se fez em torno de sua vinda para a NBA, duvido que ele aceitaria jogar no Spurs. Porém, de qualquer maneira, seria um excelente reforço para o garrafão da equipe, principalmente por ser relativamente barato – ganhou cerca de US$ 3,8 milhões do Houston Rockets na última temporada. Poderia reviver, ao lado de Tiago Splitter, o garrafão campeão com o antigo TAU Cerámica.

Theo Ratliff – Outro que teve poucas chances de mostrar basquete no Spurs e que, no meu entendimento, foi mal aproveitado. Agregaria experiência e força defensiva ao elenco, e poderia dar alguns minutos a mais de descanso para Tim Duncan. Seu salário no Charlotte Bobcats era de “apenas” US$ 1,3 milhões.

Udonis Haslem – Seria uma boa opção para compor o elenco e vir do banco de reservas – função que fez na última temporada pelo Miami Heat – ou até mesmo para começar como titularno lugar de Antonio McDyess. Para fazer essa função de role player, porém, teria de aceitar ganhar menos do que os US$ 7,1 milhões que recebeu na última temporada.

Zydrunas Ilgauskas – O Big Z é ídolo em Cleveland, mas, na última temporada, foi envolvido em uma “mutreta” para reforçar a equipe, e foi contratado novamente com um salário de US$ 600 mil. Estava jogando pouco tempo após seu retorno – o lituano poderia ser útil se aceitasse um salário baixo e a condição de reserva de Tim Duncan.