Arquivo diário: 21/01/2010

Ginobili: “nem sequer espero que estendam meu contrato”

"Alguém tem um contrato aí?"

Os dias do argentino Manu Ginobili com a camisa do San Antonio Spurs parecem estar realmente chegando ao fim. O casamento de oito anos, que rendeu três títulos à franquia, se estremeceu nos últimos anos, especialmente após as constantes lesões do ala. O técnico Gregg Popovich, que nunca gostou que seus atletas fossem jogar por seus países, ficou irritado quando Manu foi para Pequim e voltou com o tornozelo machucado.

Em entrevista ao jornal argentino Clarín, Manu se demonstrou decepcionado por não ter sido procurado para renovar seu contrato. “Estou certo de que serei agente livre e em julho ou agosto tomarei uma decisão acerca de aonde ir [jogar]”, disse. “Já nem espero que a equipe me ofereça uma extensão de contrato”, confessou.

Abaixo, você pode conferir parte da entrevista

Clarín: San Antonio te dá sinais de que vai oferecer um contrato?

Ginobili: Não, não houve nenhum sinal. O último foi antes de eu me machucar no ano passado. Desde então, não houve nenhuma conversa. Neste ponto da temporada, não sei se eu estenderia meu contrato, depende da oferta. Estou focado em sentar no dia 1º de julho com meu agente e com a minha esposa e ver que ofertas tenho.

Clarín: Você não é um Spur qualquer, por seu rendimento e idolatria da torcida. Não te magoa o fato de te deixarem ir?

Ginobili: De início sim, porque pensei que a relação era outra. Isso foi no ano passado, mas esse ano é diferente. Sei como as cartas estão repartidas e ninguém presenteia ninguém quando é hora de negociar – nem a franquia e nem os jogadores. Há que se entender isso como um negócio e há que saber jogar com isso. De início fiquei doído, mas agora já entendi.

Clarín: San Antonio teve duas temporadas de menor rendimento desde 2007. Hoje está em quarto na Conferência Oeste. Como você vê isso?

Ginobili: Não estamos jogando tão bem como deveríamos a essa altura do campeonato. Tivemos muitos altos e baixos e seguimos tendo. Assim, não digo que estou preocupado, mas teríamos que ter sofrido quatro ou cinco derrotas a menos. Esperamos nos recuperar durante o calendário que vem por aí, porque sabemos que em fevereiro e março não estaremos quase nunca em casa [por causa da Rodeo Trip]. Esperamos não pagar caro pelas derrotas que tivemos em San Antonio.

Análise do caso

É sempre complicado e doído se desfazer de um ídolo. No futebol isso se tornou comum. É muito fácil hoje em dia ver um garoto ficar seis meses numa equipe qualquer e logo em seguida ser vendido. No basquete é diferente, ainda existe amor à camisa.

Ginobili é um desses caras que gosta do Spurs, gosta da cidade e se identifica com a torcida. A recíproca, claro, é verdadeira. San Antonio ama o Ginobili e quer que ele continue na equipe até encerrar a carreira. Esse é o desejo de qualquer torcedor. Manu marcou época, foi único e venceu tudo o que podia na carreira. Ele é um vencedor, acima de tudo.

Na visão mercadológica, no entanto, temos que ser realistas. Ginobili é um jogador com constantes problemas físicos. Ele já não é mais rentável como antigamente e os dirigentes perceberam isso. Além disso, um contrato novo para o argentino não sairia por menos de US$ 10 mi anuais – que é o que ele ganha atualmente.

Mr. Peter Holt, dono da franquia, gastou o que tinha e o que não tinha para montar um time forte com Richard Jefferson e Antonio McDyess. Se ele meteu os pés pelas mãos, ainda é cedo para dizer, mas, com isso, colocou a equipe muito acima do teto salarial – coisa rara no seu perfil. Caso tudo dê errado, é provável que ele tente começar mais ou menos do zero. Se livrar do contrato do Ginobili seria um início razoável para isso.

É bem verdade que temos uma série de contratos expirantes para a próxima temporada, como Michael Finley, Matt Bonner, Roger Mason, Theo Ratliff, Ian Mahinmi e Keith Bogans. Juntos, todos eles (contando o Manu) somam mais de US$ 20 mi; uma baita folga na folha salarial e a chance de um recomeço, já que o contrato salgado do Richard Jefferson expira já em 2011.

Peter Holt tem a faca e o queijo nas mãos. A decisão, todavia, é complicada. Manter um ídolo agora e arriscar novas campanhas medianas ou deixar ele ir e montar outro time forte…? O erro, para mim, já foi feito. Um contrato de três anos para o vovô Antonio McDyess, com direto a US$ 5 mi no último ano, quando ele deverá estar caindo aos pedaços, foi um erro incalculável.

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Spurs (25-16) vs. Jazz (24-18) – Freguês?

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O San Antonio Spurs enfrentou na última quarta-feira o Utah Jazz pela quarta vez na temporada; a segunda jogando com o apoio de sua torcida. Mas a história continuou a mesma dos últimos três jogos: nova derrota dos comandados de Gregg Popovich com ótima atuação do ala-pivô Carlos Boozer por parte dos adversários. O atleta, que já havia marcado 72 pontos nas três partidas em questão, anotou mais 31 ontem, saindo de quadra como principal cestinha do embate.

Ginobili jogou bem, mas foi insuficiente para vencer

Com Richard Jefferson no banco, o ala titular do Spurs foi o armador George Hill. Muito mal nos arremessos de quadra, o Spurs começou a partida em ritmo lento, mas conseguindo segurar o ímpeto do adversário. Com a defesa bem encaixada, o time de San Antonio conseguia compensar as falhas ofensivas e abria uma dianteira mínima no placar, finalizando os primeiros 12 minutos com 22 pontos contra 21 do Jazz. E o time da casa ainda melhoraria seu jogo no decorrer do segundo quarto, passando aos torcedores a impressão de que a vitória poderia ser uma realidade mais próxima. Com boas atuações de Manu Ginóbili e Tony Parker, o Spurs aumentou sua vantagem e foi para o intervalo cinco pontos na frente; 50 a 45.

Duncan ficou a 1 ponto dos 20 mil

A equipe, porém, pareceu voltar dos vestiários cansada, sem o mesmo ímpeto defensivo visto na primeira metade do jogo. Foi a brecha para que o Jazz, comandado por Boozer, conseguisse reagir. Entrando com uma facilidade impressionante no garrafão do Spurs, a franquia de Salt Lake City começou a pontuar com mais regularidade e logo tomou a dianteira do placar, após vencer o terceiro período por nove pontos de diferença. O armador Deron Williams também fazia boa partida pelos visitantes.

O Spurs tentou, então, reagir. Atacando com mais voracidade, o time deixou de se preocupar com a defesa e, mesmo pontuando bem, sofreu cestas demais e acabou dando adeus à vitória. O Jazz conseguiu se segurar e saiu do AT&T Center com vitória por 105 a 98, a terceira em três jogos contra o Spurs na temporada. A franquia de San Antonio, agora, se prepara para enfrentar o Houston Rockets, em clássico do Texas que acontecerá na próxima sexta-feira.

Confira os melhores momentos da partida

Destaques da Partida

San Antonio Spurs

Manu Ginobili – 22 pontos e oito assistências

Tony Parker – 20 pontos

Tim Duncan – 14 pontos e dez rebotes

Utah Jazz

Carlos Boozer – 31 pontos e 13 rebotes

Andrei Kirilenko – 26 pontos e oito rebotes

Deron Williams – 18 pontos e dez assistências

Síndrome de nanico afeta o Spurs

"Me incluam fora dessa..."

Sabe aqueles jogos entre New Jersey Nets e Los Angeles Lakers em que o Nets abre uma puta vantagem em determinado ponto da partida e ninguém liga porque sabe que o Lakers vai virar a qualquer hora? Pois é, isso se chama time grande contra time pequeno. Essa síndrome de nanico vem pegando o San Antonio Spurs de jeito nessa temporada.

Aliás, mesmo juntando os dedos das mãos e dos pés, parece impossível contar o tanto de vezes que San Antonio tinha larga vantagem e acabou deixando tudo ir pro buraco. Vou confessar que isso está me irritando bastante, já que a previsibilidade dessas viradas está arrancando meus cabelos, que são muitos, e minhas unhas, que nem sequer existem mais.

Na derrota de ontem contra o Jazz, o time começou mal, tomou 12 a 0 logo de cara e depois alcançou uma virada espetacular. Jogo vai, jogo vem, e advinha? O Jazz retomou a liderança. Com muitos erros infantis, desperdícios de bola inimagináveis e um aproveitamento pífio da linha dos três (27,3%), o Spurs sucumbiu em casa mais uma vez. Para quem curte dados, foi a quarta derrota para o Utah na temporada. O que aparentemente parece um dado tolo significa que foi a primeira vez desde a temporada 1997-1998 que os texanos foram varridos por qualquer equipe – o que é alarmante.

Ontem, Gregg Popovich tentou de tudo; só faltou plantar bananeira e vestir uma máscara do pânico para assustar o adversário. Em determinado ponto da partida, ele arriscou com um quinteto formado por Parker, Hill, Mason, Ginobili e Duncan. Isso mesmo, caro leitor, Pop foi small até demais! Num primeiro momento, a corrida maluca surtiu efeito, com mais velocidade e penetradas mais intensas (é!). Depois de um tempo, Sloan sacou a brincadeira e forçou o jogo debaixo da cesta, minando a estratégia texana.

Com mais de metade da temporada tendo ido pro vinagre, tenho que admitir que começo a ficar extremamente preocupado com o futuro dessa equipe. Contra o Jazz, quando precisou, ninguém foi capaz de converter uma mísera bola de três, mesmo sem marcador nem nada, né, George Hill? É sacanagem culpar o Hill, claro, até porque ele vem sendo um dos únicos que se salvam.

Parker está muito mal. Tenho para mim que, se há um problema físico, este tem que ser tratado o mais rapidamente possível. O elenco é bom o suficiente para sobreviver meia temporada sem o Parker e ainda se classificar com folga para a pós-temporada. Mas Pop é teimoso, o francês quer jogar… aí já viu; vamos ficar nesse lenga-lenga para sempre, o TP vai continuar no sacrifício e nos playoffs teremos um jogador meia-bomba incapaz de correr atrás dos adversários. Ontem, quando precisou marcar o rápido Deron Williams, Parker nem viu a cor da bola.

Richard Jefferson é bom jogador, mas a cada dia constato mais um pouco a minha tese de que ele ainda está perdido no plano de jogo. É difícil para um líder de franquia se tornar, do dia para a noite, um mero coadjuvante, a terceira ou quarta alternativa no ataque. RJ é humilde o suficiente para aceitar esse papel, mas isso requer tempo para se adaptar. Se alguém quer mágica que fale com o Mister M, o mágico dos mágicos. Esse sim daria um jeito no Spurs.

Para finalizar, sei que esse time precisa de tempo… mas até quando?