Arquivo diário: 22/07/2009

O poder da mudança – o quanto foi importante?

Saudações torcedores do Spurs! Estreiando hoje e postando todas as quartas aqui no blog eu, escritor do antigo e hackeado NBA Champions, estou iniciando uma nova era na coluna “Um outro olhar”. Meu nome é Renan Ronchi e estarei aqui uma vez por semana para fugir um pouco do tema “Spurs” e falar um pouquinho mais da liga ao seu redor. O tema do primeiro texto não podia ser outro senão as principais mudanças na liga, com esse período agitado dos free agents indo e vindo. Como são muitas mudanças acontecendo em pouco tempo e ainda muitas outras estão por vir, falarei das 7 trocas que, na minha visão e provavelmente na de todos, mais irão mudar as coisas dentro da liga norte-americana. Muitos fatores estão inclusos, mas o principal deles, sem a menor dúvida, foi o quesito “nome” para definir quais farão as maiores diferenças em suas equipes.

Richard Jefferson – San Antonio Spurs

Começando com uma das trocas mais bem feitas de todo esse período da free agency. Feita sem ninguém lançar qualquer rumor sobre a troca (até porque, se surgisse, provavelmente colocaria Parker ou Ginobili no meio), o Spurs se livrou de três jogadores que não estavam rendendo bem (não aguento mais ver o Kurt Thomas jogando basquete, até eu tenho mais pernas que ele) e adicionou ao seu trio uma quarta peça extremamente importante. Richard Jefferson, que já foi membro de um dos trios mais mortais da liga, ao lado de Jason Kidd e Vince Carter, não é tão bom defensor quanto Bowen foi, mas Bowen já não rendia bem não era de hoje com a chegada da idade. Jefferson dá um arsenal a mais no ataque do time, tendo força física para infiltrações, um bom chute de 3 pontos e rápido o bastante para os contra-ataques, além de não ser uma “bomba relógio” para o time (como alguns jogadores encrenqueiros). Pra ser sincero, não me lembro de nenhuma briga envolvendo ele. É tão certinho que cai como uma luva no Spurs, que, na minha opinião, entra na frente do Nuggets na briga pelo título.

Ron Artest – Los Angeles Lakers

Se você não entendeu o termo “bomba relógio” do parágrafo acima, aqui você irá entender. Ron Artest é o maior exemplo de bomba relógio da liga. Em 2004/2005, Artest fazia parte de um Indiana Pacers que absolutamente ninguém duvidava de sua capacidade. Ron Artest, Reggie Miller, Jermaine O’Neal, Stephen Jackson, Jamaal Tinsley, dentre outros, era um time que ninguém botava defeito no papel. No papel. Logo no começo da temporada, Artest se envolveu em uma das maiores brigas da história da NBA em um jogo contra o Detroit Pistons, e ganhou uma suspensão de 73 jogos nunca antes alcançada por nenhum bad boy. Moral da história? Artest só jogou sete jogos na temporada regular, e isso, combinado a contusões e outros fatores extra quadra daquele time de encrenqueiros, fizeram o Pacers conseguir “míseras” 44 vitórias e ser batido pelo próprio Detroit Pistons no segundo round dos playoffs.

Em suma, Ron Artest pode tornar o Lakers um time imbatível ao mesmo tempo que pode levá-lo ao fracasso. Não que ele seja muito melhor que Ariza ou Odom, mas o seu espírito “Clutch”, ou seja, seu poder de decisão é inegavelmente maior. Esse é o motivo que pode levar o Lakers a mais uma conquista. Porém, se ele for punido, o Lakers terá que contar com Luke Walton de titular, e por isso Artest pode ao mesmo tempo levantar ou espatifar o atual campeão.

Rasheed Wallace – Boston Celtics

Sheed aceitou ser reserva ganhando uma MLE, o mínimo que ele receberia testando o mercado. O que isso significa? Que ele escreveu na testa “cansei de dinheiro, quero ganhar outro anel”. E condições para isso ele tem. O banco do Celtics, que mostrou uma certa fragilidade em alguns jogos temporada passada, forçando o poderoso trio a voltar à quadra, dessa vez conta com um ala-pivô alto, forte, que arremessa bem e fala tanto quanto o ala pivô titular. Você pode pensar “Mas o Rasheed também não seria uma bomba relógio?”. Bem, eu não consigo imaginá-lo afundando o Boston Celtics,;muito pelo contrário. Sua presença significa uma solidicação no garrafão e no banco de reservas, e é mais um pra fazer o pobre Glen Davis chorar.

Hedo Turkoglu – Toronto Raptors

É uma transação significativa, embora eu duvide que dê muitos resultados. Turkoglu, apesar de já ser veterano e não ter pernas para aquele run and gun, é uma ótima aquisição do Raptors, que ainda conta com Chris Bosh e o armador Jose Calderon como principais nomes. Além do chute de 3 impecável e a inteligência dentro de quadra, suficiente para decidir jogos,  ele ainda pode dar uma “acalmada” no time nos momentos decisivos. Afinal de contas, um time cujos maiores nomes são jovens é sempre propenso a perder um jogo pelo desespero no final de tudo. Turkoglu veio para amenizar (não resolver) esses problemas, porém o time ainda não está pronto para lutar por mais do que uma vaga nos playoffs. Será necessário um trabalho de reconstrução muito maior para levantar esse time, que ainda não representa perigo pra ninguém.

Vince Carter – Orlando Magic

Perder o Turkoglu não fez tão mal assim com a aquisição de Vinsanity. O Magic perdeu um pouco sua “identidade”. O chute de 3 do Carter nem de longe é ruim, mas não é mais aquele time que você pode dizer que só sabe chutar. Muito pelo contrário; o time agora tem um arsenal de ataque ainda maior. Dificilmente Vince vai dar aquelas enterradas que assistimos no Youtube, mas agora nenhum time terá que se preocupar somente com Dwight Howard dentro do garrafão. O time novamente se firma como um candidato ao título, porém é necessário agir rápido. A idade de seus principais role players está chegando e o contrato de Rashard Lewis ainda não começou a assombrar o time.

Shaquille O’Neal – Cleveland Cavaliers

A troca mais comentada de todas. Shaq foi para o Cavaliers. Não importa que o Cavaliers já tinha um garrafão excelente, muito menos que perderam Ben Wallace, que rendia bem de ala-pivô improvisado, e que Ilgauskas vai perder minutos, afinal Shaq foi para o Cavaliers. Particularmente, detesto essa babação de ovo em cima do O’Neal. Apesar de já ouvir por aí comparações entre Kobe/Shaq e LeBron/Shaq, tenho minhas dúvidas se essa dupla dará certo. Sinceramente, se me pedissem pra escolher HOJE entre O’Neal e Ilgauskas, eu escolheria o pivô mongo. Até porque jogar um dos dois no banco pode causar um clima tenso na equipe, que mostrou um ótimo entrosamento na última temporada, e isso significa colocar Varejão de titular. Não que ele não mereça, mas o time do ano passado me parecia um pouco mais confiável. Só o tempo dirá se isso dará certo ou não, mas uma final entre LeBron e Shaq contra Kobe daria ao Stern mais dinheiro do que a Mega Sena acumulada.

Shawn Marion – Dallas Mavericks

O concorrente direto do Spurs hoje pode receber tranquilamente o apelido de asilo da NBA. Somando as idades de seus principais jogadores (Jason Kidd, Jason Terry, Dirk Nowitzki, Erick Dampier e agora Shawn Marion) têm-se a incrível quantia de 167 anos, três vezes a minha vó! Panela velha é que faz comida boa o escambau, quem aí vai ter pique pra marcar as jovens estrelas que estão surgindo? Sem a menor dúvida, não podemos dizer que foi uma má escolha. Shawn Marion ainda é um jogador versátil, capaz de jogar em mais de uma posição e puxar contra ataques, fora sua capacidade fenomenal de dar enterradas associada ao seu arremesso estranho. Mas será que o Mavericks precisava de mais um veterano ao invés de um jovem jogador para dar mais gás à equipe? Já faz algum tempo que o Mavericks deixou de ser uma potência para ser um time que não bota mais medo em ninguém na liga, e dificilmente será esse ano que isso irá mudar.

Essas foram as principais trocas. Que conclusão podemos tirar disso? Os times candidatos ao título ainda continuam candidatos ao título, porém dessa vez vemos times como o Spurs e o Magic mais firmes do que times como o Nuggets e o Hornets. E, quem sabe, não podemos ver dois desses times citados na final do próximo ano.