Arquivo diário: 16/07/2009

Um outro olhar – Especial Bola Presa

Olá caros leitores!

Excepcionalmente hoje, não teremos a coluna “Na Linha do 3”, como vocês estão acostumados. Ao invés disso, teremos aqui mais uma vez a coluna “Um Outro Olhar”, com mais uma participação especial. Desta vez nosso convidado é o famoso (ou nem tanto) Dênis, que, ao lado de seu amigo Danilo, é um dos criadores do conhecido blog Bola Presa. Mas chega de “lenga lenga” e de “blá blá blá” e vamos ao que ele escreveu especialmente para nós, torcedores mais odiados da NBA. Como de costume, o texto é gigantesco; mas tenham paciência, vale a pena conferir.

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Olá pessoal do Spurs Brasil. Aqui é o Denis lá do longínquo Bola Presa. Primeiro, devo falar que é esquisito demais escrever para um público que gosta do Spurs; eu sempre escrevo sabendo que qualquer piada com o Spurs dará certo, afinal todo mundo odeia o Spurs. É tão infalível quanto piada com argentino.

Bola Presa Vocês já devem saber disso, mas torcer para um time odiado é legal demais; como torcedor do Lakers e do Corinthians, eu sei muito bem disso. Os desprazeres de ouvir bobagem quando o time perde são menores do que o prazer de esfregar uma vitória na cara. E no caso da NBA pra gente aqui no Brasil ainda ter um time odiado significa mais uma coisa, que o seu time é muito bom.

No futebol isso não funciona; inúmeros fatores históricos, culturais e regionais fazem com que um time seja odiado aconteça o que acontecer. Já na NBA não. Aqui é bem simples, a gente odeia quem ganha demais.

Vencer uma vez é “perdoável”, vencer mais de uma vez é um saco, estar sempre na briga do título é xingar a mãe dos torcedores dos outros times! Não sei explicar o porque, mas talvez venha da nossa necessidade de ter sempre os bonzinhos, os caras do mal, os alternativos, os ousados e trocentos estereótipos para romancear tudo a nossa volta. Nessa brincadeira o seu Spurs virou o vilão.

Ser vilão, portanto, significa ser um time relevante e um time vencedor. Ninguém nunca elegeria o Grizzlies como o vilão da NBA, muito menos o coitado do Clippers. Cabe a um time frio, eficiente e vencedor esse papel. Felizmente, para a próxima temporada teremos um vilão renovado. Tem coisa mais chata do que vilões fracos? O Batman é muito mais legal que o Super-Homem basicamente por causa de seus vilões muito mais interessantes, por exemplo.

Com a chegada de Richard Jefferson, Antonio McDyess, dos novatos Blair e McClinton, além da volta do Manu Ginobili, o Spurs tem elenco pra voltar para a briga do título. Se na temporada passada, mesmo dando tudo errado (mesmo sendo ano ímpar!) o time se classificou bem na temporada regular, é sinal de que só faltavam uns detalhes mesmo. Detalhes como banco de reservas e até qualidade no quinteto titular, como ficou bem exposto na série contra o Mavs, onde o Spurs só tinha chance quando o Parker brincava de treino de bandeja.

Mesmo nos anos mais áureos do Tim Duncan, quem consagrava o time eram sempre os coadjuvantes. Primeiro o cara de bobo descarregava seu arsenal de jogadas de garrafão até o outro time entrar em desespero e dobrar a marcação, então ele passava a bola e os jogos eram resolvidos pelos outros. No ano passado, os outros eram o Matt Bonner e um Roger Mason, que amarelou feio nos playoffs. Assim não dá – o Lakers não teria sido campeão se a ajuda do Kobe viesse só do Sasha Vujacic.

Vamos dar uma olhada rápida no que cada um trás para o time:

Richard Jefferson: Não tem a defesa do Bowen mas tem o arremesso de três, e é um ótimo parceiro de contra-ataque para o Tony Parker.

Antonio McDyess: É o arremesso de meia-distância que o Spurs precisa pra dar espaço para o Duncan e as infiltrações. Nunca deixou a desejar nos rebotes também.

Dajuan Blair: O homem dos braços mais longos da terra chega pra ser o Paul Millsap do Spurs. Pelo pouco que vi, é um espetacular reboteiro.

Jack McClinton: O chamam de “clone do Eddie House”. Prevejo um ataque cardíaco do Popovich até março de 2010.

Com essas quatro peças e mais o Manu Ginobili, o Spurs já tem um elenco torcentas vezes melhor que o do ano passado. Com todos na mão do Popovich, não duvido que depois de pouco tempo já estejam todos funcionando naquela máquina de basquete mecânico que o Pop e um cientista maluco criaram há 10 anos. Só acho que falta uma pecinha nessa engrenagem.

Falta alguém que libere o Tim Duncan, um dos melhores alas de força de todos os tempos, a jogar de ala de força. Pode parecer frescura minha, mas o Duncan de pivô é um desperdício gigantesco. É como ter o melhor atacante do mundo no seu time e usar ele de meia. Ou ter o melhor volante e o improvisar na zaga.

Se o cara é bom, vai jogar bem na outra posição também; é o caso do Duncan, mas não vai ser o melhor da história como era antes.

Há alguns anos até daria mais certo; o Duncan era mais rápido e mais forte. Agor,a com a idade pesando nas costas, fica mais difícil pra ele aquela vida sofrida de pivô, os pedreiros da NBA, que se degladiam em busca de rebotes e se empurram toda jogada atrás de um metro quadrado de garrafão. O arsenal ofensivo do Duncan e seu arremesso (marca registrada) na tabela pedem um jogo mais afastado, luxo que ele não terá durante muito tempo se o nanico do Blair ou o finesse do McDyess forem seus principais parceiros.

Eu sei que achar pivô por aí não tá fácil; a crise tá mals e tem gente pagando caro até pra ter pivô reserva. Mas tem algumas opções no mercado. Muito torcedor do Spurs que eu conheço vai me matar por isso, mas um dos pivôs disponíveis que liberaria um pouco o Duncan é o Francisco Elson, que já teve seus bons momentos no Spurs. Ele seria uma contratação barata e bem útil. Como opções mais jovens, o que não é nada típico do Spurs, poderiam apostar no Ike Diogu, que fechou bem a temporada passada no Kings, ou até o branquelão do Aaron Gray. Em último caso, dá até pra trazer o Nesterovic, outro conhecido da galera.

Nem sei se o Spurs vai atrás de um pivô, mas se for se torna um vilão ainda mais forte do que é. E é isso que eu e todos os que acompanham NBA fora desse blog querem: um Spurs bem forte pra gente poder odiar com gosto!

Blair assina com o Spurs

Principal novato recrutado pelo San Antonio Spurs no último draft, o ala-pivô DeJuan Blair firmou contrato com a equipe do Texas e, por isso, agora é oficialmente um jogador do time prateado. O acordo entre as partes foi fechado com facilidade, e fará com que o jovem passe os próximos três anos em San Antonio. O anúncio oficial ainda não foi feito, e devido a esse fator os valores ainda são apenas especulados.

Draftado na 37ª escolha, o ala-pivô novato DeJuan Blair conseguiu assinar contrato com o Spurs (Foto por Tom Reel/Express-News)

Draftado na 37ª escolha, o ala-pivô novato DeJuan Blair conseguiu assinar contrato com o Spurs (Foto por Tom Reel/Express-News)

O analista esportivo Jonathan Givony afirma que o vínculo com duração de três temporadas renderia cerca de US$ 3 milhões para Blair. As discussões finais entre o agente do ala-pivô e o Spurs ficam acerca de uma possível opção de renovação automática em caso de desejo do time, claúsula que deve ser sacramentada em breve.

O jogador atuou em apenas uma das duas partidas que o time disputou na Liga de Verão de Las Vegas, por precaução médica. Após operação realizada quando ainda atuava no basquete colegial, Blair não tem totais condições no joelho, e por isso deve entrar em quadra aos poucos. O problema no joelho, inclusive, foi a principal motivação para sua queda de posição no draft – o jogador era cotado como escolha TOP 15 e acabou sendo selecionado apenas na segunda rodada.