Na UTI do esporte

Não cansamos de nos queixar da situação na qual se encaixa o basquete brasileiro atualmente; isso é um fato. Não vamos para as Olimpíadas com o masculino desde o longínquo 1996, quando Leandrinho, Nenê, Varejão e cia. não era nem projetos de astros da NBA. Muita coisa mudou no mundo de lá para cá, menos a organização do basquete brasileiro, é claro. Mas você já parou para pensar o que VOCÊ já fez pelo basquete brasileiro?

Não, não estou aqui para julgar e nem nada, afinal acredito mesmo que frequentadores de um blog sobre um time da NBA sejam realmente amantes do esporte da bola laranja no país onde o que importa é somente – e somente mesmo – o esporte das bolas brancas no gramado. O julgamento não deve ser feito nem por mim e nem por ninguém, mas o basquete brasileiro é um caso a ser pensado. E tomo como exemplo algumas experiências que tive no basquete e no futebol, para efeito de comparação – e lembrando sempre que sou amante dos dois esportes.

Você já foi em um estádio de futebol no Brasil? Se já, sabe do que estou falando. Se não, darei uma leve impressão. Já fui em muitos, mas muitos jogos mesmo de futebol. Desde partidas quase sem expressão – para a mídia, claro, pois para o torcedor qualquer jogo é importante – até grandiosas finais ou jogos da Seleção.  E o que se vê são estádios aos pedaços, organização precária e um futebol não tão bem jogado assim na maioria das vezes. A paixão, no entanto, move o futebol aqui e no mundo.

E em um ginásio de basquete, você já foi? Pois bem, fui pela primeira vez no último sábado, assistir à semifinal do Paulista masculino entre Paulistano e Franca, sendo o primeiro time o mandante. O clube é organizado, mas não graças ao basquete: é um clube para sócios e a maioria faz parte da alta sociedade paulistana. O ginásio de basquete não é só para o basquete, é um desses poliesportivos que servem até para se jogar peteca. As torcidas? Uma de cada lado e uma meia dúzia de oficiais da Polícia Militar para garantir a paz.

E é neste ponto que eu queria chegar: a torcida. Dividida metade a metade, era constituída de uma maioria de sócios do Paulistano no lado do time da casa, dando espaço para simpatizantes do time e torcedores que foram lá só para ver o jogo – meu caso. Do outro, torcedores do Franca, mas que mais pareciam estar lá para secar o Paulistano, não vindos da distante cidade do interior paulista. Ou seja, poucos ali – poucos mesmo – estavam presentes naquela abafada tarde de sábado por amor ao time. Qualquer time.

Pensei muito sobre aquilo e, somado ao fato de ver na torcida pessoas com uniformes do Cleveland Cavaliers, do San Antonio Spurs, do Miami Heat e de outros, cheguei à conclusão de que hoje não existe paixão do torcedor com o basquete nacional. Não mesmo. Existem aqueles que como eu amam o esporte e se contentam com qualquer jogo para estarem em contato com a modalidade. E esse fator é um dos agravantes da decadência na qual se encontra o basquete aqui em nosso país.

Se duvida, olhe o futebol: organização pífia, pouco dinheiro, clubes falidos e… uma massa de seguidores. Movidos de? Movidos de paixão.

Peço perdão pela espécie de desabafo – até certo ponto nem tão bem feito – que fiz neste espaço hoje. Mas sou daqueles que acompanham com pesar as tentativas de reanimar um paciente em estado terminal. Terminal que parece nunca acabar. Quem sabe não está próximo o dia de o basquete deixar a UTI do esporte? Quem sabe…

Sobre Leonardo Sacco

É jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero. Cravou a opção pelo jornalismo no estouro do cronômetro, quando criou o Spurs Brasil em uma madrugada de domingo para segunda. Escreve para o Yahoo! Esportes e dá seus pitacos no @leosacco.

Publicado em 13/01/2009, em Na linha dos 3. Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. Olha eu acho que ninguem tem de pedir desculpas por desabafar sobre o basquete brasileiro, realmente à anos a situação do esporte no Brasil está preta.

    O unico torneio que ainda atrai o publico é o Paulista.

    A nova liga que foi constituida a pouco tempo, sinceramente, eu até queria pensar positivo mas pelo visto, mas não consigo ver com ela grandes melhoras no futuro

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