Arquivo diário: 10/01/2009

Quando o basquete entra em quadra

Além dos preparativos para a nova liga brasileira de basquetebol, que começará no próximo dia 28, o basquete invadiu os noticiários brasileiros com outras cenas, essas bem mais fortes. Ninguém da organização da Euroliga de basquete achou que fosse uma boa idéia cancelar o confronto entre um time turco e um israelense em meio à triste guerra que vem ocorrendo na faixa de gaza. Resultado: os isaraelenses tiveram que ser retirados da quadra sob fortes ameaças.

Em primeiro lugar, gostaria de dizer que sou a favor do uso político do esporte, mas sou contra seu uso para se fazer politicagem. A diferença; quando Hitler tentava provar a superioridade da raça ariana por meio do atletismo, ele fazia politicagem. Quando Kanouté faz um gol e exibe uma mensagem de apoio aos palestinos, ele está fazendo política. A diferença é que ele (pelo menos eu prefiro acreditar nisso) não tem nada a ganhar com isso, nem mesmo sua auto-promoção.

Quando os turcos expulsam os isaelenses da quadra, eu sinceramente não sei o que pensar. Aqueles esportistas não são os culpados da guerra. Talvez, um ou outro deles não sejam sequer simpatizantes da política Israelense. E quanto aos estrangeiros que jogam ali? Sem dúvida nenhuma, foram desrespeitados.

Por outro lado, como ser ouvido então? Sem dúvidas, os turcos fizeram na quadra os que os israelenses vem fazendo na faixa de gaza; se impondo pela força, sem importar-se com a inocência ou não de seus alvos. Como então condenar um protesto que conseguiu ser ouvido, provavelmente, no mundo inteiro?

De posição tomada mesmo, tenho apenas a lamentar o fato de o clube israelense ter se recusado a deixar a euroliga; o time coloca vidas em risco para promover a força de seu país e sua política de imposição. E isso, na minha opinião, é fazer politicagem. Nem o título da Euroliga paga o preço de uma vida sequer daquelas que vem sendo aniquiladas em Gaza.