Arquivo diário: 23/09/2008

A fatídica relação ‘Clube-Seleção’

A última semana foi marcada por um evento que tomou, em poucos minutos, proporções mundiais. A falência de um dos maiores bancos dos Estados Unidos e a ‘quase falência’ da AIG, maior companhia de seguro do mundo, que tem como sede o já citado país, praticamente estagnaram o mundo dos negócios ao longo dos cinco continentes. No epicentro do caos (EUA, claro), os estragos demandaram investimentos monstruosos por parte do Estado local, cifras que atingiram as centenas de bilhões de dólares despejadas em alguns minutos sobre investidores sedentos por altas de bolsas e volta da estabilidade no mercado de ações mundial.

Podem vocês, leitores do Spurs Brasil, achar que nada do que aqui foi dito até o momento tem relação com a franquia do Texas para qual a grande maioria dos leitores deste blog é fã. Ledo engano. O San Antonio Spurs pode ser uma das franquias que mais tem chances de sofrer com a crise pela qual os EUA estão passando. Por quê? Simples: a AIG, citada acima como uma das companhias que quase quebrou – salva pelo governo como os indiozinhos da música ‘quase, quase virou…mas não virou!’ – é nada mais nada menos do que a seguradora de Tony Parker enquanto o francês defende sua pátria no classificatório para o Eurobasket, torneio continental de seleções.

Ou seja, caso o jogador se lesione defendendo a França, o Spurs não terá para quem pedir indenização! Isso mesmo, leitor. Como pedir dinheiro para um fundo que está falido? Pois o Spurs é o time que pode perder mais com essa crise, afinal Parker é simplesmente um dos três melhores jogadores que a franquia tem à sua disposição.

Tal situação abre um velho e cansativo debate: até que ponto a relação entre atletas e seus times pode ser quebrada devido a convocações nacionais? A França, nesse caso, não despejou um centavo para ter Parker, não investiu em seu crescimento como jogador e apenas o usa algumas vezes por ano. Já o Spurs paga salários, médicos e tudo que há de melhor para que o armador desenvolva seu melhor jogo. É justo uma equipe arcar com danos que seus atletas sofrem longe de seus cuidados? Pois bem, essa é, com certeza, uma das maiores discussões de todos os esportes, não só do basquete. Minha opinião: o seguro é obrigatório, e em caso de não ressarcimento por danos causados, o jogador nunca mais volta a ser convocado. E ponto final.

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