Viagem pré-olímpica pelo mundo

Começou nessa segunda-feira o Pré-Olímpico Mundial de Basquete Masculino, disputado em Atenas, Grécia. Como todos já estamos cansados de saber, essa é a última chance que os homens que representam o basquete nacional têm de não ficar fora da terceira Olimpíada consecutiva. Pois o caminho das pedras, como pode ser chamado o torneio, não será em nada fácil para nosso selecionado. Mas hoje falarei sobre o lado fraco desse Pré-Olímpico, e as disparidades que rondam os continentes no âmbito esportivo – o lado social é melhor nem discutirmos.

Primeiro, separemos os representantes de cada continente. Vindos das Américas estão Brasil, Porto Rico e Canadá; oriundos da África, Camarões e Cabo Verde; de origem asiática são o Líbano e a Coréia do Sul; já da Europa, temos Grécia, Eslovênia e Alemanha; por fim, a solitária Nova Zelândia representa a Oceania. Com os países devidamente divididos, comecemos nossa análise.

As Américas enviaram um representante para cada terço de sua extensão: Sul, Central e Norte. Desses, o mais cotado para obter a vaga olímpica é Porto Rico. Os porto-riquenhos estão seguidos dos brasileiros e, posteriormente, canadenses no quesito “chances de se classificar”. O grande fator pode ser a proximidade desses países de dois centros do basquete: os Estados Unidos e sua NBA e a Argentina e seu celeiro de ótimos jogadores. Ser eliminado no Pré-Olímpico americano não é de todo ruim, mesmo com a Argentina sem seus titulares. Desses três, confio na classificação brasileira ou porto-riquenha. O Canadá, sem Nash não deve passar das quartas de final.

A África e seus representantes condizem com o que se espera de um continente mutilado pela fome e pela pobreza. Seus times podem endurecer alguns minutos, mas não suportarão a pressão de jogar contra Alemanha (Cabo Verde) e Porto Rico (Camarões). É uma pena que a África não tenha representantes à altura do torneio. Talvez nem Angola, representante africano nos Jogos, fosse capaz de fazer frente as já citadas seleções não-africanas. Acredito que se algum desses dois times passar as quartas de final, já estaremos diante de uma enorme zebra.

Seguindo a ordem, viajemos até a Ásia. Seus representantes no torneio grego são o Líbano e a Coréia do Sul. O Líbano, por muitas vezes, é visto mais como africano do que como asiático, graças a sua colocação geográfica – fica próximo a Israel, no Oriente Médio. A simples colocação de “Oriente Médio” já mostra os problemas extra-quadra que o Líbano sofre. Somados ao fato de a seleção deles não contar com nenhum grande jogador, os coloquemos como carta fora do baralho. Já a Coréia do Sul é um time de pouquíssima tradição e, apesar de não sofrer com problemas fora das quadras como o Líbano, tem um selecionado fraquíssimo e, por isso, também descarto na briga pela vaga. Os únicos representantes asiáticos devem ser a anfitriã China e o Irã, classificado no Pré-Olímpico local.

O próximo continente é a onipotente Europa. Berço da civilização ocidental, os europeus entram com o maior número de equipes cotadas para obter vagas em Pequim. A Grécia é a atual vice-campeã mundial, e só isso já seria fator suficiente para ser a favorita ao título. Mas eles também jogam em casa. A sólida defesa grega deve carimbar a vaga sem tantas dificuldades, apesar de ter em seu grupo o respeitável Brasil. Já a Alemanha conta com o fator Dirk Nowitzki, MVP da NBA em 2007 e que, junto com Chris Kaman, pivô do Los Angeles Clippers que se naturalizou alemão, pode sim almejar a vaga. Mesmo que Kaman não se entrose com o restante do time. Por fim, a Eslovênia vem com a tradição do Leste europeu, que será representado em Pequim pela sempre presente – e forte – Lituânia e pela agradável Rússia. Não descarto os eslovenos, mas acho que sua classificação para os Jogos é um tanto quanto difícil. Mas a Europa já conta com os já citados Rússia e Lituânia, além dos atuais campeões mundiais da Espanha. É bem capaz que o continente acabe com quatro ou cinco representantes nos Jogos.

Por fim, a Oceania. Geograficamente, já podemos explicar a classificação da Austrália para as Olimpíadas. Uns 90% do continente são ocupados pelo país, que deixou para a Nova Zelândia a função de disputar o Pré-Olímpico Mundial. Os neozelandeses jogam um basquete baseado na força, assim como os australianos. E eu os coloco sim como candidatos a uma vaga. Tudo depende de como a seleção deles atuará contra seu maior rival na primeira fase: a Alemanha. Se vencerem, disputarão vaga provavelmente com o Brasil – que deve ficar em segundo no seu grupo. E Brasil x Nova Zelândia será um duelo interessante. Mas nada de bancar o vidente aqui.

Enfim, amigo leitor, podemos concluir que o Pré-Olímpico será uma disputa entre América e Europa pelas vagas nos Jogos. A única intrusa na festa pode ser a Nova Zelândia. Se me pedissem um palpite hoje, estufaria meu peito de nacionalismo barato e diria: “Brasil, Grécia e Porto Rico obterão as vagas”. Mas o caminho das pedras é mais difícil do que parece.

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Sobre Leonardo Sacco

É jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero. Cravou a opção pelo jornalismo no estouro do cronômetro, quando criou o Spurs Brasil em uma madrugada de domingo para segunda. Escreve para o Yahoo! Esportes e dá seus pitacos no @leosacco.

Publicado em 15/07/2008, em Na linha dos 3. Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. Deeescuulpaa…aaaapaaagaaa issso pooor faaavoor

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