Do céu ao inferno

Hoje estréia a última das novas colunas do blog Spurs Brasil, que será chamada “Passando a limpo” e sairá todos os domingos escrita por mim, Victor Moraes (aliás, como eu estou estranho nessa foto da barrinha, vou providenciar outra urgente! hahahaha), e meus companheiros de blog Glauber da Rocha e Robson “Koba”. Ela terá como conteúdo os assuntos mais importantes da semana, com algumas estatísticas, para quem gosta de números, e também um pouco de história. Biografias, artigos especiais sobre jogadores e jogos inesquecíveis também sairão nessa coluna; então, não deixem de acompanhar.

O assunto desta semana no “Passando a limpo”, como não poderia deixar de ser, será a seleção masculina de basquete, os pedidos de dispensas e o pré-olímpico que se aproxima.

Hoje temos que lidar com a desorganização de nossa confederação e com jogadores sem espírito patriota, e não conseguimos ir a uma olimpíada desde 1996, em Atlanta. Mas se engana quem pensa que nosso basquete sempre foi assim. Se hoje somos insignificantes no cenário mundial, outrora fomos grandes potências, conquistando títulos e medalhas frente as poderosas seleções de EUA e da extinta URSS.

O primeiro grande feito de nossa seleção foi nos jogos olímpicos de 1948, em Londres. A 2ª guerra mundial havia terminado e o as olimpíadas estavam de volta. Naquele ano, conquistamos a medalha de bronze, ficando atrás apenas de França e do favorito absoluto EUA. O elenco brasileiro estava desfalcado e contava apenas com 10 jogadores, contra 14 dos adversários e, mesmo contra as adversidades, impomos uma forte defesa e saímos com o bronze no peito. Foi a primeira medalha do basquete brasileiro em olimpíadas. Foi o marco inicial para inúmeras conquistas.

Em 1959, outra conquista inesperada, mas dessa vez uma surpresa maior ainda. Conquistamos o nosso primeiro campeonato mundial, torneio disputado no Chile. Liderados por Wlamir Marques e Amaury Passos, principais jogadores da equipe, surpreendemos a todos perdendo apenas para a União Soviética, e superando inclusive os EUA. É verdade que um detalhe político fez a diferença para que no sagrássemos campeões. A URSS se recusou a enfrentar a China e ficou fora da decisão do título. Mas isso não tira os méritos de nossos atletas que realizaram façanha inédita.

Jatyr e Algodão completavam a base dauela seleção ao lado de Wlamir e Amaury, mas a equipe também tinha um destaque fora de quadra, no banco de reservas: o técnico Togo Renan Soares, conhecido como Kanela, dava seus primeiros passos em uma trajetória de sucesso. Kanela se tornou o técnico mais vitorioso da história de nossa seleção. Logo em seguida, em 1960, nos Jogos Olímpicos de Roma, conquistamos outra medalha de bronze, mas o melhor ainda estaria por vir alguns anos depois.

Em 1963 a seleção repetiu a dose no mundial, dessa vez disputado aqui mesmo no Brasil. Sagramo-nos bi campeões mundiais. O Brasil passou por 12 adversários e saiu sem sofrer nenhuma derrota, vencendo inclusive adversários como Iugoslávia, URSS e EUA. Foi a consagração do esporte brasileiro, que colocou seu nome na galeria entre as principais equipes do mundo.

Nos jogos de 1964, em Tóquio veio mais uma medalha de bronze, e em 68, na Cidade do México um quarto lugar. Em Munique-72 a seleção entrou em um período de decadência com os principais jogadores se aposentando e ficou apenas em sétimo, e, em Montreal – 76 não conseguimos classificação.

Em 1980, voltamos aos jogos graças ao surgimento de uma nova geração liderada por Oscar Schimdt, que participou de de 5 olimpíadas (de 1980 até 1996) e se tornou o maior cestinha da história dos jogos, com 1093 pontos em 38 partidas, uma incrível média de 28,7 ppg. Infelizmente Oscar não conseguiu uma medalha olímpica; os melhores resultados foram três quintos lugares, em 1980, 1988 e 1992.

Mas, mesmo sem conseguir uma medalha olímpica, Oscar entrou para a história com uma conquista em outros jogos, os Pan-americanos. Em 1987, a competição foi disputada em Indianápolis – EUA, e Oscar, ao lado de Marcel, conseguiu uma medalha de ouro emocionante vencendo os donos da casa e favoritos ao título na final do torneio. A seleção americana jamais havia perdido um jogo de basquete em casa, e esta derrota mostrou aos americanos a força do basquete brasileiro.

Oscar se aposentou da seleção em 1996 após as olimpíadas, e desde então o basquete nacional nunca mais conseguiu grandes conquistas. Se quer conseguimos classificação para os Jogos Olímpicos após a saída do “Mão Santa”. E uma seleção que já foi potência do esporte, hoje tem que conviver com fracassos consecutivos.

Hoje o Brasil conta com inúmeros jogadores em times da Europa, e inclusive na Liga americana de basquete, a NBA, mas os fracassos recentes devem se repetir no Pré-olímpico que se aproxima. Pedidos de dispensas dos principais jogadores envergonham todo um país que já foi acostumado a grandes conquistas e hoje tem que agüentar desorganização, fracassos e a falta de patriotismo e de respeito à seleção de alguns jogadores.

Talvez nossos dirigentes e jogadores atuais precisem de uma aulinha de história do esporte para aprender a respeitar essa nação que já esteve entre as maiores do mundo e hoje é motivo de piada para os adversários.

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Sobre Victor Moraes

Formado em Jornalismo no ano de 2012 pela Universidade Metodista de São Paulo. Fanático por esportes, sobretudo o basquete, passou pela redação do Diário Lance!, trabalhou na Liga Nacional de Basquete e no extinto Basketeria. Se orgulha de fazer parte da equipe do Spurs Brasil desde a criação em 2007.

Publicado em 15/06/2008, em Passando a limpo. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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