Arquivo diário: 10/04/2008

Artigo – Por que nos odeiam tanto?

Antes de tudo, antes de escrever e explicitar os motivos de estar fazendo tal artigo, alerto você, caro leitor, que este não seria o assunto deste espaço que hoje me é destinado. Provavelmente eu falaria sobre as disputas dos playoffs que começarão no próximo dia 19. Mas não; fui motivado a tratar desse tema após um acontecimento que chamou muito minha atenção.

Vamos aos fatos.

Tenho um grande amigo que é torcedor do Dallas Mavericks, maior rival do San Antonio Spurs na Liga. Pois bem, até aí nada melhor para ele do que fazer chacotas do meu time quando este perde algum jogo na temporada. Nada mais natural do que ele vir falar cobras e lagartos para mim depois do Spurs perder para o Mavs, certo? Errado! Pois imaginem só que ontem (dia 9), abri meu scrapbook do Orkut por volta das 23:50. O jogo entre Phoenix Suns e San Antonio Spurs corria na ESPN e meu time ia perdendo em casa para o time do Arizona. Voltando aos meus scraps, vejo ali o carinhoso recado desse meu amigo, com os dizeres “Vai Suns lindo!”. Foi nessa hora que tratar do ódio das pessoas em relação ao Spurs e seus jogadores tornou-se primordial para mim.

Se não entenderam minha motivação, prestem bem atenção no raciocínio: Dallas Mavericks é o time que esse cara torce. O maior rival dele é, com certeza, o San Antonio Spurs. E obviamente é ótimo zoar um adversário quando ele perde, seja essa derrota pra você ou pra qualquer outro time. Mas alto lá! Ele estava torcendo por um time que ele deveria sentir algum rancor apenas com o intuito de ver o Spurs perder!! Isso mesmo, pois incluído nesse “Vai Suns lindo” está o desejo dele de ver o time texano ir para o brejo. Desejo esse que é muito maior do que ver o time que tem como uma das suas maiores estrelas um ex-Mavs – que fez muita falta ao time de Dirk e cia. – se dar mal! E o que acontece é que não é só ele quem pensa assim!

Dos torcedores atuais da NBA aqui no Brasil, cerca de 5% (puro chutômetro) torcem para a equipe liderada por Tim Duncan. O resto torce para as mais diversas equipes, como Lakers, Kings, Blazers, Mavericks, Suns e etc.. E, além de torcerem para suas respectivas equipes, esses torcedores têm um prazer em comum: secar e zicar o Spurs. Isso mesmo. É impossível negar que hoje o grande prazer de alguns torcedores não se limita a ver seus times ganharem, mas também a ver o San Antonio e seus jogadores se darem mal.

Pois bem, o que leva esses torcedores a tal conduta? Não posso responder exatamente, mas posso buscar algumas opções. Vamos então a elas:

1) O efeito papa-títulos

Até 1997, o que era o Spurs dentro da NBA? Apenas mais um time sem títulos, mas que já havia contado com grandes jogadores em sua história. E depois de 1997, o que é o Spurs? Um time com quatro títulos conquistados em nove temporadas disputadas (1998/99 a 2006/07). Ou seja, quase 50% dos últimos nove títulos disputados vieram parar em San Antonio. Não é a toa que Michael Finley, ao deixar o Dallas Mavericks, atravessar o rio e desembarcar no AT&T Center disse que havia saído do Mavericks porque queria um título da NBA em sua carreira. Sábio Michael, soube analisar muito bem os números e foi recompensado com o tão sonhado título. Realmente, ganhar tanto em tão pouco tempo deve irritar muito nossos rivais…

2) O efeito Tim Duncan

Bobo, estranho, lento e soneca são alguns dos milhares de apelidos que torcedores rivais colocaram no ala-pivô Tim Duncan. Mas, em sã consciência, nenhum desses rivais deixa de admitir que Duncan mudou para sempre a história da franquia, sendo um dos melhores e mais dominantes jogadores de garrafão de toda a história da NBA. Mas logo começam as falas: “Ah, mas o Spurs entregou uma temporada só pra pegar o Duncan”. Mentira? Não, mas e o que temos a ver com isso? Nada. O processo realizado pelo time texano aconteceu apenas por uma lesão do então líder da equipe David Robinson. E atire a primeira pedra quem achar que o Spurs foi o primeiro e único time a realizar tal manobra para conseguir boa escolha no draft. Esse argumento não é válido, me perdoem…

3) Don’t cry for me Argentina…

Esse, com certeza, é um dos maiores motivos do ódio brasileiro em relação ao Spurs: Manu Ginóbili. Me desculpem aqueles que acham que a rixa Brasil-Argentina é baboseira criada pela Globo: não é. Ela existe e é muito forte, tanto aqui como lá (e eles nem tem Globo…). Eu, particularmente, sou grande admirador dos hermanos muito antes de Manu jogar no Spurs. E o sucesso do ala-armador jogando pela equipe do Texas incomoda muita gente. É um assunto que levanta polêmicas do tipo “Quem foi melhor: Oscar ou Manu?” e faz com que os ânimos se exaltem muito. Além disso, Manu tem aquele velho espírito esportivo argentino de cavar faltas, fazer cera, jogar com raça demais e etc.. E isso incomoda demais os adversários, é claro.

4) O(s) efeito(s) Bruce Bowen

Talvez esse seja um dos pontos mais polêmicos e que mais crie ódio nos adversários. Para os torcedores do Spurs, Bowen é um belo achado, ótimo na linha dos três e o melhor marcador de perímetro da Liga. Para os que não torcem para o time texano, ele é um assassino covarde que merece a cadeira elétrica. Calma aí, pessoal. Antes de continuar a ler, peço que dêem um olhada nesse vídeo, um mix dos chamados Bad Boys, uma excelente equipe montada pelo Detroit Pistons, que deixou marcas nas quadras, nos adversários, nas delegacias… Enfim, Bowen não é um jogador que tenha o nível técninco de jogadores que fizeram parte dessa equipe dos Pistons, mas o ódio a ele faz com que os Bad Boys ou até os Jailblazers (Jail = cadeia. Imaginem como era esse time do Blazers) pareçam santinhos. Bowen exagera sim! Mas exageram mais ainda aqueles que o condenam como um assassino de jogadores.

5) Planejamento invejável

Pois bem, o planejamento é sim um dos fatores que fazem um torcedor odiar um adversário. Até hoje, os torcedores de Detroit devem se perguntar porque Darko Milicic (nada contra ele, prestem atenção) foi a elevadíssima segunda escolha do Pistons, deixando para trás jogadores que hoje são top 10 na Liga, como Carmelo Anthony, Dwyane Wade e Chris Bosh. Já o Spurs escolheu jogadores do porte de Manu Ginóbili e Tony Parker (que para mim são melhores que Darko) em posições muito baixas no draft. Parker foi a 28ª escolha do first round de 2001, enquanto Manu Ginóbili, hoje um dos melhores estrangeiros na Liga, foi draftado na 57ª escolha (!!). Os bons drafts realizados por Gregg Popovich e sua equipe fazem com que a franquia vá se renovando e mantendo sempre seu nível. O nome disso? Planejamento.

6) O estilo de jogo

Jogo cadenciado, nada de jogadas espetaculares e nem de showtime. O que importa para o San Antonio Spurs é a eficiência. E essa, leitores, é a marca registrada do time texano. Se você acha o jogo do Spurs, então apegue-se a números e veja que o chato faz efeito. Desde a chegada de Tim Duncan, o time de San Antonio nunca ficou de fora dos playoffs. Sabendo que Duncan entrou no time na temporada 1997/98, logo podemos concluir que, com a classificação já obtida na atual temporada, San Antonio obteve nada mais nada menos do que 11 participações consecutivas na pós-temporada. Chato mas eficiente!

7) A torcida

“Antes do Duncan começar a jogar e eles ganharem um título eu nunca via um torcedor do Spurs”. Frase típica quando algum adversário se refere a torcida do time de San Antonio. Para eles, tenho apenas uma resposta: eficiência atrai torcida, que gera dinheiro, que possibilita aumento na eficiência. Pois é, meus caros. É um ciclo vicioso que o Spurs está criando.

Pois bem, esses foram os principais fatores que encontrei. Se você odeia o Spurs, com certeza se encaixa em um desses fatores. Se não odeia, provavelmente é um torcedor. Mas o importante é especificarmos que em primeiro lugar eu não coloco o Spurs acima do bem e do mal. Em segundo lugar, esse texto tem uma leve tendência de humor. E terceiro: eu sou San Antonio, vou defender meu time, ué;

E lembrem-se: odeiem com moderação.

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Notícia – Manu se lesiona e preocupa

O jogo de ontem entre Phoenix Suns e San Antonio Spurs, no AT&T Center, pode ter sido pior do que o imaginado pelos torcedores texanos. Isso porque, além da derrota, o time saiu de quadra com um de seus principais astros machucado. O ala-armador argentino, Manu Ginóbili, obteve uma lesão muscular no decorrer da partida de ontem.

A ausência de Manu é certa no jogo de amanhã contra o Seattle Supersonics, em casa. Já para o duelo mais importante dessa reta final de temporada regular, contra o Los Angeles Lakers, fora de casa, o argentino é dúvida, e só entrará em quadra caso esteja 100% fisicamente.

Ginóbili é o principal cestinha da equipe na temporada, ao lado de Tim Duncan, com média de 19,6 pontos por jogo. Além disso, o jogador é o mais cotado para vencer o prêmio de Melhor Sexto Homem da NBA, dado ao reserva mais efetivo na temporada.

Spurs vs. Suns – Mais do mesmo

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Do mesmo jeito que aconteceu na última partida entre os dois times, o Spurs, depois de uma partida disputada, fez um péssimo último quarto e perdeu pela terceira vez na temporada para o Phoenix Suns.

O Spurs começou mal no ataque, errando os três primeiros arremessos, deixando o Suns começar com 6-0. Porém, o time logo se recuperou, conseguindo reagir e virando a partida para 10-14. Tony Parker marcou, em três minutos e meio, seus 10 primeiros pontos na partida, levando o time à vitória na primeira parte da partida por 16-24.

No segundo período, mais uma vez o Spurs começou mal no ataque, errando quatro arremessos seguidos e levando 4 tocos, permitindo ao time do Arizona encostar no placar. Stoudemire estava fazendo grande partida, com 16 pontos até a metade da partida. Ginobili não jogava bem; tinha acertado apenas um arremesso em 7 tentados, incluindo um chute forçado no final do quarto. Os times acabaram indo para o intervalo empatados em 45-45.

Quando voltaram para continuar o jogo, Shaq fez seis pontos seguidos, colocando o Suns na frente por 51-49. Logo depois, Manu e Finley fizeram, combinados, 7 pontos, conseguindo virar novamente a partida em 59-62. Mas, chegando no final do quarto, o Spurs começou a errar muitos arremessos e, no momento final do quarto, Leandrinho acertou um arremesso de três pontos, terminando o período como Suns na frente com 72-68.

No último quarto, o Spurs não conseguiu manter o ritmo, da mesma maneira que aconteceu na última peleja em Phoenix. Mais uma vez o time texano foi ineficiente nos arremessos de quadra, e Duncan não conseguiu marcar Amare e Shaq; o último, inclusive, marcou 8 pontos só no último período da partida. Faltando três minutos para o final da partida, Amare acusou Bowen de acertar uma cotovelada nele e ouve um pequeno princípio de confusão, que logo foi apartado. No momento final, o recém-contratado Bobby Jones marcou seus únicos dois pontos na partida, dando números finais a batalha: 96-79.

Mais uma vez o Spurs não teve bom aproveitamento nos arremessos de quadra, acertando 34 em 81 tentados (42%). Os dois times mantiveram suas posições. O Spurs joga agora contra o Seattle SuperSonics, sexta, no AT & T Center.

Destaques da partida

San Antonio Spurs

Tim Duncan: 23 pontos, 10 rebotes e 3 tocos

Tony Parker: 20 pontos e 4 assistências

Michael Finley: 10 pontos, 4-5 nos arremessos de quadra e 2-2 nos arremessos de três pontos

Manu Ginóbili: 8 pontos, 4 rebotes, 4 assistências e 3-12 nos arremessos de quadra

Phoenix Suns

Amaré Stoudemire: 21 pontos, 4 rebotes e 3 bloqueios

Shaquille O’Neal: 16 pontos, 9 rebotes e 7-9 nos arremessos de quadra

Leandro Barbosa: 14 pontos, 6-9 nos arremessos de quadra e 2-4 nos arremessos de três pontos

Steve Nash: 12 pontos, 10 assistências e 5 rebotes