Artigo – O libertador de San Antonio – Parte I

Quatro títulos, ótimo técnico, elenco invejável, temido por todos os outros times da NBA. Talvez seja assim que você, leitor, conheça o San Antonio Spurs. E não é para menos, afinal, nas últimas dez edições da NBA, nada menos do que quatro foram vencidas pela equipe texana. Mas nem sempre foi assim. Na verdade, o time pode ser dividido em duas épocas: a época antes de contar com o jogador-tema desse artigo e a época posterior.

Acho que agora vocês sabem de quem eu estou falando. Ele mesmo, do alto de seus 2,16m, David Maurice Robinson, ou só David Robinson, ou melhor ainda, só Almirante Robinson. Um dos maiores pivôs que já passaram pela NBA, o Almirante foi realmente um marco na vida do San Antonio Spurs. E, por toda essa grandeza, dividirei esse artigo em duas partes. Afinal, o Almirante é muito maior do que qualquer texto. Grande em sua estatura, grande no basquete que jogava; esse é David Robinson.

Foi no dia 6 de agosto de 1965 que o segundo filho de Ambrose e Freda Robinson nasceu, na cidade de Key West, na Flórida. Mas não pense que a família tinha vida fácil no exótico estado. Na verdade, eles não tinham vida fácil em nenhuma das inúmeras cidades por onde passaram durante a infância de David. Como seu pai, Ambrose, era oficial da Marinha dos EUA, ele e sua família mudavam de cidade toda vez que era solicitado ao patriarca. E foram inúmeras mudanças até que seu pai se aposentasse e a família Robinson estabelecesse moradia em Woodbridge, Virginia.

Durante a infância, David sempre foi ótimo aluno, tirando boas notas e praticando com habilidade todos os esportes escolares. Todos menos o basquete. Sim, aquela criança alta e com todo tipo físico de jogador de basquete preferia outros esportes, como futebol e ginástica, e não se dava tão bem assim com a bola de couro laranja. Uma nova mudança de lar na vida dos Robinson e o então adolescente David passou a viver na cidade de Manassas, ainda na Virginia. Nessa cidade, estudou na Osbourn Park High School, na qual se formou e ficou apto para cursar uma universidade norte-americana. Chamava atenção na época o tamanho do jovem David, que ao fim de seu ensino médio media mais de 2 metros. E mesmo com todo esse tamanho o garoto ainda não se dava bem com o basquetebol.

Mas essa falta de afinidade com o basquete estava com os dias contados. Após se formar no ensino médio, David partiu para a Navy Academy, escola superior da Marinha norte-americana. Lá, foi instruído a treinar basquete e fazer parte do time da Universidade, pois seu porte físico poderia ajudá-lo a se destacar e, por conseqüência, permitir que ele almejasse algo maior em sua vida. Pois foi o que aconteceu. Jogando pelo time de sua Universidade, Robinson passou a se tornar destaque e, com sua camisa 50 (escolhida em homenagem ao ídolo Ralph Sampson, pivô revelado pelo Houston Rockets), começou sua brilhante carreira no basquete.

Na NCAA (liga de basquete universitário dos EUA) Robinson teve destaque em todos os quatro anos que foi jogador. Com apenas 18 anos, garantiu médias de 7,6 pontos e 4,0 rebotes por jogo, começando a cravar seu espaço no time titular. Mas a grande temporada defendendo as cores da Navy Academy seria a sua última na NCAA, em 1986/1987, quando o jogador já atingia seus 21 anos. Na temporada em questão, atingiu a média de 28,2 pontos, 11,8 rebotes e 1,1 assistências por jogo, além de 144 bloqueios no decorrer dos 32 jogos que disputou naquele ano. Era o carimbo em seu passaporte rumo a NBA.

Mas, antes de entrar na NBA, Robinson ainda teve a oportunidade de defender a seleção dos Estados Unidos em duas oportunidades: nas Olimpíadas de Seoul em 1988 e no Pan Americano de Indianapolis, em 1987. Em uma época em que as seleções não tinham permissão para contar com jogadores da NBA, a seleção dos EUA era composta apenas por jogadores universitários, e David Robinson era o grande destaque do time, que obteve medalha de bronze nos Jogos de 1988 e medalha de prata no Pan de 1987 (medalha essa que veio com a histórica derrota para o Brasil de Oscar e Marcel).

Com a meteórica carreira universitária em alta, era a hora de David Robinson figurar entre os grande jogadores da NBA, que nesse época contava com lendas do porte de Michael Jordan, Larry Bird e Magic Johnson. E a entrada para a liga não podia ter acontecido de forma melhor: foi o primeiro selecionado do primeiro round do draft de 1987, pelo San Antonio Spurs, time que até então não obtivera nenhum resultado expressivo dentro da NBA. Mas um impasse impediu que Robinson participasse da NBA logo na temporada 1987/1988, como deveria ser. Ele e o Spurs deveriam esperar mais dois anos para poderem contar um com o outro, pois o pivô deveria ainda passar por um período de treinos e qualificações dentro da Marinha norte-americana.

E esse período quase terminou com uma carreira que nem havia começado. Nesse tempo de dois anos que ficou afastado do basquete, Robinson desenvolveu e muito sua paixão pela ginástica, e decidiu que abandonaria o basquete para se dedicar ao esporte pelo qual sempre foi apaixonado. Mas, nesse momento (agradeçam, torcedores do Spurs!), David esbarrou em um grande obstáculo. Um obstáculo com exatamente 2,16m de altura. Qual seria ele? A altura do jogador. Isso mesmo, graças a sua altura, David não conseguiu seguir na carreira de ginasta, e decidiu tentar recomeçar sua carreira de jogador de basquete. Mas, antes de voltar, mais apreensão para os torcedores de San Antonio, pois Robinson viraria agente livre antes mesmo de estrear, e não se tinha idéia se ele permaneceria no Spurs ou se partiria para outra equipe.

Mas David Robinson decidiu encarar o desafio de ser a estrela maior de um time apagado na liga. Decidiu se tornar o Almirante. Decidiu ser o libertador de San Antonio. Mas isso, só no próximo artigo…

Médias de David Robinson no basquete universitário

Time/Colégio: Navy Academy

Ano: 1983/1984

Jogos: 28

Minutos jogados: 372 (13,3 por jogo)

Pontos: 214 (7,6 por jogo)

Rebotes: 111 (4,0 por jogo)

Bloqueios: 37 (1,3 por jogo)

Roubos de bola: 6 (0,2 por jogo)

Assistências: 6 (0,2 por jogo)

Ano: 1984/1985

Jogos: 32

Minutos jogados: 1075 (33,6 por jogo)

Pontos: 756 (23,6 por jogo)

Rebotes: 370 (11,6 por jogo)

Bloqueios: 128 (4,0 por jogo)

Roubos de bola: 27 (0,8 por jogo)

Assistências: 19 (0,6 por jogo)

Ano: 1985/1986

Jogos: 35

Minutos jogados: 1187 (33,9 por jogo)

Pontos: 796 (22,7 por jogo)

Rebotes: 455 (13,0 por jogo)

Bloqueios: 207 (5,9 por jogo)

Roubos de bola: 59 (1,7 por jogo)

Assistências: 24 (0,7 por jogo)

Ano: 1986/1987

Jogos: 32

Minutos jogados: 1107 (34,6 por jogo)

Pontos: 903 (28,2 por jogo)

Rebotes: 378 (11,8 por jogo)

Bloqueios: 144 (4,5 por jogo)

Roubos de bola: 66 (2,0 por jogo)

Assistências: 33 (1,1 por jogo)

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Sobre Leonardo Sacco

É jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero. Cravou a opção pelo jornalismo no estouro do cronômetro, quando criou o Spurs Brasil em uma madrugada de domingo para segunda. Escreve para o Yahoo! Esportes e dá seus pitacos no @leosacco.

Publicado em 18/03/2008, em Artigos. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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