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Em homenagem à guerreira – parte 1

Vestiario Feminino

Depois de 16 anos de WNBA, Becky Hammon anunciou nesta semana que se aposentará das quadras ao fim da temporada. Quem acompanha basquete feminino sabe o significado dessa jogadora, não somente para o San Antonio Stars, mas também para toda a modalidade. Por isso, o Vestiário Feminino vai apresentar nas próximas semanas textos especiais sobre a carreira dessa que é um dos principais nomes do esporte da bola laranja.

Inspiradora um dos poucos adjetivos que definem Becky Hammon e sua carreira (Arte: Linda Estepe)

“Ser inspirado é ótimo. Inspirar é incrível” (Arte: Linda Estepe)

Essa que escreve essa coluna dominical é meio suspeita para falar sobre Hammon e tudo o que a envolve. Confesso que minha torcida para o Stars começou depois de vê-la jogar. Eu já torcia para o San Antonio Spurs e saber que ela estava na franquia “feminina” da equipe texana apenas me deixou mais à vontade.

Hammon é um exemplo não só em questão de estilo jogo. Ela é um espelho não somente para garotas que sonham em ser jogadoras de sucesso, mas para qualquer pessoa que tem um sonho e enfrenta circunstâncias adversas.

Nascida em Rapid City, no estado de South Dakota, uma região sem muita tradição no basquete, Hammon não teve as melhores oportunidades para chegar à carreira profissional. Com a Steven High School, chegou até a final estadual e perdeu para a escola Mitchell, quando marcou 29 dos 35 pontos de seu time.

Considerada a melhor atleta de sua cidade, Becky Hammon foi capa da previsão de um jornal local para a temporada tanto do futebol americano quanto do basquete feminino da Stevens High School em 1994 (Arquivo)

Considerada a melhor atleta de sua cidade, Becky Hammon foi capa da previsão de um jornal local para a temporada tanto do futebol americano quanto do basquete feminino da Stevens High School em 1994 (Arquivo)

Mesmo com a média de 26 pontos por jogo em seu último ano do ensino médio, não conseguiu uma bolsa para uma universidade da primeira divisão da NCAA. Foi a Colorado State University que a acolheu. Na faculdade, bateu a maioria dos recordes, que são mantidos até hoje.

Depois de quatro anos na CSU e de ter levado a instituição a um Sweet Sixteen da NCAA, Becky acabou não sendo draftada no evento de escolha da WNBA de 1999. Uma equipe, porém, decidiu dar uma chance para aquela jovem de uma instituição sem tradição no universitário, o New York Liberty.

Seu primeiro contrato como profissional foi assinado em 12 de maio de 1999, um dia depois de seu aniversário. Na franquia nova-iorquina passou oito temporadas e se tornou um dos principais nomes do basquete feminino. Apenas em 2007 foi enviada para o San Antonio – à época Silver – Stars por meio de uma troca no Draft daquele ano.

Becky Hammon começou sua carreira no New York Liberty, onde sua vida profissional decolou (Facebook)

Becky Hammon começou sua carreira no New York Liberty, onde sua vida profissional decolou (Facebook)

E é nesse Stars que tantas alegrias conhecemos com essa “baixinha”. Foi em 2007 que a franquia chegou pela primeira vez aos playoffs, com um time memorável. Perdeu para o Phoenix Mercury logo na primeira rodada, e o time do Arizona terminou como o campeão da temporada. Mas o ano de ouro mesmo foi 2008.

Com uma campanha extraordinária de 24 vitórias e dez derrotas e o primeiro lugar da Conferência Oeste, San Antonio chegou à Final, quando perdeu para o Detroit Shock.

Em 2011, Hammon recebeu uma de suas maiores honras da carreira. Foi escolhida entre as 15 melhores jogadoras de todos os tempos da WNBA no 15º aniversário do campeonato. A ala-armadora foi contemplada junto a Sue Bird, Tamika Catchings, Cynthia Cooper, Yolanda Griffith, Lauren Jackson, Lisa Leslie, Ticha Penicheiro, Cappie Pondexter, Katie Smith, Dawn Staley, Sheryl Swoopes, Diana Taurasi, Tina Thompson e Teresa Weatherspoon.

Becky Hammon foi escolhida uma das 15 melhores jogadoras da WNBA de todos os tempos, junto a nomes lendários da liga (WNBA.com)

Becky Hammon foi escolhida uma das 15 melhores jogadoras da WNBA de todos os tempos, junto a nomes lendários da liga (WNBA.com)

Continua na próxima semana…

Dia de festa

Vestiario Feminino

Neste sábado (19), o Jogo das Estrelas da WNBA aconteceu em Phoenix, na casa do Phoenix Mercury. Leste e Oeste se encontraram em duelo eletrizante, com direito a prorrogação e placar parelho. Nessa festa, o San Antonio Stars tinha uma representante, Danielle Robinson.

Danielle Robinson fez parte do elenco do Oeste do All-Star Game da WNBA (Phoenix Mercury)

Danielle Robinson fez parte do elenco do Oeste do All-Star Game da WNBA (Phoenix Mercury)

Com atuação discreta de 13 minutos e seis pontos, a armadora do time texano começou irreconhecível, mas depois passou a ter uma representação maior no jogo. Apesar da baixa pontuação, teve uma bela jogada após cruzar toda a quadra com a bola e marcar dois pontos com uma bandeja realizada entre duas adversárias.

O Jogo das Estrelas deste ano foi, de fato, especial. Com um dos melhores elencos, contou com uma surpresa inesperada. Shoni Schimmel, a novata do Atlanta Dream, surpreendeu a todos com sua atuação de 29 pontos. Foi eleita a MVP do duelo especial.

Outro nome especial foi o de Érika de Souza. Essa, não pelo seu rendimento no jogo, mas pelo que representa para o basquete brasileiro e para a WNBA. Substituindo Elena Delle Donne, a pivô foi titular do elenco do Leste e anotou oito pontos.

Elenco do Leste, campeão do All-Star Game da WNBA (Phoenix Mercury)

Elenco do Leste, campeão do All-Star Game da WNBA (Divulgação/Phoenix Mercury)

A presença do Jogo das Estrelas na cidade de Phoenix foi muito importante, pois esse é um local onde o basquete é fortemente presente, tanto na NBA quanto na WNBA. Na liga feminina, especialmente, a franquia tem feito por merecer. Com a melhor campanha do Oeste (18 vitórias e 3 derrotas), o esquadrão comandado por Sandy Brondelo tem um dos elencos mais fortes do campeonato e uma das torcidas mais apaixonadas dos Estados Unidos.

O jogo das Estrelas de 2014 da WNBA contoi com enterrada de Britney Grinner não só durante o treino, mas também no jogo (Phoenix Mercury)

O Jogo das Estrelas contou com enterrada de Britney Grinner não só durante o treino (Divulgação/Phoenix Mercury)

O Phoenix Mercury também já se tornou campeão da WNBA em duas oportunidades (2007 e 2009), ou seja, tem história. Além disso, fora de quadra, é uma das equipes que mais se esforça para levar entretenimento e novidades específicos para o público. O site é completo e as redes sociais da franquia nunca deixam a desejar.

A festa foi bonita. Apesar dos desafios individuais não terem acontecido (desafio de habilidades e de três pontos), o jogo e tudo o que o envolveu foi muito legal. Vale muito a pena para os outros que acontecerem.

Enquanto isso, o Stars teve um único jogo na semana, contra o Tulsa Shock. O placar final foi de 95 a 90 com atuação de destaque por parte de Sophia Young, que marcou 16 pontos e acertou os seus seis arremessos de quadra. Com o resultado, a equipe continua com a terceira colocação da Conferência Oeste.

Na terça-feira, ambos os times se reencontram. Na sexta, o Stars tem o Minnesota Lynx como adversário, seguido do Indiana Fever, em confronto que ocorre no sábado.

Semana difícil

Vestiario Feminino

O San Antonio Stars teve uma semana difícil. Dos três jogos que tinha na agenda, o time perdeu dois, com placares finais a serem seriamente considerados. Mesmo assim, continua no terceiro lugar da Conferência Oeste, com 11 vitórias e 11 derrotas (50% de aproveitamento).

O primeiro compromisso, o que terminou em vitória, foi contra o New York Liberty. O resultado foi 80 a 66 e contou com uma atuação memorável de Kayla McBride, que marcou 30 pontos, seu recorde profissionalmente (na universidade de Notre Dame, chegou a anotar 31).

Depois do duelo contra o primeiro time de Becky Hammon na WNBA, o Stars encontrou o Seattle Storm e o Phoenix Mercury pelo caminho. Ambos os times são bem conhecidos do elenco texano e os jogos entre essas equipes são verdadeiros clássicos do Oeste.

Becky Hammon, que está em seus últimos momentos de WNBA, tem tido um rendimento baixo nas partidas da temporada e não passou dos três pontos nos compromissos contra o Seattle Storm e o Phoenix Mercury (NBAE/Getty Images)

Desfalcado de sua principal jogadora, a australiana Lauren Jackson, que se poupa para a Copa do Mundo de basquete, que será disputada na Turquia, o Storm tem encontrado dificuldades para sair da zona de exclusão dos playoffs, com nove vitórias e 14 derrotas (40% de aproveitamento). Neste compromisso, a novata Kayla McBride foi novamente a cestinha do Stars, com 13 pontos, sendo dez deles obtidos por meio de lances livres.

O Mercury era o adversário mais difícil da semana. O melhor time do Oeste conta com um elenco completo e forte, que agora ocupa o primeiro lugar da conferência (16 vitórias e três derrotas – 85% de aproveitamento). No final, o Stars perdeu por 90 a 61.

Agora, a agenda para esta semana está tranquila, e o time enfrenta apenas o Tulsa Shock, na quinta-feira, às 13h. Com o All-Star Game no caminho (sexta-feira), os times têm um período de descanso antes de prosseguirem com a próxima metade da temporada. Inclusive, nenhuma jogadora do Stars passou na votação para o quinteto titular do Oeste. Ainda há chances de alguma atleta do esquadrão texano estar presente. As reservas serão anunciadas nesta quarta (16). É possível que Hammon seja chamada pela técnica Cheryl Reeves.

Nos vemos no domingo, com novidades sobre o Jogo das Estrelas de 2014 da WNBA!

Editado: As reservas para o Jogo das Estrelas foram anunciadas e o Stars terá uma representante em Phoenix neste sábado. Danielle Robinson foi escolhida pelos técnicos da WNBA para ser uma das reservas da Conferência Oeste. Hammon está fora.

Positivo

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O cenário está positivo para o San Antonio Stars. Em terceiro lugar na Conferência Oeste, as estrelas texanas tiveram três compromissos que terminaram em duas vitórias e uma derrota nesta semana. Com esses resultados, as comandadas de Dan Hughes estão bem perto do Minnesota Lynx, atual campeão da WNBA.

A Conferência Oeste, na verdade, está com uma cara um tanto quanto inesperada. Era previsto que as donas do título assumirem a liderança com folga, mas, ao contrário, o Phoenix Mercury é o time que possui o melhor rendimento até o momento. Com 12 vitórias e apenas três derrotas, a equipe de Diana Taurasi surpreende e passa o elenco de Maya Moore.

Para o Stars, essa configuração é um tanto quanto favorável. No começo, a previsão era de que o time texano disputasse as duas últimas colocações, junto ao Tulsa Shock. Algumas surpresas, no entanto, fizeram com que o esquadrão prata e preto se fixasse entre os quatro primeiros nesta quase primeira metade da temporada.

Danielle Robinson é o destaque absoluto do San Antonio Stars na temporada de 2014 da WNBA (David Sherman)

Danielle Robinson é o destaque do Stars na temporada de 2014 da WNBA (David Sherman/NBAE)

A principal surpresa, no olhar desta colunista, é o excelente desempenho de Danielle Robinson. A jovem armadora teve um salto em seu rendimento, como já foi apontado inúmeras vezes neste espaço. Sua visão de quadra e seu poder de finalização fazem do jogo de infiltração do Stars uma arma poderosa. Poucas jogadoras na WNBA são tão rápidas quanto a baixinha. Já perdi a conta de quantos roubos de bola seguidos de bandeja de uma ponta da quadra à outra Robinson fez nesta temporada.

Kayla McBride também é um agradável presente inesperado para o time. A novata tem um rendimento incrível, figurando em terceiro lugar entre as primeiranistas que mais pontuam na temporada, com média de 11,2 pontos por jogo, atrás apenas de Chiney Ogwomike e Odissey Sims (um adendo: a jovem brasileira Damiris Dantas está em décimo, com média de 7,3 pontos por jogo). No geral, está em 25º, na frente de Sue Bird, a veterana do Seattle Storm e da seleção americana, que está na 27ª colocação.

O entrosamento em quadra também é algo inegável para esse elenco de 2014. Ao assistir uma partida do Stars, a confiança que uma jogadora tem na outra fica clara. Sempre há uma sobra e diversas são as jogadas sendo executadas. Vale destacar a qualidade em arremessos, com Becky Hammon, Jia Perkins, Danielle Robison, Danielle Adams e Kayla McBride, excelentes no fundamento do perímetro.

Mesmo Jayne Appel, que deu tanto trabalho, tem aparecido nas partidas, executado belas jogadas – e concluindo-as –, além de pegar rebotes.

2014, até agora, tem sido um bom ano para o Stars. É muito legal ver a evolução da última temporada para a atual, que certamente merece ser esquecida. Nesta semana, três jogos estão na agenda das texanas. No dia 09, enfrentam o New York Liberty, seguido do Seattle Storm no dia 11 e do Phoenix Mercury no dia 13. Espero trazer mais boas notícias!

O elemento trabalho em equipe tem sido o mais importante para o Stars (D. Clarke Evans/NBAE)

O elemento trabalho em equipe tem sido o mais importante para o Stars (D. Clarke Evans/NBAE)

Mais adaptação

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Jia Perkins, importante desfalque do San Antonio Stars (D. Clarke Evans)

Jia Perkins, importante desfalque do San Antonio Stars (D. Clarke Evans)

Uma notícia ruim acometeu o San Antonio Stars nesta semana. Em uma sequência de jogos que quebrou a série de vitórias emplacada na última rodada, a partida contra o Atlanta Dream marcou o episódio em que Jia Perkins sofreu uma lesão no isquiotibial (músculo atrás da coxa) direito.

Perkins é a segunda maior pontuadora do time na temporada. Com média de 12,7 pontos por jogo, a ala fica atrás apenas de Danielle Robinson (13,9), que é a atual líder do Stars em todos os fundamentos, exceto rebotes (Jayne Appel – 7,30 rebotes por exibição).

Parte do elenco do Stars desde 2011, Perkins se tornou um dos pilares do time. Suas principais contribuições são os arremessos precisos, de curta ou longa distância. Na reformulação do time que começou no ano em que entrara na equipe, conquistou, aos poucos, uma vaga de titular. A consolidação como parte do quinteto que inicia as partidas aconteceu na temporada de 2013, quando começou em 33 dos 34 compromissos.

A jogadora tem papel crucial no plano tático de Dan Hughes. Em um time de jogadores baixas (as mais altas são Jayne Appel e Kayla Alexander, ambas com 1,93m), os Stars conta com boas arremessadores de perímetro. O quinteto titular da atual temporada é fixo: Danielle Robinson e Becky Hammon (armadoras), Jia Perkins e Kayla McBride (alas) e Jayne Appel.

Dessas, a única que não se encontra entre as cinco maiores pontuadoras da equipe é a pivô (sétima – 5,1 pontos por jogo). Por isso, a lesão de Perkins interfere, em muito, no desenrolar do jogo do time texano. Felizmente, o Stars tem uma reserva muito eficiente: Danielle Adams.

Adams não é titular do Stars, mas entra em todos os jogos. Apesar de seu físico robusto, tem uma flexibilidade de muito valor para o time. Quando entrou na WNBA, a ala era mais limitada. Construiu sua função inicial como uma jogadora eficaz em arremessos, mas evoluiu para se transformar em uma presença forte no garrafão.

Becky Hammon, mesmo sentido o efeito de sua última lesão somada à idade, fez valer sua experiência e o seu papel de liderança em quadra contra o Washington Mystics, partida que não contou com a participação de Jia Perkins (D. Clarke Evans)

Se alguém consegue assumir a responsabilidade pela ausência de uma das melhores jogadores da equipe, essa é Becky Hammon (D. Clarke Evans)

Uma jogada básica de Adams é receber a bola perto da cesta e, com um trabalho de pés de grande talento, marcar dois pontos – e ainda cavar uma falta. Saindo sempre do banco e com média de 20,2 minutos por partida e 10,4 pontos por jogo, a jogadora assumiu a posição de Perkins enquanto essa está machucada.

Resultado? Depois de duas derrotas, o Stars venceu o Washington Mystics no domingo, por 73 a 65. Parece que deu certo! Nesse jogo, Becky Hammon assumiu a liderança e marcou 17 pontos. A ala-armadora não tem se destacado muito nessa temporada, mas esse foi mais um exemplo de seu importante papel na equipe e sua capacidade de ser a jogadora que um técnico pode contar.

Na terça-feira (1º), as estrelas texanas já começam as atividades do mês. Até agosto, serão 11 compromissos, sendo seis fora de casa. Atualmente, o Stars se encontra na terceira posição da Conferência Oeste. Com oito vitórias e oito derrotas, a franquia tem 50% de aproveitamento.

Nessa semana, nenhum jogo será no AT&T Center e os adversários serão o Connecticut Sun (dia 1º, às 19h), o Minnesota Lynx (dia 3, às 20h) e o Indiana Fever (dia 5, às 17h).

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