A vida em 2015

O vínculo de Manu Ginobili com o San Antonio Spurs é válido somente até o meio deste ano. Tim Duncan, por sua vez, tem uma cláusula que permite renovar seu contrato com a franquia para disputar até a temporada 2014/2015. A partir daí, é provável que o time texano passe a atuar sem os dois, que a cada dia mais se aproximam da aposentadoria. E, nós últimos dias, com a contusão dos dois veteranos, pudemos ter uma ideia de como a equipe vai funcionar sem a dupla de craques.

Duncan sem uniforme: um dia, será para sempre (Reprodução/kare11.com)

Com problemas no joelho esquerdo, Duncan participou de apenas três dos últimos dez jogos do Spurs. Ginobili, que, por sua vez, sofre com problemas musculares na perna esquerda, esteve presente em quatro delas. Neste período, o time texano venceu nove jogos e perdeu apenas um, na noite de sexta-feira (8), contra o Detroit Pistons. Podia ser muito pior, certo?

A primeira diferença do Spurs em quadra sem os dois é a importância maior que Tony Parker ganha. E o francês tem respondido bem à pressão. Na temporada, o armador tem médias de 20,6 pontos e 7,6 assistências em 32,8 minutos por exibição. Nos últimos dez jogos, esses números se transformaram em 24,9 pontos e 9,3 assistências em 34 minutos por jogo. O aproveitamento nos arremessos de quadra também subiu, de 53,4% para 58,2%.

Neste ano, Parker tem a segunda melhor média de pontos, a segunda melhor média de assistências e o segundo melhor aproveitamento nos arremessos de quadra de toda a sua carreira. De acordo com dados do site Basketball-Referece, a bola passa pelas mãos do armador em 27,8% das posses do Spurs, terceira maior porcentagem desde que o francês chegou à NBA. O desempenho fez o astro aparecer na quarta colocação na corrida pelo MVP, no site oficial da liga. É a cada dia mais seguro dizer que o camisa #9 está no caminho certo para se tornar “o cara” da franquia texana.

Sem Manu, no entanto, Parker precisa de ajuda para não se tornar presa fácil para os marcadores por ser a única ameaça do Spurs no perímetro. O francês precisa que Danny Green acerte seus arremessos de três pontos para abrir espaço no garrafão. Nos últimos dez jogos, o ala-armador acertou 50% dos tiros de longa distância, contra 42,7% em toda a temporada. E o armador precisa que Kawhi Leonard também se torne uma ameaça ofensiva. E o ala tem anotado 12,3 pontos por exibição nas últimas dez partidas, contra 9,9 se levado em conta todo o campeonato.

Quem também deveria estar se aproveitando da ausência de Ginobili é Gary Neal. Com a contusão do argentino, ala-armador passou a atuar em sua função de origem no time reserva, deixando a armação da segunda unidade nas mãos de Patrick Mills ou Nando De Colo. No entanto, nos últimos dez jogos, o camisa #14 anotou somente 6,6 pontos por partida, contra 9,6 de média em toda a temporada.

O principal problema do Spurs nas ausências de Ginobili e, principalmente, de Duncan tem sido a defesa. O time texano deixou os adversários passaram da marca dos 100 pontos três vezes nos últimos dez jogos. Também, pudera; segundo dados do site 82games.com, levando em consideração os dez quintetos mais utilizados pelo técnico Gregg Popovich na temporada, o ala-pivô está nos únicos quatro que permitem menos de um ponto por posse de bola para os adversários. O argentino faz companhia em dois deles.

Como mostrado nos últimos dez jogos, Pop já ensaia uma solução para manter o ataque do Spurs funcionando sem Manu e Duncan. O problema pode ser a defesa. Mas ainda há muita água para rolar embaixo da ponte antes da aposentadoria dos craques: até lá, Aron Baynes pode se tornar um marcador de garrafão confiável e o Spurs pode encontrar mais talento nos Drafts. Enquanto isso, vamos aproveitar a presença dos ídolos enquanto é tempo.

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Sobre Lucas Pastore

Um dos fundadores do Spurs Brasil, seu maior orgulho na carreira jornalística. Formado em Jornalismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie em 2010, é editor do LANCE!Net desde 2013, três anos após ter sido estagiário do Diário LANCE!. Neste meio tempo, foi repórter de automobilismo na agência mob36, redator do UOL Esporte e colunista no Basketeria.

Publicado em 09/02/2013, em Na linha dos 3. Adicione o link aos favoritos. 3 Comentários.

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