Pensando no futuro

O que mais chamou a atenção na boa vitória do San Antonio Spurs sobre o Atlanta Hawks no último sábado (19) foi o modo como Tony Parker trouxe para si a responsabilidade de ser o único craque do time em quadra. Sem o poupado Tim Duncan e o lesionado Manu Ginobili, o Spurs teve uma mostra do que deverá ser visto no futuro próximo. Os dois jogadores estão cada vez mais perto da aposentadoria – será esta a última temporada de Timmy? – e a franquia precisa se reinventar para ter vida após os dois. O armador francês, é claro, é a peça-chave para o sucesso do projeto.

Parker fez carreira na NBA com um estilo bastante peculiar. Muito rápido, ele sempre usou e abusou deste atributo para se destacar. Bater para dentro e finalizar suas jogadas com bandejas foi durante muitos anos sua jogada típica. Mas ele está mudando seu estilo de jogo. Muito por conta das iminentes saídas de Duncan e Ginobili. Sinal disso, por exemplo, é a crescente média de assistências do camisa #9, que na última temporada superou pela primeira vez na carreira os sete passes decisivos por noite.

Parker é cada vez mais essencial. E tem correspondido

Com a bola mais na mão, Parker vai descobrindo as funcionalidades de ser um armador mais puro, com mais opção de passe do que de chute. Tudo isso sem prejudicar sua média de pontos, que se mantém próxima aos 20 por duelo, número excelente e que faz do francês o cestinha do Spurs. Isso porque Tony passou a jogar com mais calma, usando sua velocidade apenas em momentos mais críticos, quando o chute de média distância e o passe não são possibilidades tão reais.

A “transformação” de Parker em um armador mais característico, fruto principalmente de seu amadurecimento, é a chave para o Spurs manter as ótimas campanhas após as saídas de Duncan e Manu – ou até mesmo contando com a esperada queda de rendimento pela qual eles podem passar. Mas creio que existem outros três pontos bastante importantes para o desenvolvimento futuro da franquia.

O primeiro deles é a defesa e passa essencialmente por Kawhi Leonard. Enquanto o Spurs teve Bruce Bowen, tinha também a melhor defesa da liga, contando ainda com Duncan no auge. O novo ala da equipe tem características parecidas com a de seu antecessor, contando até com melhoras. Com o passar de mais dois ou três anos, a tendência é que Leonard vire dominante na defesa e melhore significativamente o setor, essencial para a briga por títulos.

Outro fator é Tiago Splitter. O brasileiro faz seu melhor campeonato na NBA e, ufanismo à parte, é um dos candidatos sérios ao prêmio de MIP (Most Improved Player, jogador que mais melhorou de uma temporada para outra) por conta de seu desenvolvimento, principalmente o ofensivo. Cabe ao brasileiro agora se encaixar melhor na defesa. Com o tempo, acredito que a média de rebotes irá crescer à medida que as características do basquete europeu que Tiago possuir sejam cobertas por posicionamentos mais parecidos com as tendências locais.

Por fim, o Spurs terá dinheiro. Ginobili tem um expirante de US$ 14 milhões. Caso renove, deverá fazê-lo por um preço menor. Caso se aposente, abrirá um valor que, se bem trabalhado, poderá render ótimos reforços. Duncan tem mais uma temporada de contrato e pode optar por renovar para 2014/15. Com a bela temporada que faz atualmente, não duvido que ele esteja apto para a próxima. Pensar em 2015, porém, é muito distante para um jogador em fim de carreira. Sem ele, US$ 10 milhões a mais para o salário texano. Isso sem contar o expirante de Stephen Jackson, também de US$ 10 milhões. O gerente R.C. Buford terá dinheiro de sobra para trabalhar, o que é excelente.

Tomados esses pontos, a luz no fim do túnel do Spurs é clara. Não será fácil ver Duncan e Manu se aposentarem. Mas o projeto de manutenção parece cada vez mais sólido.

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Sobre Leonardo Sacco

É jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero. Cravou a opção pelo jornalismo no estouro do cronômetro, quando criou o Spurs Brasil em uma madrugada de domingo para segunda. Escreve para o Yahoo! Esportes e dá seus pitacos no @leosacco.

Publicado em 21/01/2013, em Zona Morta. Adicione o link aos favoritos. 3 Comentários.

  1. Conversei algumas coisas com o Bruno Pongas no Destino Riverwalk sobre esse assunto.

    O que vou dizer aqui pode parecer heresia, por favor, não me condenem à fogueira.

    Este é nosso último ano com chances reais de título. Timmy está fazendo uma temporada sensacional, brilhante mesmo, e Manu vinha numa crescente antes da lesão. Como o próprio coach Pop diz, no Manu no championship. E sem nosso Big Fundamental então, título é mais impensável ainda.
    Se não aproveitarmos esta última temporada, vamos passar os próximos 2 anos pelo menos sendo coadjuvantes – competitivos, como um Memphis Grizzlies, mas ainda assim, coadjuvantes, nada mais.

    Isso porque não sabemos como vai ser o futuro dos nossos dois astros em final de carreira. Manu tem um contrato expirante no final dessa temporada sem cláusulas de renovação automática. Ele teria que negociar com a franquia, e provavelmente aceitar um contrato menor, talvez o mínimo pra veteranos. Duncan tem mais duas temporadas sob contrato, sendo uma player option no terceiro ano.

    Qualquer um dos dois jamais sairiam pra outra franquia da NBA. No caso de Manu é aposentadoria ou Argentina. Timmy só aposentadoria. Existe ainda uma possibilidade de troca, já que apesar de serem jogadores de longa carreira eles não tem no contrato a cláusula que permite ao jogador vetar trocas, como Dirk ou Kobe. Naturalmente, duvido que passa pela cabeça do R.C. Bufford ou Gregg Popovich trocar as almas do nosso time, e assim como qualquer outro fã da franquia eu não suportaria ver Duncan ou Ginobili entrando em quadra com outra camisa que não seja a nossa. Felizmente é mais fácil o Bobcats vencer a atual temporada do que esse pesadelo chegar a acontecer.

    Apesar disso, temo que estejamos entrando num paradoxo horrendo: com nossos dois heróis no time ganhando o que ganham, não temos chance de trazer nenhum grande free agent, o que na prática aniquila com nossas chances a partir do próximo ano. Sim, pessoal, é triste dizer mas nossos astros podem também ser nossa perdição. A razão da nossa dominância pode ser também motivo do nosso ocaso. Mas longe de mim culpar nossas estrelas, eles são a razão de eu estar aqui. Na verdade, ninguém é culpado. Faz parte do ciclo, simplesmente isso. Nosso saldo é esmagadoramente positivo e me sinto feliz com isso. Simplesmente acredito que temos de dar uma aposentadoria feliz aos nossos heróis, sem jamais imaginar uma troca com eles, mesmo que isso custe mais um ou dois anos na fila.

    Ao mesmo tempo, a geração atual, que chamarei de geração Duncan, é evidentemente a melhor da história da franquia, e sucedeu a segunda melhor, que foi a geração Robinson. A mesclagem dessas duas gerações rendeu o primeiro anel da franquia em 1999, e essa transição foi cuidadosamente arquitetada e executada por Gregg Popovich. Saímos da era Robinson – Avery – Elliot com um título e abocanhamos mais três na era Duncan – Manu – Parker.
    Agora acredito que estamos preparando novamente o terreno para mais uma boa transição. E é aí onde entre nossa estrela mais jovem. O núcleo Kawhi – Splitter – De Colo, e possivelmente Green e Neal são a nova cara da franquia, o futuro debaixo da batuta deste fabuloso jogador que é Tony Parker. Com a inevitável e cada vez mais próxima saída de Manu e Duncan, teremos cap para mais uma estrela, de preferência uma estrela com a cara do time. Vejo essa chegada de duas formas: ou um free agent que não seja excessivamente estrela, que tenha vontade de vencer acima da vontade de aparecer, e que queria ganhar titulos pro time ao inves de conquistas pessoais OU fazer uma temporada atípica como a de 96-97 e faturar uma pick nas primeiras posições de um Draft. E quem sabe repetir um Parker na #28 ou um Manu na #57. Não me parece impossível, porque depois deles já achamos George Hill, Luis Scola, Goran Dragic e outros ótimos jogadores em posições intermediárias no Draft. Temos ainda Adan Hanga, David Bertans e Marcus Denmon na Europa, que podem responder a um chamado do Spurs a qualquer momento, e enquanto isso estão desenvolvendo seu jogo em times onde terão mais minutos pra atuar.

    Enfim, acho que nossa transição será boa, e com a saída de nossas maiores estrelas teremos ainda o Parker em boa forma pra nos ajudar por mais uns anos, espaço no cap pra trazer mais uma ou duas estrelas e totais condições de voltarmos a ser contenders em até 3 anos contando a partir do final desta temporada.

    Até lá, Splitter, De Colo, Green, Kawhi, Neal, Baynes podem ir formando um núcleo sólido e competitivo, esperando a adição de um ou mais franchise players pra voltar a disputar títulos.

  2. O Negócio é largar de mãos umas duas temporadas de olhos no draft.

  1. Pingback: Spurs (32-11) @ Sixers (17-23) – Temporada Regular « Spurs Brasil

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