Arquivo diário: 06/01/2013

De Colo merece “ser rebaixado”

Pouca gente se dá conta, mas o armador Nando De Colo é uma espécie de erro que deu certo no San Antonio Spurs. Sua escolha, a 53ª do recrutamento de 2009, só foi possível graças a uma troca bastante polêmica e que aconteceu dois anos antes, durante o Draft de 2007, quando o Spurs, em troca do armador grego Vassilis Spanoulis e uma escolha de segunda rodada, cedeu ao Houston Rockets o ala-pivô Luis Scola e mais um pequeno pacote.

De Colo e o tipo de arremesso com o qual se dá bem: jump shot

Na época, muita polêmica. Era esperado que Scola fosse para o Spurs mais ou menos o que Tiago Splitter é hoje: um ótimo suporte para Tim Duncan. Um dos melhores jogadores de garrafão do mundo na regra FIBA, o argentino chegou mais velho à NBA, deu certo por um tempo no Rockets e hoje já sente a idade no Phoenix Suns. Com a contestada troca, o time de San Antonio caçou e obteve fôlego em sua gradual renovação em um setor em que não conta com muitas opções. A história do erro que virou acerto, exemplificada nesta troca, parece dar a tônica do primeiro ano de De Colo na liga.

Foi surpresa para todos quando Gregg Popovich lançou o novato para a D-League, liga de desenvolvimento que por muitos é encarada como uma espécie de segunda divisão da NBA. Mais surpreendente ainda, para alguns, foi a insistência do técnico, que na última semana voltou a “rebaixar” seu armador estreante. Suas duas passagens pelo Austin Toros, porém, soam como a troca que o traria futuramente para o Spurs: polêmicas, mas eficientes.

De Colo é o tipo de jogador conhecido como playmaker, aquele que constrói as jogadas para seus companheiros. É um armador alto para os padrões da posição, mas não é atlético o suficiente para se valer do corpo em infiltrações. Sua melhor habilidade, então, é o passe. Mas, apesar dos 25 anos, o francês está longe de estar preparado para a NBA. Acostumado a reinar no basquete europeu, ele mostra em muitos lances que está mais propenso a pensar o lance com a calma europeia ao invés de participar da correria atlética que se vê com mais intensidade nos Estados Unidos. Por isso as idas à D-League.

No Toros, o armador tem a possibilidade de ser algo que ele irá demorar para conseguir no Spurs, exercendo liderança. Adepto do jump shot na hora de arremessar – 78% de seus chutes aconteceram desta forma na temporada, com eficácia de 50% -, De Colo precisa de confiança para pontuar. Ainda sobre o chute, é bom destacar que o francês gosta de ter tempo para pensar antes de chutar. Boa parte de seus arremessos só têm eficácia quando o cronômetro está mais cheio. Sua melhor performance atacando a cesta, por exemplo, acontece quando ainda restam entre 20 e 16 segundos no placar, período em que o armador converteu, até o momento, nada menos do que 59% dos seus tiros.

Pensador, De Colo precisa da bola nas mãos e de uma equipe que jogue em suas costas, que esteja mais apta a arremessar de longe, para que ele possa ter a posse, bater para dentro e criar a finalização para chutadores de média e longa distância. No Toros, a confiança aumenta e as chances de ele ter essa função pelo Spurs seguem a mesma tendência. Popovich já percebeu que tem em mãos um armador puro, aquele que prefere o passe ao chute e é artigo raro, em suas mãos. Está trabalhando com tempo. Tempo este que De Colo precisa mais do que qualquer coisa. E que tem muito mais ao ser Toros do que Spurs.

Spurs (27-9) vs Sixers (15-20) – Recorde e enterrada

109×86

A vitória tranquila do San Antonio Spurs sobre o Philadelphia 76ers, na noite deste sábado (5), possui várias histórias interessantes. Entre elas, estão o novo recorde do Tim Duncan, Manu Ginobili voltando a dar uma de suas enterradas clássicas, Tiago Splitter conseguindo mais um duplo-duplo e um Philadelphia 76ers extremamente cansado. Vamos por partes.

Tim Duncan bate mais um recorde em sua carreira |foto: NBA

Our House!

O Spurs continua com uma incrível campanha em casa. Nesta temporada, o time já presenteou sua torcida com 14 triunfos. Contra o Sixers, a equipe texana conseguiu comemorar pela décima vez seguida no AT&T Center. Com apenas duas derrotas em seus domínios – melhor marca do campeonato – a franquia fez San Antonio se tornar o pior lugar para se visitar na NBA.

Histórico

Tim Duncan não cansa de fazer história. Com os 16 pontos marcado na vitória sobre o Sixers, o ala-pivô ultrapassou Adrian Dantley e se tornou o 24º maior cestinha da história da NBA. Aos 36 anos, O camisa #21 continua a jogar em alto nível. No sábado, Timmy ainda deu quatro tocos, além de ter agarrado oito rebotes e distribuído três assistências.

Velho Manu

Tiago fez o único duplo-duplo do jogo |foto: AP

Um Manu Ginobili em forma e saudável é a esperança de mais uma corrida pelo título da NBA para o Spurs. Na temporada atual, o argentino vem melhorando a cada jogo e se sentindo mais confortável em quadra. Na partida contra o 76ers, o Manu teve mais uma daquelas atuações irretocáveis, em que ele consegue, além de pontuar, envolver todo o time em suas jogadas.

Além de tudo isso, Manu mostrou que ainda consegue invadir o garrafão adversário ao conseguir uma bela enterrada.

“Eu só faço isso às vezes. Eu não quero que eles fiquem muito confiantes e achem que posso fazer isso qualquer hora”, disse o ala-armador argentino.

“Me senti bem o suficiente e enterrei. Isso não tem acontecido muito essa temporada. Acho que foi a primeira no cinco contra cinco. É bom ter essa sensação de volta”, concluiu o camisa #20.

Duplo-duplo

Tiago Splitter finalmente conseguiu consolidar sua titularidade no Spurs. Para dar ainda mais certeza ao técnico Gregg Popovich de seu merecimento, o brasileiro teve mais uma boa atuação. Tiago anotou 12 pontos e dez rebotes, conseguindo o único duplo-duplo da noite.

Vida na estrada

O Sixers simplesmente não conseguiu aguentar o ritmo do time texano. Atrás o tempo todo no placar – quase sempre por dois dígitos -, a equipe da Filadélfia fez no Texas o seu último jogo na estrada após sete partidas longe de seus domínios. Foram quatro partidas em cinco noites, além de exibições em dias seguidos contra dois dos principais times da Conferência Oeste, Oklahoma City Thunder e San Antonio Spurs. A impressão que ficou foi que o 76ers só queria que tudo isso acabasse logo para que eles pudessem ir para casa e descansar.

“Eu não sabia que eles estavam na estrada há tanto tempo. É impressionante. Eu sei que eles estavam doidos para ir pra casa e era o último jogo da viagem. Você tenta dar tudo de si, mas normalmente fica morto na quadra. Eu consigo entender isso”, palpitou Duncan, sobre a maratona do adversário.


Destaques da Partida

San Antonio Spurs

Tony Parker – 20 pontos e 5 assistências

Manu Ginobili – 19 pontos e 7 rebotes

Tim Duncan – 16 pontos e 8 rebotes

Danny Green – 13 pontos e 6 rebotes

Tiago Splitter – 12 pontos e 10 rebotes

Gary Neal – 12 pontos e 3 rebotes

Philadelphia 76ers

Spencer Hawes – 22 pontos e 6 rebotes

Evan Turner – 12 pontos e 5 assistências

Jrue Holiday – 11 pontos, 8 assistências e 8 rebotes

Thaddeus Young – 11 pontos e 5 rebotes

Jason Richardson – 11 pontos

Nick Young – 10 pontos e 3 rebotes

Popovich se revolta com contusão de Jackson

Durante a derrota para o New York Knicks, o Stephen Jackson se machucou ao tropeçar em uma garçonete que estava servindo Michael Bloomberg, prefeito de Nova York, após Amare Stoudamire tentar contestar seu arremesso. Ao falar sobre o assunto, Gregg Popovich, técnico do San Antonio Spurs, classificou o ocorrido como um “acidente”, mas pediu atenção redobrada da NBA ao assunto.

Jackson se machucou em um lance bizarro (Jerome Miron/USA TODAY Sports)

“É enlouquecedor. É a mesma coisa nos cantos da quadra. É um acidente esperando para acontecer”, disse Pop, em entrevista aos repórteres em San Antonio, antes da vitória do Spurs por 109 a 86 sobre o Philadelphia 76ers, na noite de sábado (5)

“Depois do que aconteceu, não tenho dúvidas de que a liga vá entrar em contato com as pessoas e se certificar de que todo mundo aumente sua disciplina nesta área. É óbvio que pessoas não deveriam estar pedindo cervejas, refrigerantes, sanduíches ou qualquer outra coisa enquanto o jogo está acontecendo. Todas as arenas precisam ter a responsabilidade de cumprir isso”, completou o comandante do time texano.

O treinador ainda disse que a lesão não foi grave e que Jackson tem 50% de chances de retornar ao time já na segunda-feira, contra o New Orleans Hornets.

Veja o lance que causou a contusão se Stephen Jackson:

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