Lições de uma derrota normal

Não acredito que o New York Knicks será um dos finalistas da NBA. Começo dizendo isso e acrescentando que, é claro, posso estar errado. Creio no aumento de rendimento do Miami Heat e do Boston Celtics no Leste, além de confiar que, caso Derrick Rose volte a tempo, o Chicago Bulls também se coloca à frente dos nova-iorquinos como favoritos à conferência. Mas não posso desprezar o começo de temporada perfeito dos comandados de Mike Woodson. E, ainda mais, as lições que a vitória sobre o San Antonio Spurs trazem ao time texano.

Spurs conseguiu conter carmelo, mas mesmo assim perdeu (D. Clarke Evans/NBAE/Getty)

Em primeiro lugar, a derrota – que se não era esperada pode ser, no mínimo, considerada normal – nos ensina que não devemos apontar culpados sempre. Tony Parker pode ter se afobado demais e Manu Ginobili cometeu sim um dos turnovers mais inexplicáveis em sua carreira, mas e daí? A culpa da derrota, muitas vezes, está no mérito do adversário. Com a repercussão da vitória do Knicks, vi que muitas pessoas ignoram isso.

Claro, é normal você achar que seu time perdeu e não o outro que ganhou. Faz parte da paixão envolvida no esporte. Mas o jogo no AT&T Center traz lições interessantes ao Spurs e, principalmente, pontos que deverão ser muito bem analisados ao longo da temporada, antes que os playoffs comecem.

O primeiro ponto é negativo. Diz respeito ao gás do Spurs no final dos jogos. Não é de hoje que a equipe parece se dar cada vez pior quando o adversário aperta o ritmo nos minutos decisivos dos duelos. Contra o Knicks, chegamos a ter uma confortável vantagem de oito pontos quase no final do terceiro quarto, o que exigiria apenas uma boa administração ao longo do último período. E isso aconteceu muito por conta da boa atuação final do pivô brasileiro Tiago Splitter, que anotou todos os seus 13 pontos no último período. Porém os nova-iorquinos, pressionaram e a vaca texana deitou.

É bom lembrar que, para o Spurs chegar à final da NBA, terá que superar, dentro de sua conferência, o jovem e atlético time do Oklahoma City Thunder e o Los Angeles Lakers, que em breve deverá estar no ritmo de correria de Mike D’Antoni. Caso San Antonio chegue a duelar com essas franquias na pós-temporada, o que bem possível, poderá ter sérios problemas caso não esteja preparado para aguentar ritmos frenéticos no final do jogo.

Mas há também o lado positivo, e ele se chama Kawhi Leonard. Como já disse anteriormente, ele é o jogador que mais evolui dentro do elenco texano. Nas partidas contra Lakers e Knicks, marcou com destreza Kobe Bryant e Carmelo Anthony. O jogo contra os nova-iorquinos, inclusive, mostrou que Spurs tem um arsenal defensivo de peso contra atletas com o chute muito apurado, como é o caso de Anthony. Para os playoffs, é interessante que isso aconteça, principalmente contra os já citados Lakers – de Kobe – e Thunder – de Kevin Durant.

Por fim, tenho sentido certa dificuldade do Spurs de surpreender com sua rotação. Com Ginobilli fazendo um início de temporada ruim, o banco depende muito das atuações de Splitter, Gary Neal e Stephen Jackson, todos jogadores muito irregulares em termos ofensivos. Patrick Mills, quando aparece, parece sentir falta de ritmo de jogo, uma vez que raramente é utilizado. Talvez seja hora do australiano e do novato Nando De Colo receberam mais chances. Seria ideal que ambos estivessem adaptados o suficiente para mudarem mais nosso perímetro ao longo das partidas.

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Sobre Leonardo Sacco

É jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero. Cravou a opção pelo jornalismo no estouro do cronômetro, quando criou o Spurs Brasil em uma madrugada de domingo para segunda. Escreve para o Yahoo! Esportes e dá seus pitacos no @leosacco.

Publicado em 19/11/2012, em Zona Morta. Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. Gostaria de comentar a respeito do gás do time: O Spurs vinha da estrada, de jogos difíceis, é normal que tenha acabado o gás mesmo. Se Manu estivesse inspirado como esteve contra o Nuggets, a vitória já estaria garantinda no meio do último período e os times iriam para o garbage time, ao invés do Knicks fazer aquela arrancada pra virar o jogo. O Knicks é outro que vai sofrer com os finais de jogos, já que o time é o de maior média de idade da Liga. MAs nós perdemos porque Jason Kidd é um gênio mesmo. Méritos pro Knicks.

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