O ano em que o Brasil voltou aos Jogos

Amigos leitores do Spurs Brasil,

Se vocês acompanham o blog desde seu início, lá em fevereiro de 2008, devem saber que ele surgiu a partir de uma ideia minha, em uma madrugada, que encontrou força no apoio do Lucas Pastore. Desde então, o espaço só cresceu e melhorou, assim como aconteceu comigo, com ele e com o resto da equipe que foi entrando por aqui ao longo da nossa trajetória.

Mas não estou aqui para falar do blog. Estou aqui para falar de um projeto meu que foi finalizado agora. Trata-se do 2012 – A Volta, documentário que fiz como projeto de conclusão de curso de jornalismo da Cásper Líbero ao lado do Leandro Sarhan (@drosarhan), José Pais (@jose_pais) e Pedro Chavedar (@pedrochavedar). Entrevistamos ícones do basquete brasileiro e explicamos os motivos da ausência do Brasil nos Jogos Olímpicos e o que nos levou a voltar.

Assistam, opinem sobre, debatam divulguem! É mais uma força para o basquete brasileiro continuar crescendo!

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Sobre Leonardo Sacco

É jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero. Cravou a opção pelo jornalismo no estouro do cronômetro, quando criou o Spurs Brasil em uma madrugada de domingo para segunda. Escreve para o Yahoo! Esportes e dá seus pitacos no @leosacco.

Publicado em 14/11/2012, em Zona Morta. Adicione o link aos favoritos. 4 Comentários.

  1. Parabéns, muito legal e bem feito! Gostei de assistir!

  2. Grande trabalho.

    O documentário vai direto no centro da questão e identifica corretamente o problema.

    Acho que o Brasil se esqueceu do basquete por um tempo.
    Nós mesmos somos responsáveis pelo nosso fracasso de 15, 16 anos.
    Nós, que jogamos basquete em algum nível nesse meio tempo, somos culpados, pois acompanhamos calados a ida do nosso esporte ao ocaso.
    O público, que deveria estar mais presente e cobrando, são culpados.
    Os clubes, que em sua maioria se interessam empromovar o futebol em detrimento de outras modalidades, são culpados. Os dirigentes destes clubes, assim como os das confederações, são como disse o Everaldo, mais se servem deles do que servem aos clubes.
    A CBB, acima de tudo e de todos, é a grande culpada e responsável pelo buraco onde ela enfiou um esporte que já foi o segundo do Brasil.

    O desastre começa na direção, mas se arrastou também pela cultura errada que a geração de Oscar deixou.
    Vejamos bem, o Brasil foi uma potência do basquete. Nos anos 50 e 60, quando a explosão negra e absurdamente física ainda não tinha dominado a NBA e o basquete americano, o Brasil fazia bonito com um jogo abaixo do aro. Infelizmente nosso país não acompanhou a revolução do basquete nos anos 60, quando o jogo ficou físico e de muito contato.
    Nos anos 70 e 80, enquanto o mundo via boquiaberto o que os atletas negros faziam na NBA, o Brasil continuava com um jogo abaixo do aro, pautado em arremessos de longe, e o pior, totalmente despreparado para defender infiltrações de jogadores físicos. Nosso basquete tinha ficado pra trás. Bem pra trás. Se tornou dependente de chutadores compulsivos, que tinham na pontaria a melhor, senão única arma contra a força dos adversários americanos e do leste europeu.

    Vou falar uma grande besteira aqui: uma das piores coisas que aconteceu ao nosso país foi a vitória no Pan de indianápolis em 87. Vencer o time universitário americano (com nosso Almirante sendo a maior estrela) foi uma péssima idéia. Trouxe a ilusão de que aquele time comandado por Oscar era um bom time que talvez pudesse bater de frente com os maiores do mundo. Doce ilusão.

    A liberação dos profissionais da NBA para jogarem pela seleção principal foi um choque de realidade. O Dream Team (o único e verdadeiro) mostrou ao mundo todo o quanto os EUA estavam na frente de todo mundo. Mesmo o leste europeu estava inalcançavelmente atrás, quanto mais o Brasil. Ainda assm, com o domínio dentro do continente, com a óbvia excessão dos EUA, o Brasil não se deu conta de que precisava conduzir uma mudança que já estava atrasada ao menos há duas décadas. Insistência naquele jogo sem defesa e de puros chutes, principalmente de longe, e em pouco tempo o Brasil foi deixando de ser relevante no basquete. Em Atlanta 96, último respiro de “geração Oscar” – como eu detesto esse rótulo – ficou claro que o Brasil não era nem top 10 no basquete mundial mais. O Brasil deixou de ser relevante mesmo no basquete FIBA. Mesmo assim, a ficha ainda não caiu e para Sidney 2000 a base e o estilo de jogo pouco foram alterados.
    O resultado foi um choque: Brasil fora das Olimpíadas. Queda de popularidade do esporte no país. Isso aliado à péssima organização dos clubes, bagunçados e endividades, jogou o basquete para segundo, terceiro plano.

    De Sidney pra frente, com a era dos jogadores brasileiros na NBA, a esperança dos aficionados reapareceu. Talvez o melhor basquete do mundo pudesse ensinar os brasileiros a defender. Nenê, Leandrinho draftado pelo Spurs, Alex que infelizmente ficou pouco tempo no Spurs também, depois Anderson Varejão. O Brasil começou a tentar tirar o atraso, mas nesse meio tempo outro país aparecia lindamente para o basquete: nossos hermanos. Liderados por aquele que é sim, como disse o Everaldo, o melhor jogador latinoamericano de todos os tempos, nosso Ginobili, além de outro cara draftado pelo Spurs, o Luis Scola, e além deles Gutierrez, Nocioni (eita, que geração!), Orberto que também passou por aqui, eles fizeram história. Derrotaram os EUA duas vezes seguidas, em 2002 no mundial para serem vice, e em 2004, com Duncan no auge e tudo, para a máxima glória olímpica. Se dentro de quadra uma geração fenomenal e estrelada maravilhava o mundo, no banco estava o grande mentor daquilo tudo: Rubén Magnano.
    Um gênio do basquete. Assim se pode definir o homem. Da quase inexistencia para a glória, foi Rubén Magnano quem idealizou e construiu aquela equipe. De um bando de jogadores talentosos sem nenhuma experiência ou tradição, Magnano formou um time, um grupo, uma família.
    Enquanto isso, no Brasil, os problemas continuavam. A ida pra NBA que parecia uma ajuda se tornou um obstáculo. Os jogadores queriam agradar aos times, e relutavam em defender a seleção. Resultado: em 2003 e 2007, o Brasil ficava fora de novo.
    A derrota em 2007 foi mais difícil de digerir. O time era bom e estava chegando no auge, enquanto a Argentina já havia passado um pouco dos seus melhores dias. Mas os hermanos mostrarem que ainda eram os melhores.

    Depois disso, aconteceu a melhor coisa que poderia ter alcançado a seleção: num raro lampejo de inteligência, a CBB contratou o gênio argentino pai da geração de ouro. Rubén Magnano era nosso treinador, com o enorme desafio de vencer tudo que havia em contrário para levar o Brasil a Londres.
    No Pan de Mar Del Plata, na Argentina, o Brasil mostrou enfim a primeira reação depois de agonizar por mais de uma década.
    Um basquete diferente, defensivo, de marcação, jogo mais rápido e com bolas de transição. Sim, ainda marcado por momentos de flashback com famigeradas bolas de 3 pontos (eita Machado!), mas agora com mais controle e organização tática. Com mais um jogador da NBA no elenco, nosso Splitter, eram agora 4 os acostumados a enfrentar os jogadores físicos de outros times e de jogar acima do aro. E deu certo! Enfim, depois de uma linda vitória sobre a dona da casa e outra decisiva sobre a República Dominicana, o Brasil levou a vaga.
    E vale lembrar que não fez feio nos Jogos não. Duas derrotas apenas, uma por 1 ponto da Rússia numa bola nos últimos segundos que cairia em menos de 10% das vezes e uma contra os hermanos que são bem mais experientes em Olimpíadas do que essa geração brasileira. Coloquemos no currículo ainda uma vitória sobre a medalha de prata Espanha, ainda que contestada pela suspeita de entrega dos espanhóis.

    Falando do futuro, o Brasil tem agora 6 jogadores no melhor basquete do mundo. Nenê é provável que não tenha condições de jogar no Rio (onde a vaga está garantida por ser sede), sua saúde não anda muito boa. Mas o Brasil terá ainda em boa forma Barbosa, Splitter e Varejão, além de possivelmente Scott Machado e quem sabe Fab Melo. Adicione a bons jogadores do time atual que ainda estarão em boa forma em 2016, como Huertas, Alex, Marquinhos, Giovanoni, Hettsheimeir (que infelizmente perdeu os Jogos de Londres por lesão) e teremos um time ainda mais forte para os próximos jogos. Se Scott Machado se firmar no Rockets teremos mais uma opção na armação, pois sabemos que no momento Huertas não tem reserva. Mesmo com a saída de Nenê, se Fab Melo aprender umas coisas no Boston com Garnett e se Rafa Hett continuar evoluindo, continuaremos tendo um garrafão fortíssimo, muito acima da média pros padrões FIBA.

    Uma boa notícia é que essa pode ser a melhor temporada dos brasileiros na NBA desde que Leandrinho ganhou o prêmio de sexto homem em 2006. Varejão está destruindo, Barbosa está indo bem na reserva de ninguém menos do que Rajon Rondo e Splitter vai pro seu terceiro ano no Spurs, com um papel cada vez mais relevante no time. Com uma base assim podemos esperar grandes coisas.

    Só que a nossa CBB ao que parece tem prazer em atrapalhar o basquete no Brasil. É cada decisão horrível tomada que dá medo. Uma delas é a final em jogo único no NBB. Tenha dó! Escândalos, evidências de incompetência e desonestidade em todo canto.
    É contra este adversário que o Brasil vai ter de lutar se quiser brigar por medalha no Rio16.

    Uma melhoria das condições dos clubes formadores, e um aumento no nível do NBB são urgentes. A chegada de novos treinadores de países tradicionais no basquete pode ajudar. Sim, como disse o Lula, não é porque é estrangeiro que é melhor necessariamente. É verdade. Mas precisamos buscar bons e experientes profissionais para modernizar nosso jogo. Chega da era do puro ataque com arremessos de perímetro. Precisamos aprender a jogar o basquete atual, onde os jogadores não tem posições rigidamente definidas, mas todos devem ser bons defensores, bons passadores, etc.

    Temos todas as condições de continuar evoluindo. Basta que a Confederação atrapalhe um pouco menos e que sigamos neste caminho de modernizar nosso basquete.

    • Você disse tudo! Não tenho nem o que acrescentar e sim, concordo que a NBB precisa mudar, final em jogo único é piada e os clubes precisam MESMO de mais condições financeiras, para que possam se estruturar bem e conseguir fazer um trabalho cada vez mais forte e eficiente com seus jogadores!

  3. AAAAAH E parabéns Leonardo, to assistindo aqui o seu trabalho de conclusão (e de seus colegas) e está simplesmente incrível, sério mesmo, é de coisas assim que precisamos no jornalismo, ainda mais num país em que os programas esportivos só focam no futebol. Também pretendo fazer jornalismo, se passar no vestibular começo no ano que vem, se não só em 2014, mas quero trabalhar na área do jornalismo esportivo e tentar, assim como outros, resgatar o foco para outros esportes que não tem metade do apoio que o futebol recebe e que as vezes trazem mais alegria e orgulho ao país.
    Antes que pensem algo, não tenho nada contra futebol, adoro futebol, assim como amo o mundo dos esportes, mas me entristece o fato de SÓ esse esporte ganhar ênfase por aqui!

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