Não aprendi a dizer adeus

O domingo (12) deverá ser um dia de emoções confusas para os fãs argentinos de basquete. Ao mesmo tempo em que a seleção masculina local, que ficou conhecida como geração de ouro, entrará em quadra na busca por sua terceira medalha olímpica, a partida contra a Rússia, que valerá o bronze nos Jogos de Londres-2012, deverá marcar a despedida deste time e, quem sabe, de Manu Ginobili, o maior astro da história da modalidade no país. E é triste pensar que talvez este momento também esteja chegando para nós, torcedores do San Antonio Spurs.

Ele voltará a vestir esta camisa depois de amanhã? (Foto: Getty Images)

A aposentadoria do ala-armador das competições internacionais ainda não é uma realidade. O próprio jogador ainda não sabe o que fará após as Olimpíadas. Porém, vamos encarar os fatos: Manu já tem 35 anos de idade. Com sua genialidade em quadra, ainda consegue sustentar médias de 19,1 pontos, 5,7 rebotes e 4,3 assistências por exibição em uma competição deste nível. Mas até quanto seu físico o permitirá jogar assim? Talvez até o Mundial de 2014, mas dificilmente até os Jogos do Rio de Janeiro, em 2016.

“Muitas coisas podem acontecer. Tenho 35 anos. Sei que as chances ficam menores a cada ano, mas não posso dizer que vou me aposentar porque eu não sei”, disse Manu, em entrevista à agência de notícias AP, após a derrota por 109 a 83 diante dos Estados Unidos na semifinal olímpica.

As médias do argentino em Londres mostram que sua categoria ainda se sobressai às limitações físicas impostas pela idade. Mas o cansaço, certamente, é cada vez maior. Até quando ele estará disposto a lutar contra isso? Manu só tem mais uma temporada de contrato garantido com o Spurs. Depois disso, talvez, queira atuar na Europa, onde se projetou para o basquete internacional, e/ou em seu país antes de se aposentar.

Ginobili é meu maior ídolo no basquete. Foi por causa de suas atuações espetaculares nas Olimpíadas de Atenas-2004 que me apaixonei pelo basquete e, consequentemente, passei a acompanhar mais de perto o Spurs. Claro que a identificação cresceu depois que eu tomei conhecimento do profissionalismo da franquia, que conseguia competir com times de grandes cidades na base da competência. E a bela história construída por David Robinson, Tim Duncan, Gregg Popovich e tantos outros fez com que eu me tornasse definitivamente um adepto do time de San Antonio.

Mas a idolatria não me cega e não me impede de achar que, hoje, Ginobili é o menos importante do big three texano. Duncan, com minutos limitados por Pop, conseguiu render acima do esperado na última temporada – mais até do que em 2010/2011. Tony Parker acaba de fazer o melhor campeonato de sua carreira, se tornando o melhor jogador do Spurs. Enquanto isso, o argentino sofreu com lesões, teve problemas para se manter saudável e demorou para encontrar o ritmo ideal vindo do banco de reservas. Além disso, o elenco está melhor servido nas alas – com Nando De Colo, Danny Green, Stephen Jackson e Kawhi Leonard – do que em reservas para a armação e o garrafão.

Mas, por mais que se tente ser racional, atuações geniais de Manu, como as que vimos na série contra o Oklahoma City Thunder, me fazem acreditar que o craque ainda tem lenha para queimar e gás para, quem sabe, levar o Spurs ao nível dos super times Miami Heat e, agora, Los Angeles Lakers na próxima temporada. Será possível? Não sei. Só sei que ainda não estou pronto para me despedir de Ginobili.

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Sobre Lucas Pastore

Um dos fundadores do Spurs Brasil, seu maior orgulho na carreira jornalística. Formado em Jornalismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie em 2010, é editor do LANCE!Net desde 2013, três anos após ter sido estagiário do Diário LANCE!. Neste meio tempo, foi repórter de automobilismo na agência mob36, redator do UOL Esporte e colunista no Basketeria.

Publicado em 11/08/2012, em Na linha dos 3. Adicione o link aos favoritos. 9 Comentários.

  1. estou como o tony parker – sem manu, não ha titulo!

    erro do segundo paragrafo: “ainda consegue sustentar médias de 19,1 pontos, 5,7 rebotes e 4,3 minutos por exibição” – deve ser 4,3 assistencias

  2. O fim da carreira de um grande gênio do esporte é sempre muito triste.

  3. Célio Weber

    Belo texto,só discordo quanto a afirmação que Ginobili é o menos importante entre os três,na temporada passada (não essa vencida pelo Heat) ele estava sendo apontado até para ser o MVP e na última temporada sofreu com lesões mas jogou muito mais que o Parker e Duncan nos playoffs,principalmente contra o Thunder.

  4. Ótimo texto, Ginobili também é meu maior ídolo no esporte, mas como o Célio discordo do fato do argentino ser o menos importante do Big 3, fora 2007 Parker nunca se mostrou ser um cara com capacidade de decidir os grandes jogos, já Duncan é em número um cara muito importante para o time mas também já não tem o poder de dominar finais de jogos como antes, sendo este papel de Manu que acho estar ainda melhor nesse quesito do que a anos atrás, tem mais armas e confiança. Fez uma temporada estupenda em 10/11 e começo forte 11/12 porém as lesões fizeram com que Coach Pop precisasse focar o jogo em Parker deixando Gino pra conduzir o time reserva quando esteve em condições. Ele tem bola e físico para jogar alguns anos em alto nível ainda, se não se machucar. Por mim ele jogava mais uns 20 anos, é muito bom vê-lo jogar, será difícil não ter mais Ginobili

  5. Conheci o SAS atraves do ginobili… e do q ele fez em 2004… antes dele os unicos jogadores de basquete q tinha visto algum video era o jordan e o oscar schmitt… um dos meus idolos maximos

  6. Caio Eduardo

    Olha, realmente nem quero pensar nisso, não tem mto oq dizer do Manu, os números falam por si só, 155 pontos nas olimpíadas, 35 lances livres cobrados e 35 convertidos, ele é Demais… é o meu maior ídolo dentro do basquete e sentirei mto quando ele se aposentar, simplesmente Gênio…comecei a me apaixonar pelos Spurs em 2004 graças a ele e ao Duncan, espero que esse dia demore demais a chegar e que durante mto tempo possamos escutar, Manuuuuuu Ginóbiliiiiii na voz dos narradores.

  7. Bruno Lorscheiter Alves

    mas tenho que aceitar, amores vem e vão, são aves de verão…

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