Dá no Splitter!

Existe, entre aqueles que acompanham basquete mais de perto, a impressão de que falta na seleção brasileira masculina um jogador para decidir uma partida em seus instantes finais. Um jogador em que o time possa confiar para colocar a bola na cesta no quarto período de um jogo apertado. E, já que este é um blog que fala sobre o San Antonio Spurs, proponho a reflexão: será que Tiago Splitter pode ser este jogador?

Splitter é um dos destaques da seleção (Foto: Sergio Perez/Reuters)

É bem verdade que, apesar do lugar comum sobre o time brasileiro, este protagonista dos instantes finais ainda não fez falta. Nas duas primeiras partidas, contra Austrália e Grã-Bretanha, a seleção conseguiu vencer, em jogos que tiveram finais parelhos. Contra a Rússia, na única derrota da equipe nas Olimpíadas de Londres-2012 até aqui, o revés veio em um misto de falha defensiva e sorte adversária. Mesmo assim, ainda temo que possa faltar uma figura decisiva mais para a frente, na fase eliminatória do torneio.

Pois bem; contra os anfitriões britânicos, Splitter funcionou desta forma. Foi um jogo em que o Brasil teve dificuldades para vencer um adversário teoricamente mais fraco, anotando apenas 67 pontos na partida. Destes, no entanto, 21 vieram das mãos do pivô do Spurs, que acertou nove dos 11 arremessos de quadra que tentou. Além dele, só Marcelinho Huertas, com 13, chegou aos dígitos duplos.

O dueto com o armador, aliás, é um dos motivos que me faz acreditar que Splitter pode ser uma figura decisiva para esta seleção. Enquanto o técnico Rubén Magnano conseguiu montar uma defesa impecável no time brasileiro, no ataque as coisas ainda parecem fluir com pouca naturalidade. A única jogada que acontece com eficiência é o pick-and-roll de Huertas com o pivô, que pode muito bem ser usado em momentos decisivos. A Argentina já fez isso inúmeras vezes contra o Brasil usando Pablo Prigioni e Luis Scola.

Além disso, Splitter já tem experiência em ser protagonista. Enquanto Leandrinho, Anderson Varejão e Nenê nunca foram muito acionados para os últimos arremessos de suas equipes, o pivô já foi o responsável pelas jogadas críticas em períodos finais. Não no Spurs, mas no Caja Laboral, equipe em que jogou ao lado de Huertas – é de lá que vem o entrosamento da dupla. No time espanhol, aliás, o camisa 15 da seleção estava acostumado com as regras da FIBA, com garrafões congestionados como os que encara nas Olimpíadas.

Na primeira fase, pode ser que Splitter ainda não precise assumir este papel. Neste sábado (3), às 12h15 (de Brasília), imagino que a seleção brasileira não terá dificuldades para vencer a China. No encerramento da fase de grupos, talvez não valha a pena desgastar muito a equipe buscando uma difícil (ainda que não impossível) vitória sobre a Espanha. Mas o time pode precisar que o pivô se imponha nas quartas de final, provavelmente contra a França de Tony Parker. Poderemos confiar nele para isso?

About these ads

Sobre Lucas Pastore

Um dos fundadores do Spurs Brasil, seu maior orgulho na carreira jornalística. Formado em Jornalismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie em 2010, é editor do LANCE!Net desde 2013, três anos após ter sido estagiário do Diário LANCE!. Neste meio tempo, foi repórter de automobilismo na agência mob36, redator do UOL Esporte e colunista no Basketeria.

Publicado em 04/08/2012, em Na linha dos 3. Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. Eu já defendi esta mesma opinião. Acredito que o Brasil aciona pouco os pivôs, característica de anos e gerações de um time que veio da escola de chutes de fora, onde pivôs são apenas reboteiros. Nem mesmo o excepcional Magnano conseguiu ainda mudar esta característica, mas contra a Rússia já vi uma evolução nisso. Huertas já procurou Splitter no garrafão, e desde o começo dos jogos os picks com os dois tem funcionado bem.
    O Tiago começou bem nos arremessos de quadra contra os russos, terminou o primeiro período com 77%. Mas desandou um pouco no terceiro, e acabou saindo para a entrada do Nenê, a fim de parar o gigante Mozgov.
    A minha opinião é: Splitter é muito técnico, sabe jogar como poucos no gancho, e sabe aproveitar os picks seja ficando só no bloqueio seja finalizando a jogada. Precisa ser mais acionado e aos poucos está acontecendo. Acredito que seja o homem da decisão sim, exceto se a defesa for muito forte fisicamente.

  2. Eh exatamente isto ai. As pessoas (midia tbem) não enxergam isto. Acho que na hora da decisão a conexão Huertas-Splitter resolve. Ganharam o campeonato espanhol fazendo isto. Creio que o Magnano percebeu a relevancia do Splitter num time, mesmo não fazendo jogadas espetaculares, enquanto que o Pop continua patinando pra entender isto…

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 42 outros seguidores